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Economia

G20 termina com Estados Unidos isolados na política climática

media O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau (à esquerda), o americano Donald Trump (centro) e presidente Michel Temer conversam na cúpula do G20 neste sábado (8) em Hamburgo, na Alemanha. REUTERS/LUDOVIC MARIN

O presidente americano, Donald Trump, conseguiu obter do G20 neste sábado (8) a redação de uma declaração final que registra a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e que "permite ao país adotar uma política divergente sobre o clima". Todos os demais países do grupo consideram o pacto global de combate às mudanças climáticas "irreversível".

O documento de conclusão do G20 afirma que os Estados Unidos vão ajudar outros países do mundo com "acesso e uso de combustíveis fósseis". Uma política em grande parte na contramão da meta de uma economia de baixo carbono da ONU, mesmo se, no texto, o grupo de potências industrializadas e emergentes ressalva que os combustíveis fósseis serão usados de forma "limpa".

A fórmula é uma maneira de permitir aos Estados Unidos a venda de gás de xisto. Washington quer convencer os países da Europa Oriental a reduzir a sua dependência energética da Rússia comprando o gás líquido americano. Este aspecto do compromisso foi objeto de intenso debate uma vez que muitos países temem um "efeito de contágio", disse um diplomata.

O presidente francês, Emmannuel Macron, anunciou a realização de uma nova cúpula sobre as mudanças climáticas no dia 12 de dezembro, em Paris, dois anos após a conclusão do pacto para evitar o aquecimento global.

G20 condena protecionismo comercial

A reunião de cúpula do G20 foi oficialmente encerrada pela anfitriã, a chanceler alemã Angela Merkel, fortemente criticada, assim como outras autoridades do país, pelos episódios de violência durante a reunião. Em seu editorial, o jornal mais lido da Alemanha, o Bild, apontou Merkel como responsável pelo "desastre", acusando-a de ter "falhado" em manter a lei e a ordem pública.

Merkel realizou um discurso de fechamento do G20 às 15h30 locais, 10h30 pelo horário de Brasília. Ela se felicitou que os líderes mundiais tenham reafirmado a política de abertura dos mercados e saudou a luta contra o protecionismo.

Mais de 200 policiais feridos nos protestos

Os protestos de militantes antiglobalização continuaram mobilizando mais de 15 mil policiais em Hamburgo no último dia da cúpula. Novas manifestações foram reprimidas pelas forças de segurança. Um balanço da polícia local aponta 243 policiais feridos e 143 pessoas detidas. O número de manifestantes ferido não foi divulgado por não ser conhecido com precisão, informaram as autoridades.

Temer é um dos primeiros a deixar a cúpula antes do encerramento

Sem agenda bilateral, o presidente brasileiro, Michel Temer, foi um dos primeiros a deixar o encontro em Hamburgo, horas antes da cerimônia de encerramento.

Na primeira reunião do dia, Temer teve um rápido encontro com Trump. Os dois chefes de Estado se cumprimentaram com um aperto de mão e Temer sugeriu a Trump "aproximar empresários brasileiros e americanos para gerar novos negócios".

Temer disse ainda que Trump elogiou o desempenho da economia brasileira e reforçou que o Brasil vai muito bem.O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, substituiu o presidente na última reunião da cúpula. O tema era criação de empregos, economia digital e empoderamento feminino.

Questionado sobre o seu futuro no Palácio do Planalto, Temer disse estar "muito tranquilo". Ele embarcou de volta para o Brasil às 12h30 pelo horário local, 7h30 em Brasília.

Papa critica visão das grandes potências

O papa Francisco disse hoje estar preocupado com as alianças entre membros do G20, "que podem prejudicar pobres e migrantes". As grandes potências têm uma visão deformada do mundo, afirmou o papa, referindo-se aos conflitos entre Estados Unidos e Rússia, China e Coreia do Norte, Rússia e o regime sírio de Bashar Al-Assad. À margem da cúpula do G20, Estados Unidos e Rússia acertaram nesta sexta-feira declarar um cessar-fogo no sudoeste da Síria a partir deste domingo.

Com informações do repórter João Alencar

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