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Europa

Negociação do Brexit desafia espírito de união dos europeus

media Em frente ao Parlamento britânico, jornalista exibe uma cópia do Artigo 50 do Tratado de Roma, que aciona a saída do Reino Unido da União Europeia. ©REUTERS/Toby Melville

Esta quarta-feira (29) é um dia histórico na Europa devido ao início oficial da saída do Reino Unido do bloco. O Brexit ainda é um processo de consequências ainda imprevisíveis. Os jornais franceses dedicam várias páginas ao assunto. "Serão dois anos de árduas negociações", adverte o diário econômico Les Echos, que tenta esclarecer oito questões essenciais a serem definidas.

Les Echos lembra que o governo britânico já revelou seu interesse em negociar 12 pontos, como a situação dos imigrantes, o controle das fronteiras, o futuro das relações comerciais ou a cooperação na área da defesa. Mas será preciso esperar até maio para conhecer com exatidão as diretrizes dessa negociação.

Segundo Les Echos, da mesma forma que a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que pretende concluir o processo todo em outubro do ano que vem, ela também reconhece que as discussões podem fracassar. Nesse caso, destaca o jornal, o Reino Unido vai preferir prolongar as negociações do que assinar um mau acordo para o país. Essa possibilidade adia um resultado concreto para 2019.

Futuro dos imigrantes europeus

A condição dos mais de 3 milhões de europeus que vivem no Reino Unido e de 1 milhão de britânicos espalhados nos 27 países do bloco também poderá gerar atrito. Setores econômicos de peso, como o das montadoras de veículos, de bancos e seguradoras, aviação civil e militar enfrentam o início do Brexit sem saber como serão firmados os novos acordos e licenças comerciais.

Outro ponto que promete gerar tensão é a conta que o Reino Unido deverá quitar para deixar definitivamente o bloco. O país se comprometeu a pagar sua parte no orçamento europeu já aprovado até 2020. Técnicos do gabinete de Theresa May acreditam que podem conseguir um acerto pagando € 3 bilhões e não de € 40 a 60 bilhões, de acordo com cálculos que circularam na imprensa britânica. A Comissão Europeia nunca desmentiu esses montantes, porque todas as pendências se tornam moeda de troca nas negociações.

O jornal Le Figaro, de tendência conservadora, diz que os 27 estão diante de uma prova de fogo. Polônia e Hungria, dois países eurocéticos e acostumados a votar com os britânicos nas disputas internas, não estão contentes com a defecção do parceiro influente. A Irlanda também teme as consequências para sua economia devido à proximidade com o vizinho. Para Le Figaro, a estratégia escolhida pelo negociador europeu, o francês Michel Barnier, de iniciar a negociação pelos dossiês mais explosivos corre o risco de exarcebar as divergências. No final, muita coisa vai depender da forma como Paris e Berlim irão conduzir a dança, conclui o jornal.

Enfraquecimento cultural e político

O católico La Croix diz que já é possível prever um enfraquecimento político e cultural do Reino Unido. "Fatores de desunião estão em ação. A Escócia quer um novo referendo de independência. Os britânicos que vivem no bloco europeu já pensam em mudar de nacionalidade. Muitos se perguntam se o Reino Unido não irá se tornar um grande estado americano offshore", observa o diário.

Em entrevista ao Aujourd'hui en France, o ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, que teve papel determinante na criação da União Europeia, afirma que a saída de um dos quatro maiores participantes enfraquece "um pouco" o bloco aos olhos do mundo. Porém, na prática, quem tem mais a perder são os britânicos, destaca o ex-presidente francês, "porque as exportações britânicas para o mercado comum representam 50%, contra 6% da Europa para o Reino Unido".

O jornal de esquerda Libération afirma em seu editorial que desde a adesão ao bloco, o Reino Unido bloqueou progressos na União Europeia na direção do federalismo. Segundo o jornal de esquerda, "os britânicos sempre quiseram ter um mercado aberto na porta de casa, mas um bloco sem força política". O Libération relativiza as consequências do Brexit, dizendo que "a Grã-Bretanha não vai naufragar no oceano". "Talvez o país perca sua força financeira e cresça menos, mas isso também só ficará claro daqui a dois anos", declara.

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