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Europa

Para moradores, incêndio na torre residencial de Londres era previsível

media Torre residencial de Londres foi totalmente devorada pelas chamas em 14 de junho de 2017 REUTERS/Toby Melville

O grande incêndio registrado na terça-feira (13) à noite em um edifício de apartamentos da zona oeste de Londres deixou pelo menos seis mortos e provocou muitas críticas dos moradores, que consideram a gestão do imóvel ineficiente.

Ao menos 74 pessoas foram hospitalizadas, 20 delas em estado crítico, e muitas estão desaparecidas, o que pode elevar o balanço de vítimas. Esta "será uma complexa operação de busca de vários dias", afirmou em um comunicado Stuart Cundy, comandante da Polícia Metropolitana.

Sobreviventes da tragédia relataram que viram pessoas caindo ou pulando da torre residencial de 120 apartamentos e 24 andares. Outras testemunhas contaram à agência britânica PA que viram pais jogando os filhos pelas janelas na direção de pessoas que estavam nas ruas, em uma tentativa desesperada de salvar as crianças das chamas.

"Escutei gritos de todos os lados e vi pessoas pulando pelas janelas. As chamas devoravam a torre. Um horror", contou à AFP Khadejah Miller, que mora em um edifício próximo e que foi esvaziado pelas autoridades por medida de precaução.

Ao meio-dia desta quarta-feira (14), a Torre Grenfell, construída em 1974, estava completamente destruída pelas chamas. Muitas horas depois do início do incêndio ainda era possível observar o fogo em alguns pontos do edifício. A comandante do Departamento de Bombeiros de Londres, Dany Cotton, descartou a possibilidade de desabamento e afirmou que uma equipe de engenheiros inspecionava as bases do imóvel.

Catástrofe inevitável

As causas do incêndio são desconhecidas, mas os moradores já criticavam a má gestão da empresa que administrava o prédio e às autoridades locais. "Quase 90% dos residentes assinaram no fim de 2015 uma petição que reclamava da má gestão da empresa responsável pela manutenção do edifício. O administrador me ameaçou pessoalmente", disse David Collins, presidente da associação de moradores da torre até outubro do ano passado.
"Escutei que alguns alarmes de incêndio não funcionaram, não me surpreende. Estou consternado, mortificado, mas não, surpreso", ele disse. David Collins também apontou a responsabilidade do governo do bairro de Kensington e Chelsea.

"Informamos nossas preocupações e pedimos uma investigação independente, mas não nos ouviram", lamentou.
De acordo com documentos divulgados na internet, alguns moradores reclamaram em várias ocasiões nos últimos anos do estado do edifício e dos possíveis riscos de incêndio. "Ninguém quis levar em consideração nossas advertências, uma catástrofe como esta era inevitável", publicou em seu blog o Grupo de Ação de Grenfgell, após a tragédia.

Nana Akuffo, morador de um prédio próximo, disse que os problemas "teriam sido solucionados" se estivessem no bairro chique de Knightsbridge. De acordo com vários moradores, os trabalhos de reforma do ano passado podem ter favorecido a propagação do fogo, extremamente rápida.

Salah Chebiouni, 45 anos, que conseguiu sair do prédio, disse que o local cheirava a "plástico queimado". Ao falar sobre as obras recentes de reforma, afirmou: "Parecia metal, e eu pensei que haviam feito algo sólido. Na verdade era plástico".

"Ao que parece, como em outros casos de incêndio ao redor do mundo, a natureza do revestimento externo é responsável pela rapidez de propagação do fogo", disse Angus Law, especialista da Universidade de Edimburgo.
Gavin Barwell, novo chefe de gabinete da primeira-ministra Theresa May e ex-ministro da Habitação, foi acusado pelo jornal The Daily Mirror de ter arquivado, há alguns anos, um relatório que apontava o risco de incêndio em edifícios como a torre Grenfell.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, declarou que os testemunhos provocam "perguntas que aguardam respostas".
Um porta-voz de Downing Street declarou que May estava "profundamente entristecida com a trágica perda de vidas na torre Grenfell". Vários sobreviventes criticaram a recomendação de permanecer em seus apartamentos.
"Se tivéssemos seguido este conselho estaríamos mortos", afirmou Nicky Paramesivan à BBC.

(Informações AFP)

 

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