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Europa

Apesar de derrota de Wilders, Europa não está livre do populismo

media Apesar de ter sido derrotado, o partido de Geert Wilders ganhou voz e força no Parlamento europeu REUTERS/Yves Herman

As eleições legislativas na Holanda foram acompanhadas de perto pelos vizinhos europeus, que viam no pleito uma espécie de termômetro da recrudescência da extrema-direita no bloco. Mas para vários cientistas políticos, o resultado das urnas holandesas ainda não pode ser visto como uma derrota do populismo na região.

Um dia após a derrota de Geert Wilders, do Partido para a Liberdade (PVV), nas eleições legislativas holandesas, vários especialistas se questionam sobre o impacto real do resultado no resto da Europa. O pleito vinha sendo apresentado como um teste, já que as eleições da Holanda eram vistas como o prelúdio de uma onda nacionalista que seria concluída com outros pleitos importantes na Europa ainda este ano, na França, Alemanha e Itália.

Porém, ainda é cedo para considerar a vitória do VVD (Partido Popular da Liberdade e Democracia), do primeiro-ministro Mark Rutte, como um “alívio para e Europa”, como chegou a ser anunciado na reta final da campanha. “O premiê holandês ganhou a partir de temáticas que também eram exploradas por seu adversário populista”, ressalta Leonardo Morlino, cientista político da Universidade Livre Internacional de Estudos Sociais de Roma (Luiss).

"Alívio" para o resto do bloco?

Além disso, segundo Marc-Olivier Padis, diretor de estudos da fundação Terra Nova, “o cenário político holandês ainda está muito fragmentado” para que a derrota de Geert Wilders seja usada como um exemplo representativo do resto da Europa. “Na Itália, o partido Cinco Estrelas ainda pode progredir e na França a configuração eleitoral das presidenciais continua muito incerta. Então é muito difícil se basear no voto holandês para dizer que há um alívio para o resto do bloco”, completa Padis.

Além disso, como ressalta Stéphane Rozès, presidente do escritório de consultoria e análise perspectiva Cap, o resultado das eleições legislativas holandesas também podem enfraquecer a resistência contra os partidos extremistas. “O risco dessa ‘boa notícia’ da Holanda é que os governo europeus deixem de atacar as raízes do recrudescimento do populismo”.

Porém, os especialistas concordam que mesmo se o populismo ganha força na Europa, as legendas que os representam ainda não conseguem chegar ao poder. Afinal, além de Wilders, Nobert Hofer foi derrotado às portas da presidencial na Áustria. “O que bloqueia é a falta de credibilidade desses grupos como partidos de governo”, do ponto de vista político e econômico, diz Padis. “Será que eles são capazes de exercer o poder?”, se questiona o analista, lembrando que, por enquanto, os únicos contraexemplos são o caso da Hungria e da Polônia, onde os populistas venceram as eleições.

Conheça os principais partidos de extrema-direita atuantes na União Europeia

Holanda : O Partido para a Liberdade (PVV) anti-Islã de Geert Wilders se tornou na quarta-feira (15) a segunda força política no Parlamento europeu, atrás dos Liberais, com 20 assentos num total de 150 (resultados provisórios), cinco eleitos a mais que nas últimas eleições, realizadas em 2012.

França : A Frente Nacional (FN), que tem dois representantes na Assembleia Nacional e dois no Senado, venceu o primeiro turno das eleições regionais de dezembro de 2015 (27,7% dos votos), mas não conseguiu conquistar nenhuma região no segundo turno. Fundado em 1972 por Jean-Marie Le Pen e dirigido desde 2011 por sua filha Marine, candidata à presidência de 23 de abril e 7 de maio, o partido é apontado como presença certa no segundo turno do pleito em todas as pesquisas. Marine Le Pen faz campanha pela saída do euro e pela restauração das fronteiras nacionais.

Hungria : O Jobbik (Movimento por uma Hungria melhor) presidido por Gabor Vona, é a segunda força no Parlamento, com 24 deputados. Frente à linha dura anti-imigração e autoritária do primeiro-ministro Viktor Orban, o Jobbik deixou para trás os slogans violentamente racistas e antissemitas empregados no início, para ganhar maior aderência.

Áustria : O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) foi fundado em 1956 por ex-nazistas e é atravessado por correntes pangermanistas e liberais. Qualificado para o segundo turno da eleição presidencial de dezembro de 2016, seu candidato Norbert Hofer fracassou em se tornar o primeiro presidente de extrema-direita de um Estado europeu. O FPÖ conta com 38 deputados no Parlamento nacional.

Alemanha : A Alternativa para a Alemanha (AfD), formação populista anti-imigrantes criada em 2013, flerta com a extrema-direita e ambiciona, por ocasião das legislativas de 24 de setembro, tornar-se o primeiro partido da direita dura a entrar no Bundestag desde 1945.

Itália : A Liga do Norte, antigo movimento separatista, foi transformado sob a liderança de Mattero Salvini, que tomou as rédeas no início de 2014, em um partido anti-euro e anti-imigrantes. No início de dezembro de 2016, fez campanha com sucesso em favor do "não" no referendo sobre a revisão constitucional, que resultou na queda do governo de Matteo Renzi. A Liga do Norte conqusitou 18 cadeiras na Câmara dos Deputados nas eleições legislativas de 2013.

Bélgica : O Vlaams Belang (VB, Interesse flamengo) prega a independência dos Flandres, província de língua flamenga da Bélgica. Ocupa desde junho de 2014 três dos 150 assentos na Câmara de Representantes, em queda, após perder adeptos para o partido nacionalista Nova Aliança Flamenga (N-VA).

Grécia : Aurora Dourada (AD), o partido neonazista e xenófobo de Nikos Michaloliakos, teve sucesso nas eleições parlamentares de setembro de 2015, com a reeleição de 18 deputados. Mas no início de março, o partido, cujos 13 membros são julgados há quase dois anos por formação de "grupo criminoso", perdeu seu lugar de terceira força no Parlamento a favor do PASOK (socialista), após a deserção de um deputado.

Suécia : Os Democratas da Suécia (SD) conseguiu um avanço histórico em setembro de 2014, tornando-se a terceira força do país, com 13% dos votos. Eles contam com 48 de 349 assentos no Parlamento após a exclusão no início de fevereiro de um deputado por antissemitismo. Criado em 1998 e presidido por Jimmie Åkesson, este partido nacionalista e anti-imigração se distanciou de grupos racistas e violentos, muito ativos na década de 1990.

Eslováquia : Nossa Eslováquia (LSNS), partido neonazista de Marian Kotleba, criado em 2012, aproveitou-se do medo dos migrantes para entrar em março de 2016 no Parlamento, com 14 assentos de um total de 150.

Bulgária : A União Nacional Ataque (Ataka), dirigida por Volen Siderov, ataca as minorias nacionais, em especial os ciganos. Em 2014 conquistou 11 assentos no Parlamento, em claro recuo em relação à eleição interior.

Reino Unido : O Partido para a Independência do Reino Unido (Ukip), sem ser classificado de extrema-direita, é declaradamente anti-imigrante e eurófobo. Ele elegeu no final de novembro de 2016 um novo chefe, Paul Nuttall, sucedendo Nigel Farage, um ator importante no Brexit. O Ukip se tornou em 2015 a terceira força política do país, com quase 13% dos votos, mas dispõe apenas de um deputado do Parlamento.

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