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Europa

Apenas 10% dos refugiados que chegaram à Grécia e à Itália foram distribuídos na UE

media Imigrante em acampamento de refugiados na região de Atenas. LOUISA GOULIAMAKI / AFP

Cerca de 16.300 solicitantes de asilo que desembarcaram na Grécia e na Itália desde o final de 2015 foram distribuídos nos demais países da União Europeia (EU). O número representa apenas 10% do plano que previa a “realocação” dos refugiados entre os membros do bloco.

O plano europeu adotado em setembro de 2015, que estabelecia a meta de 160 mil pessoas realocadas em um período de dois anos, foi aplicado lentamente pelos países da UE. “Já está na hora dos Estados-membros cumprirem seus compromissos e intensificarem seus esforços. Eles têm o dever político, moral e jurídico de fazer isso", declarou o comissário europeu para as Migrações, Dimitris Avramopoulos, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas nesta quarta-feira (12)

Segundo os dados publicados pela Comissão, das 16.340 "realocações" realizadas no total, 5.001 foram feitas a partir da Itália e 11.339 a partir da Grécia.

Migrantes acampados fora da UE também podem ser redistribuídos

Os países da UE também haviam se comprometido a acolher cerca de 22 mil migrantes que estavam acampados em países como Turquia, Jordânia e Líbano. Segundo a Comissão Europeia, 21 membros do bloco receberam, até agora, 15.492 vindos desses países da outra margem do Mediterrâneo.

Quando o programa de distribuição dos migrantes foi lançado, os membros da UE prometeram receber um número de refugiados estabelecido de maneira proporcional entre os países do bloco. Porém, algumas nações, como Hungria e Eslováquia negaram o princípio e chegaram a contestar o plano na justiça.

Quase dois anos mais tarde, a Comissão lamenta que a Bulgária, a Croácia e a Eslováquia tenham respeitado de forma "muito limitada" as obrigações de acolhida, estabelecidas em cotas por países. Já Hungria e a Polônia "continuam simplesmente rejeitando participar do programa", ressaltou Bruxelas.

Sírios e eritreus são prioritários

Estas "realocações" não são acessíveis a todos os solicitantes de asilo localizados na Grécia e na Itália. O benefício é concedido apenas àqueles que são reconhecidos oficialmente como refugiados, como os sírios e eritreus, o que exclui parte dos milhares de migrantes de desembarcam diariamente nas costas grega e italiana.

Bloqueados por não pertencerem aos grupos que beneficiariam do dispositivo ou cansados de esperar um processo administrativo muitas vezes lento, milhares de solicitantes de asilo deixaram a Itália e a Grécia por conta própria e migraram para o norte da Europa.

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