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Catalunha desafia Rajoy e lança campanha de plebiscito pró-independência

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Catalunha desafia Rajoy e lança campanha de plebiscito pró-independência
 
Sessão parlamentar que aprovou, no início de setembro, a realização de um referendo pró-independência no dia 1º de outubro, na Catalunha. REUTERS/Albert Gea TPX IMAGES

Continua o braço de ferro entre o governo da Catalunha e o governo espanhol em relação ao referendo do dia 1° de outubro sobre a independência da região, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional. Desafiando a justiça, o governo catalão começa oficialmente nesta quinta-feira (14) a campanha pelo plebiscito.

Fina Iñiguez, correspondente em Barcelona

O procurador-geral espanhol, José Manuel Maza, intimou na quarta-feira (13) as 712 prefeituras que apoiam o plebiscito e ameaçou prender seus representantes caso não compareçam à justiça. Os prefeitos separatistas disseram que irão cumprir a intimação, por não terem nada a esconder, mas avisaram também que não irão desistir do plebiscito.

O clima político, sem dúvida, está hiperaquecido. Enquanto o governo da Espanha presidido por Mariano Rajoy afirma categoricamente que não haverá referendo, com a mesma assertividade o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, garante que a consulta vai acontecer, apesar de todos os obstáculos. Puigdemont vai além: diz que seja qual for o resultado, no dia 2 de outubro, o governo espanhol e o catalão terão que dialogar. Seja para negociar a desconexão da Catalunha da Espanha decretada pelo Parlamento Catalão, se o "sim" vencer a consulta, seja para mudar a relação existente hoje entre a região autônoma e o Estado, caso o "não" prevaleça nas urnas.

Prefeitos e a população catalã estão divididos

A situação dos prefeitos intimados pelo procurador-geral é complicada. Na carta enviada às 712 prefeituras pró-independência, ele afirma que “qualquer conduta das autoridades que facilite a disposição de locais para o referendo, após a suspensão do Tribunal Constitucional, pode se constituir em crime”. Mas parece improvável que mais de um terço dos prefeitos da Catalunha sejam presos, caso não acatem a decisão do tribunal.

Alguns prefeitos ainda não se posicionaram de forma clara, como a prefeita de Barcelona, Ada Colau, representante da maior cidade da Catalunha. Embora ela defenda a realização de um plebiscito vinculante e legal, não irá ceder nenhum espaço da prefeitura para a consulta, afirmando que não quer prejudicar os funcionários nem a instituição. Mas, por outro lado, a prefeita garante que vai dar todas as facilidades para que os barcelonenses possam ir às urnas, argumentando que votar é um direito e não um delito.

Os prefeitos de 30 municípios dirigidos pelo partido antissistema CUP avisaram que só vão se apresentar à justiça forçados pela polícia. Eles alegam não reconhecer a lei espanhola e acatar, apenas, as leis que emanam do Parlamento Catalão, que os empoderou.

Por sua vez, as 350 prefeituras da Catalunha governadas pelo Partido Socialista se opõem à realização da consulta. Os socialistas publicaram um manifesto criticando o referendo declarado ilegal pela justiça espanhola.

A AMI (Associação dos Municípios Independentistas) convocou uma concentração neste sábado (16) para manifestar seu total apoio ao governo catalão neste processo.

Pesquisas apontam paradoxo no resultado da consulta

Uma recente pesquisa divulgada pelo governo catalão afirma que o “sim” ganharia o referendo, embora os catalães contrários à independência sejam maioria. O dado, aparentemente contraditório, faz sentido levando em conta que muitos catalães contrários à independência não estão dispostos a votar. Os dados variam também conforme a pesquisa, mas a maioria delas mostra que as opiniões estão bem divididas.

De acordo com uma sondagem feita pela consultoria Sociometrica, no começo de setembro, 71% dos catalães eram favoráveis ao referendo e apenas 20% contra. No restante da Espanha, a situação era praticamente a oposta: apenas 23% dos espanhóis defendiam o referendo e 63% eram contra. Os que mais rejeitam a consulta são os votantes do PP, o partido de Mariano Rajoy, seguidos pelo eleitores do partido de centro Ciudadanos e do Partido Socialista espanhol.

Impasse é produto de inabilidade política de Rajoy

É difícil prever o desenlace desse processo. O governo Rajoy usa toda a máquina do Estado para desencorajar os catalães de saírem às ruas no dia 1° de outubro, mas não oferece nenhuma alternativa nem argumento convincente. Ao contrário, desde o início do processo catalão pela independência, Rajoy desconsiderou a força de um movimento popular que cresceu, em boa medida, pela sua incapacidade de buscar uma saída negociada ao conflito.

A cada dia, a distância entre uma postura e outra aumenta. Hoje, a maioria dos analistas concorda que a situação é irreversível: nenhuma das duas partes neste momento vai mudar de postura ou recuar.

Premiê usa máquina do Estado contra os separatistas

As medidas para impedir o referendo estão em andamento: os corpos policiais locais (Mossos d’Esquadra) e nacionais (Guarda Civil e Polícia Nacional) receberam ordens de apreender qualquer material relacionado com o referendo, ou seja, urnas, impressos eleitorais e material de propaganda. Policiais já fizeram buscas em uma gráfica e em um jornal local à procura de materiais proibidos.

Nesta quarta-feira (14), o site do governo catalão dedicado a dar informações sobre o referendo foi fechado. No entanto, meia-hora depois o próprio presidente catalão anunciou em sua conta no Twitter o endereço de um novo site, com o mesmo conteúdo, localizado fora da Espanha.

Uma coisa parece certa: os independentistas estão decididos a chegar até as últimas consequências para participar do referendo. E o governo de Rajoy também parece disposto a impedir o plebiscito, com todas as engrenagens que tem à disposição.


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