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Europa

Muçulmanos da Catalunha combatem imagem negativa após atentados

media Muçulmano com cartaz "islã = paz", em catalão, protesta contra terrorismo Reuters

Após os atentados em Barcelona e em Cambrils, na semana passada, cometidos por uma célula de terroristas marroquinos, a comunidade muçulmana da Catalunha foi uma das primeiras a se manifestar contra o terrorismo.

A rápida reação tem a ver com as perseguições e o estigma que costumam ocorrer após atentados reivindicados por grupos extremistas ligados à religião, como nesse caso o Estado Islâmico.

“É um momento crucial porque o massacre da Rambla afeta negativamente a imagem dos muçulmanos e também ameaça a sua identidade. E temos que lembrar que marroquinos também foram vítimas, porque perderam os seus filhos que cometeram esse crime”, disse à RFI Brasil Jamal El Attouaki Ticilla, coordenador da Federação Conselho Islâmico da Catalunha, um marroquino com nacionalidade espanhola.

Em Tarragona, cidade próxima a Cambrils, pessoas picharam a fachada do Consulado do Marrocos com mensagens de ódio. A frase “Mouros, vocês vão morrer” foi pintada nas portas de uma mesquita no munícipio catalão de Montblanc.

Apesar disso, Ticilla afirma que não sentiu um aumento da islamofobia após os ataques. “Mas isso não significa que não possam ocorrer atos racistas, contra os muçulmanos, as suas mesquitas”, completa.

Para ele, “os catalães são pessoas conscientes da diversidade das culturas”. “Isso tem relação com o fato de que são mediterrâneos porque compartilham muitos traços culturais com os marroquinos, os argelinos e os tunisianos, como tradições sociais e familiares. A Catalunha abraça muito a pluralidade e a diversidade”, opina.

Participação em marcha contra o terrorismo

A entidade dirigida por Ticilla foi uma das organizadoras da manifestação muçulmana de repúdio ao terrorismo na última segunda-feira (21), que passou pela Rambla de Barcelona.

E neste sábado (26) a federação participará da grande marcha convocada pela prefeitura da cidade e pela Generalitat (governo da Catalunha) batizada de “No Tinc Por” (não tenho medo, em catalão), contra o terrorismo e pela paz.

“A manifestação pretende recuperar a tradição barcelonesa de repúdio à violência, de mensagens de paz. Uma tradição que vem desde os protestos contra a guerra do Iraque, em 2003”, diz um comunicado da prefeitura.

No dia seguinte ao atentado da Rambla, a prefeita Ada Colau já havia se pronunciado pela união. “Não permitiremos que o ódio e o racismo se instalem entre nós. Barcelona seguirá sendo uma cidade de paz, democrática, orgulhosa da sua diversidade e convivência. O medo não prevalecerá. Voltaremos a passear pela Rambla e o faremos com liberdade e com amor pela nossa cidade e pela vida."

Projetos para recuperar jovens

A Federação Conselho Islâmico da Catalunha trabalha há 15 anos “para melhorar a convivência e o diálogo entre culturas, religiões e tradições”, diz o presidente.

Para ele, os atentados também servem de alerta. “É um desses momentos trágicos e críticos, que acabam impulsionando uma maior colaboração entre as partes afetadas, como a prefeitura, a Generalitat (governo da Catalunha) e as associações muçulmanas.”

Tacilla diz que o melhor caminho para combater o terrorismo é a criação de “projetos para jovens de famílias desestruturadas e realizar políticas sociais para integrá-los e evitar problemas como a delinquência, o fracasso escolar e o terrorismo”.

“Os autores desses atentados são jovens que foram manipulados por uma pessoa (o imã Abdelbaki es Satty). Eles teriam um futuro, poderiam fazer formações profissionais ou entrar na universidade, mas acabaram seguindo o mau caminho.”

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