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Europa

Eleição cria duelo entre “Holanda autêntica” e caldeirão de culturas

media Mulher com véu pedala em frente a moinho e painel eleitoral em Amsterdã. Reuters

Uma caminhada por algumas partes de Amsterdã - ou por toda Roterdã - pode dar uma ideia do significado do termo “multiculturalismo”. São pessoas de origens, cores de pele e línguas diferentes vivendo em um mesmo espaço. Um conceito que vem à tona em tempos de eleição como a atual, em que a crise de migrantes e o islamismo são questões frequentes.

Enviada especial à Holanda

No único debate face-a-face entre os dois candidatos – Mark Rutte e Geert Wilders – com maior projeção de votos na eleição para o parlamento holandês, o tema da identidade nacional foi uma das questões-chave no tenso encontro. Enquanto o populista Wilders defende o fechamento das portas para os muçulmanos, Rutte enfatiza que se respeite o modo de ser holandês. “Quem não quiser, pode ir embora”, disse o premiê.

Calcado no “Make America great again” (“tornar a América grande novamente"), de Donald Trump, Wilders lançou o slogan “Nederland weer voor ons” (“A Holanda novamente nossa”). Para Cees Koonings, professor de antropologia na Universidade de Utrecht, os candidatos se aproveitam de “uma política do medo, para alcançar segmentos da população que não se acham beneficiadas e que têm medo de perder empregos e bem-estar social por causa do imigrante”. O especialista acrescenta que os candidatos falam de uma “Holanda autêntica, com base em propostas fictícias, mas que mobilizam os que não se sentem incluídos”.

Todas as cores, todos os gostos

Amsterdã, Holanda. Patricia Moribe

Em Amsterdã, um local que exemplifica o caldeirão de culturas da capital é a feira da rua Albert Cuyperstraat, no bairro De Pijp, que funciona de segunda a sábado, até as 17h. São 260 stands ou barracas, que vendem de frutas e legumes a roupas, comida, lembranças e artigos para a casa.

Questionados sobre preferências políticas para o dia seguinte, muitos comerciantes se recusam a falar. “O voto é só meu”, diz Abena, que veio de Gana há 14 anos. Há dois anos ela vende roupas femininas populares. Antes disso, era faxineira. “É importante votar, é preciso mudar”, diz, sem querer se estender.

Já o holandês Ed, 50 anos, vende óculos de sol desde 1994. Os negócios vão mal desde a introdução do euro, e pioraram com a Internet. Ele diz que ainda não decidiu se vai votar para o VVD, do premiê Rutte, ou para os cristãos-democratas (CDA). “Mas não para Wilders, isso seria demais”, emenda.

O sírio Abdulah no mercado da rua Albert Cuyp, em Amsterdã. Patricia Moribe

Abdulah, 25 anos, é sírio. Chegou há quatro anos, antes dos conflitos recentes que vêm provocando uma diáspora de seus compatriotas pelo mundo. Não pode votar, pois ainda está regularizando a sua situação. Se pudesse, seria para o GroenLinks (Esquerda Verde), dos ecologistas. “São jovens, têm boas ideias”, diz. Apesar de vir de uma família muçulmana, é ateu. “Tenho sorte de estar aqui, é um povo aberto, nunca sofri discriminação”, relata.

A holandesa Katja, 26 anos, trabalha há dois anos em uma loja de condimentos. Hesita em falar sobre política. Diz que vai votar, “mas não em partidos de esquerda, como os socialistas ou ecologistas”. Questionada se poderia ser em alguém como Geert Wilders, ela titubeia: “ele tem alguns bons propósitos”.

Denk é criticado por eleitores-alvo

Delfshaven, Roterdã. Patricia Moribe

Em Roterdã, a diversidade é mais presente em toda a cidade. Fomos até Delfshaven, um bairro colado ao centro que tem o charme de ser a única área que não foi bombardeada na Segunda Guerra Mundial. Conhecida como “pequena Amsterdã”, tem até um antigo moinho para completar a paisagem. Dali saiu uma leva de colonizadores para os Estados Unidos. Hoje, a área abriga muitos estrangeiros.

No pequeno museu de Delfshaven, quem está na recepção é a sorridente Soumaya, de 20 anos. Muçulmana, de véu, ela diz que não sabe ainda para quem vai votar. Mas não vai ser para o partido Denk, fundado por imigrantes com a proposta de defender os interesses dos estrangeiros. “Sou de origem marroquina, conversei com um representante, mas ele não me convenceu”.

O holandês Ian, de 22, colega de Soumaya, vai votar nos socialistas. Acha que os integrantes do Denk “se fazem de vítimas fácil demais, são os coitadinhos”. Para ele, as propostas do grupo são “irreais”.

A brasileira-holandesa Natacha, de 37 anos, vive há 20 anos em Roterdã. O seu voto vai ser do GroenLinks (Esquerda Verde). “Quase ia votar no Partido dos Animais, mas o nome da sigla confunde, não é bom. Eles têm praticamente o mesmo programa que os ecologistas, a diferença está na União Europeia. O GroenLinks é a favor da UE e eu também, por isso meu voto é deles”.

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