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Europa

Fenômeno midiático mundial, quem é Geert Wilders?

media O deputado Geert Wilders xenófobo e anti-islâmico pode ser o próximo premiê da Holanda. REUTERS/Wolfgang Rattay/File Photo

Ele tomou de assalto a mídia internacional, com discursos retóricos concentrados em ataques contra muçulmanos e apelos pela saída da Holanda da União Europeia. Durante meses, ele dominou as pesquisas de opinião à frente de seu Partido Para a Liberdade (PVV), com um programa de apenas uma página e apenas um integrante: ele mesmo.

Da enviada especial a Amsterdã

Geert Wilders, 53 anos, foi eleito para o parlamento há 19 anos, pelo conservador VVD, que hoje é seu principal rival, na pele do primeiro-ministro Mark Rutte, de 50 anos. Afastando-se da ideologia do partido, tornou-se independente e criou o PVV em 2006.

Admirador de Donald Trump, com quem compartilha o gosto pela controvérsia e por tuítes, o holandês também desfila uma bizarra cabeleira, oxigenada no caso. Mas, como lembra o site Politico.eu, baseado em Bruxelas, “enquanto Trump prima pela falta de foco, Wilders parece obcecado com uma missão: acabar com o Islã na Holanda”.

O candidato do PVV vem do sul da Holanda, predominantemente católica. Ele cresceu em Venlo, uma das regiões mais pobres do país, na fronteira com a Alemanha. Frequentemente ele exalta as belezas e a cultura da região, Limburgo, onde o pai também nasceu. Ele não cita, no entanto, a herança étnica e cultural da parte da mãe, que é originária da Indonésia, ex-colônia holandesa, país que tem hoje a maior população muçulmana do mundo. Dizem que o fato de Wilders oxigenar o cabelo seria justamente para esconder esse lado étnico.

Uma temporada em Israel na transição de pós-adolescencia para jovem adulto parece ter lhe dado o gosto pela política e admiração pelo Estado hebreu. Wilders apoia a expansão israelense e vê o país como "última linha de defesa contra o Islã conquistador", como escreve o jornal francês Le Monde.
 

A socióloga holandesa Anneke Jansen fala sobre o contexto que favoreceu sua popularidade:

“Nos anos 80, com o avanço do liberalismo, houve um movimento de “desideologização” dos partidos aqui na Holanda e a social-democracia perdeu o seu caráter de luta social. E os governos, a partir dos anos 90, eram governos mais tecnocratas, sem visão política e sem perspectiva para ligar o povo com certas ideias políticas. Com isso, uma boa parte da população se sentiu abandonada, sobretudo as pessoas que tiveram pouco ensino, não conseguiam mais ver em que sentido esse governo servia. Então surgiu, no início deste século, um outro político de direita, Pim Fortuyn, que foi assassinado.”

Pim Fortuyn foi morto em 2002, aos 54 anos, por um extremista de esquerda holandês, a nove dias das eleições para as quais ele era dado como grande vencedor. Ele já criticava os fluxos migratórios e a religião muçulmana. Anneke Jansen explica que, com a morte de Fortuyn, esse eleitorado “abandonado” ficou novamente sem rumo:

“Os partidos tradicionais não tinham elementos, líderes que pudessem preencher esse papel. Então surgiu Wilders, com um discurso ultra direitista, batendo sempre na mesma tecla: ‘o grande problema aqui são os imigrantes, o que piora as perspectivas dos nossos filhos é a presença dos muçulmanos, do islã, vamos fechar as mesquitas’. Foi um discurso de pavor. A esquerda teve um vácuo, a social democracia não sabia como lidar com isso.”

Em 2004 o cineasta Théo van Gogh foi assassinado a facadas por um holandês-marroquino. Meses antes, van Gogh havia dirigido um curta documentário sobre a submissão de mulheres muçulmanas. Desde então, Wilders vive sob proteção 24h por dia, em residências de proteção máxima, e só se desloca em carros blindados.

A holandesa Nathalie Mierop, coordenadora de projetos internacionais do Instituto de Cinema Holandês (EYE) reclama do excesso de exposição de Wilders na mídia:

“A imprensa relata tudo o que ele fez, todo dia os jornais e revistas trazem algo sobre ele. Isso é cansativo e  me preocupa. Acho que a mídia e a população deveriam dar menos atenção a Wilders. A imprensa é responsável por essa ‘nova normalidade’, algo que há 50 anos seria aberrante”.

As eleições na Holanda acontecem nesta quarta-feira (15). São 28 partidos e mais de mil candidatos que disputam as 150 cadeiras do parlamento. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os governos holandeses são compostos por coalizões.

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