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Brasileira é dona de restaurante com estrela do Michelin na Dinamarca

Brasileira é dona de restaurante com estrela do Michelin na Dinamarca
 
A chef baiana, Edelvita Santos. Margareth Marmori

Uma brasileira está por trás de uma história de sucesso no mundo da gastronomia da Dinamarca. A baiana Edelvita Santos é sócia do restaurante Era Ora, um dos mais renomados de Copenhague, a capital do país.

Margareth Marmori, correspondente da RFI Brasil, em Copenhague

 No mês passado, o restaurante recebeu pela vigésima primeira vez uma cobiçada estrela do guia gastronômico Michelin, que é uma das referências mais importantes da culinária mundial. O Era Ora se tornou o restaurante dinamarquês que conseguiu se manter mais tempo no Guia Michelin.

À frente do restaurante de cozinha italiana, Edelvita convive com celebridades e membros da família real dinamarquesa. Mas, 33 anos atrás, quando deixou Palmas de Monte Alto, a pequena cidade do interior da Bahia onde nasceu, ela sonhava com outro tipo de glamour e com outro país. Os planos da jovem Edelvita, chamada de Daisy pelos amigos, mudaram quando ela conheceu seu sócio e marido, o italiano Elvio Milleri, com quem tem dois filhos.

“Eu saí do Brasil, mas realmente eu ia para a França. Depois coincidiu que eu conheci meu marido aqui na Dinamarca, o tempo foi passando e eu acabei ficando aqui. Sempre sonhei em trabalhar de modelo, não é? Como todo adolescente. Então eu vim. Falei, vou para a Dinamarca, está mais fácil, está mais perto da França. E na França eu só cheguei depois de 12 anos aqui. Nunca fui à França. Fiquei aqui, comecei a trabalhar de modelo, e foi quando conheci meu marido e comecei também a trabalhar no Era Ora", explica a brasileira.

Edelvita vive um bom momento também na vida pessoal. Há algumas semanas, ela e Elvio se tornaram avós pela primeira vez e se casaram oficialmente, depois de viverem juntos por mais de 30 anos. Com oito irmãos, ela é a filha mais velha de um casal de agricultores e conhecia muito pouco de culinária quando chegou à Dinamarca.

“Quando eu cheguei aqui e conheci meu esposo, de comida italiana, eu não sabia nada, nada. Sabia alguns nomes de algumas “pastas” [massas], sei lá. Com ele eu aprendi a conhecer a comida italiana e nesse aprender acabei ensinando o dinamarquês também, né, porque ele cozinhava e eu servia, eu era a garçonete. Então foi tudo um conjunto de coisas em que a gente foi ajudando um ao outro. E a cozinha italiana aqui nessa época, especialmente o Era Ora, foi bem recebida, porque era bem original, e é até hoje”.

O restaurante de Edelvita e Elvio sempre teve o mesmo nome, mas, durante 22 anos, funcionou em instalações mais modestas do que as que ocupa atualmente. No começo, era o que se chama em italiano de “trattoria” e foi lá que eles receberam a estrela do Guia Michelin pela primeira vez.

“Aquilo foi uma surpresa, porque a gente nem sabia, para falar a verdade, de estrela Michelin. Nós não trabalhávamos para receber estrela ou para receber prêmio. A gente fazia porque gostava de comer bem e queria que o que a gente estava comendo servir para as pessoas e mostrar: essa é a comida italiana, é assim que se come, não é que se come um prato de espaguete com um filé do lado, não sei o quê e o ketchup do outro lado. Não, não. A cozinha italiana não tem isso”.

Prêmios

Além da estrela Michelin, o restaurante já recebeu diversos outros prêmios. Em janeiro passado, a revista especializada italiana Gambero Rosso, classificou o Era Ora como o melhor restaurante da Dinamarca e um dos 15 melhores do mundo.

