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Europa

Vilarejo holandês hesita entre direita e extrema-direita

media O porto de Volendam, ao norte de Amsterdã. Patricia Moribe

Os turistas, muitos deles chineses, chegam em massa a Volendam e invadem as lojinhas de lembranças, compram queijos e tamancos. O charme deste vilarejo a apenas 20km ao norte de Amsterdã é o antigo porto, com casinhas de madeira restauradas em frente ao mar, dando a ideia de volta ao tempo.

Da enviada especial à Holanda

Fábrica de tamancos em Marken, perto de Amsterdã. Patricia Moribe

No entanto, nestas últimas eleições, Volendam também ficou conhecida como um reduto de eleitores do populista Geert Wilders. A mensagem nacionalista de “A Holanda de volta para nós” parece ter sido bem acolhida por muitos habitantes do antigo vilarejo de pesca, cujo porto, por causa de aterros e avanço territorial em direção ao mar, se tornou obsoleto. Mas acabou sendo devidamente apropriado pelo turismo.

Além de visitantes perambulando pelo calçadão, equipes de filmagem fazem programas sobre as atrações locais. Os habitantes trabalham no comércio, colocam trajes típicos e sorriem para os turistas.

Turistas em Volendam. Patricia Moribe

Henk e Martha, aposentados, estão sentados num banco, na beira da água. São da província de Frísia (Friesland), no extremo norte da Holanda. Vieram passar alguns dias, aproveitando um presente da filha. Vão votar à noite, na volta para casa, ambos no conservador VVD do primeiro-ministro Mark Rutte.

Não gostam de Geert Wilders, pois acham que sair da União Europeia não é uma boa ideia. No entanto, o discurso tem semelhanças. “Não sou contra estrangeiros, mas os ladrões, os assassinos aqui são de fora”, diz Henk. Martha assente com a cabeça. “Fizeram uma pesquisa, 80% da população carcerária têm olhos castanhos”, afirma o marido, olhando para meus olhos castanhos através de seus óculos de sol. Numa loja de doces típicos, vazia, me identifico à jovem balconista como jornalista e pergunto se ela vai votar. “Não vou falar”, responde. “Direita ou esquerda?”, arrisco. “Direita”, concede. “Wilders?”, aproveito. “Pode ser”, responde.

"Holandeses bons e ruins"

Turistas tiram fotos em Volendam. Patricia Moribe

Tom, 24 anos, trabalha no serviço de passeio turístico de barco que liga Volendam a um vilarejo menor ainda, Marken. Ele revela seu voto sem hesitar: “Rutte”. E explica: “Ele fez coisas boas até agora. Meus amigos hesitam entre o VVD (do primeiro-ministro) ou o CDA (cristão-democrata). Mas nenhum vota em Wilders. Assim como há estrangeiros bons e ruins, há holandeses bons e ruins, não dá para generalizar”.

Na marina, alcanço um homem que passeia com o cachorro e digo que sou jornalista. “Já sei, vai me perguntar por que todos aqui votam em Wilders”, retruca. “Não só isso, mas quero saber sobre a situação local”, temporizo.

Eleitor de Geert Wilders em Volendam, norte de Amsterdã Patricia Moribe

Então Evert, 63 anos, explica sua escolha: “Wilders já tem 20 anos de experiência política. Ele pode ser agressivo, mas não volta atrás. Não é perfeito, mas as pessoas precisam acordar. Os moradores de Volendam trabalham muito, sempre. Não é justo acolher estrangeiros que ganham tudo fácil e não querem trabalhar porque se dizem ‘traumatizados’, que acham que têm direito aos benefícios, isso não é certo”.

Marken, vilarejo de 2 mil habitantes ao norte de Amsterdã. Patricia Moribe

Em Marken, com cerca de dois mil habitantes, Ida e sua filha Esmée, de 20 anos, passeiam por um caminho ao longo do canal. Vão votar logo mais, em família, com o marido e a outra filha. Ida diz que vai votar no partido da situação, o VVD, para que este continue grande, com chances de formar o gabinete. Para a jovem Esmée, “é um desperdício votar em Wilders, que não vai ser premiê mesmo, pois suas ideias não valem nada”.

As urnas vão dizer se Volendam é PVV ou VVD. Mas, aparentemente, a direita vai prevalecer.

Loja em Voldendam tira fotos de turístas com roupas típicas. Patricia Moribe

 

 

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