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Reta final do Brexit: fraturas políticas dentro e fora do Reino Unido

Reta final do Brexit: fraturas políticas dentro e fora do Reino Unido
 
Em sua última cúpula europeia em Bruxelas, antes do prazo do fim do mês fixado para notificar oficialmente o Brexit, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que o Reino Unido deixará de pagar "grandes somas" de dinheiro ao orçamento da UE. REUTERS/Dylan Martinez

O Reino Unido entra na reta final do processo para formalizar sua saída da União Europeia. Nesta segunda-feira (13), o Parlamento se reúne para debater e aprovar a lei que autoriza a primeira-ministra, Theresa May, a invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, o que torna oficial o pedido de saída dos britânicos do bloco europeu. May poderia invocar o Artigo 50 já nesta terça-feira (14), dependendo do resultado da votação de hoje.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

A Câmara dos Lordes fez emendas ao projeto de lei original, fazendo exigências que vão contra a vontade da primeira-ministra, Theresa May, e de seu gabinete. Agora o texto volta para a Câmara dos Comuns para o voto final. Muitos analistas políticos e membros do governo acreditam que os parlamentares devem, sim, descartar as emendas propostas pelos lordes e voltar ao texto original proposto pela primeira-ministra, Theresa May.

Inicialmente, a lei foi aprovada sem alterações pela Câmara dos Comuns. Mas quando chegou à Câmara dos Lordes, o texto foi rejeitado. Os Lordes fizeram duas importantes emendas: uma exige garantias para os direitos dos cidadãos europeus que já estão estabelecidos no Reino Unido; a outra demanda que o Parlamento tenha o direito de debater e votar o acordo final que o governo britânico firmar com a União Europeia, daqui a dois anos.

Theresa May não queria nenhuma dessas emendas e o voto dos Lordes foi visto como uma derrota para ela. Mas, diante do fato de que o partido de May, o Conservador, tem a maioria da Câmara dos Comuns, os analistas acreditam que os parlamentares devem anular essas emendas e voltar ao texto original, o que significa que não haveria mais essas garantias.

Os opositores, principalmente os trabalhistas, estão divididos. Muitos acreditam que têm que se manter leais a seus eleitores. Ou seja, se eles representam uma região que votou pela saída da União Europeia, mesmo que eles próprios fossem favoráveis à permanência, eles não devem se opor às propostas do governo. Já aqueles parlamentares que claramente defenderam a permanência do Reino Unido no bloco e que representam regiões do país que votaram por isso podem acabar tentando manter as emendas propostas pelos lordes, porque elas dão menos poder ao governo de Theresa May.

Brexit divide opiniões

Entre esses parlamentares estão muitos trabalhistas, alguns conservadores e praticamente todo o Partido Nacional Escocês, que se tornou uma das principais vozes da oposição no Parlamento nestes últimos anos. O governo, no entanto, está tentando de tudo para que os parlamentares voltem ao texto original do projeto de lei. Se isso acontecer e se não houver mais atrasos na votação desta segunda-feira, Theresa May poderia invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa já nesta terça-feira. De qualquer forma, ela já havia anunciado que iria fazer isso até o fim deste mês.

David Davis  fez um alerta e disse que os britânicos devem se preparar a possibilidade real de que o Reino Unido saia da União Europeia sem conseguir chegar a um acordo que agrade ambas as partes, daqui a dois anos. O ministro das relações exteriores, Boris Johson, afirmou que não vê problemas em o Reino Unido sair da União Europeia sem acordo nenhum com o bloco.

Mas uma pesquisa realizada pela organização Open Britain, que trabalha pela permanência dos laços entre os britânicos e o bloco europeu depois do Brexit, revelou que nenhum dos membros do chamado G20, do qual o Brasil faz parte, negociam hoje com a União Europeia sem algum tipo de acordo. Isso quer dizer que ficar sem um acordo deixaria os britânicos na pior posição para comercializar com o bloco europeu entre todas as nações mais ricas do mundo. Mas por enquanto, do lado europeu da mesa, ainda há um certo otimismo no ar em relação ao futuro do Reino Unido.


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