Desde o início, o casal fez questão de servir conforme as tradições italianas, o que nem sempre foi bem aceito por alguns clientes dinamarqueses. “Às vezes muita gente vinha: “Ah, mas você não tem ketchup? ” “Não, aqui não tem ketchup!” A pasta tem o parmesão ou tem uma salsa de tomate, mas não tem o ketchup. Não, aqui ninguém serve ketchup. Foi muito difícil nos primeiros anos porque a gente não falava bem nem dinamarquês nem inglês. Mas devagarinho fomos. Recebemos vários prêmios, melhor restaurante do ano, três anos em seguida. Também não tinha tantos restaurantes dinamarqueses como hoje. Meu Deus! ”, exclama.

Quando Edelvita se mudou para a Dinamarca, ela chegou com três amigos brasileiros que acabaram voltando para o Brasil. A chegada ao país aconteceu no início do inverno e foi um choque para a baiana acostumada ao calor dos trópicos.  “Todo mundo era bem jovem, cada um tinha um sonho diferente. Sei lá, quando eu cheguei aqui, que eu vi, eu cheguei em novembro, que era tudo escuro, um frio, um vento, que eu olhei assim e falei: “Meu Deus! É o inferno!” Eu nunca tive tanto frio em toda a minha vida. Depois fui me acostumando. Aí fiquei aqui. Depois vi que negócio de moda é muito difícil. Era difícil a língua, o idioma, para mim. Inglês, eu não falava inglês, falava só português, entendia espanhol, mas precisava de inglês. Acabei ficando com ele no restaurante e depois fazia alguns trabalhos tipo, vídeo music, comerciais.... Quando precisavam de alguém exótico, me chamavam e eu estou lá”.

Sem discriminação

Edelvita afirma que nunca se sentiu discriminada na Dinamarca e é muita grata pela ajuda que recebeu para viver no país.  “Para falar a verdade, hoje estou muito feliz que o destino escolheu esse país para mim porque eu não encontraria melhor. A gente era muito simpática, amigável, queriam ajudar o máximo que podiam, entende? Para mim foi muito fácil. Encontrei gente muito boa gente que me ajudou no início. Me ajudaram a encontrar uma casa, um colégio. E uma semana depois que eu cheguei, comecei a estudar. Isso para o dinamarquês também é muito importante, ver o interesse que eu tinha de me integrar. Eu, por exemplo, conheci uma família que me ajudou a fazer o booking para eu me apresentar e me deu o endereço do Scandinavian Models, onde eu fui apresentar meu booking, aceitaram e logo depois de uma semana me chamaram”.

Apesar do apoio que recebeu, Edelvita conta que os primeiros anos na Dinamarca foram de muito trabalho duro. Nos últimos, o casal se desfez de alguns outros negócios para se concentrar mais no restaurante e em eventos gastronômicos. Além disso, o casal manteve a padaria Il Fornaio, a primeira da Dinamarca a produzir pão orgânico e que vende cerca de dez toneladas de pão por dia.

Por causa do trabalho quase incessante, Edelvita ficou seis anos sem tempo de ir ao Brasil e dois anos sem poder tirar férias. Agora que os filhos estão adultos e depois da morte de seu pai, ela tem ido com mais frequência ao Brasil para fazer companhia à mãe, que ainda vive em Palmas de Monte Alto. Com mais tempo, ela também tem se dado o direito de refletir sobre a vida que, segundo ela, o destino lhe deu.

“Outro dia, foi outro dia que uma amiga minha dinamarquesa falou assim: Daisy, você já pensou como é a tua vida hoje, você já parou para pensar? Eu falei, para falar a verdade, não, porque, sei lá, nossa vida é tão intensa, acontecem coisas todo dia. A gente trabalha tanto porque, quem tem restaurante, trabalha. Até um ano atrás nós tínhamos três restaurantes e uma padaria industrial que é aqui em Amager (bairro de Copenhague) imensa, que essa também dá um trabalho. E um negócio no centro. Então não dá nem tempo para a gente pensar assim, pô, aonde estamos? Mas, de repente, quando minha amiga falou para mim, eu comecei a pensar, não, realmente, é incrível. Foi muito sacrifício, trabalhamos muito, mas hoje a gente está vendo o resultado. É fantástico. É fantástico também sair assim na rua e ser reconhecida, falarem “uau, você é do restaurante Era Ora, ah, legal, fui lá, muito bom, parabéns”. É bom, é melhor do que dinheiro”, finaliza.


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