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Europa

Brasileira afiliada a partido de Wilders rejeita comparações a Hitler

media "As palavras de Wilders são deturpadas", diz brasileira Adriana Fonseca que apoia candidato populista na Holanda. Arquivo Pessoal

A carioca Adriana Fonseca vive há 24 anos na Holanda e trabalha como chefe de um departamento de recursos humanos de uma empresa de transportes. Ela mora em Assen, na província de Drenthe, no norte do país. Ela não é só eleitora assumida de Geert Wilders, como colabora financeiramente com o Partido para a Liberdade (PVV), com € 100 (cerca de R$ 330) mensais nesta época de campanha. E rejeita comparações do candidato holandês a Adolf Hitler.

“No Brasil tem se falado que o PVV e Wilders são de extrema direita, mas existe uma diferença muito grande entre direita e extrema direita, entre ser xenófobo e querer matar todos de uma raça ou querer simplesmente manter sua cultura.", diz Adriana Fonseca. "Deixe cada povo com a sua cultura em seu lugar, é a mensagem do Wilders. E se for na Holanda, que as pessoas respeitem a cultura local. Não tem nada a ver com Hitler, com extrema direita. Wilders não quer aniquilar os muçulmanos, mas que as pessoas entrem respeitando a cultura holandesa. Isso é muito importante.”, acrescenta.

A seguir, ela responde a outras perguntas da RFI Brasil:

Por que o PVV?

Durante muito eu votava no VVD (partido do atual premiê Mark Rutte, conservador), mas nos últimos quatro anos tem tanta coisa saindo errada na Holanda, que eu passei a ser do PVV. Primeiro como simpatizante e agora sou afiliada, inclusive com mensalidade financeira.

O que acha de Geert Wilders como um potencial líder?

Para entendê-lo, é preciso entender o sistema holandês. O parlamentarismo aqui se faz com ajuda de outros partidos, ou seja você tem que sempre negociar, fazer uma média do que você quer e que os outros querem, senão você não consegue fazer nada. Na minha opinião, o Wilders está apresentando alguns pontos bem extremos, como a proibição do Corão, que inclusive já foi tirado do programa. Acho que ele está apresentando esses pontos extremos para poder depois fazer com que eles fiquem mais suaves na negociação com outros partidos para formar um governo. Ele aparece como uma pessoa bem radical, mas com esse radicalismo aparente ele quer apenas dizer que ele vai ter campo de negociação com outros partidos - quando e se ele for eleito. É uma pessoa muito carismática e está fazendo algo que ninguém mais está fazendo: ele está ouvindo o povo holandês e o povo holandês está pedindo mudanças. Ele é o único que esta traduzindo isso para a política.

Quem vai votar em Geert Wilders? Isso depende da região da Holanda ou do meio social?

A influência do PVV é nacional. Não tenha dúvidas, onde tem perto um centro de asilados, a população é PVV ou está se tornando PVV. Inclusive onde eu moro, no norte, a região é vermelha há décadas. Partidos comunistas, socialistas maoístas, eram poucos os partidos de direita. Aqui as pessoas estão mudando para o PVV, inclusive deu no jornal. E por quê? Por causa dos centros dos asilados. Teve o caso de uma menina de 12 anos puxada de seu cavalinho por cinco candidatos a asilo. A influência também varia nas camadas sociais. A mais baixa, a que recebe um auxílio chamado “bijstand” pela vida toda, essas pessoas votam em partidos socialistas, que não as estimulam a trabalhar, elas ficam em casa, várias gerações em casa. Agora as pessoas de classe média e alta, com educação e diplomas, elas votam na direita e no PVV, principalmente por causa da insatisfação com a União Europeia e a política dos asilados

A retórica contra o islamismo não vai contra a imagem de tolerante da Holanda?

Pelo fato de a Holanda ser tolerante, ela está importando a intolerância. O problema dos muçulmanos é que eles vêm para a Holanda, para a Suécia, e querem seguir suas próprias leis, que envolvem executivo, legislativo e judiciário em um só livro, o Corão. Chegando aqui, poderiam sim, seguir com a religião, a Holanda é um país bastante tolerante. Mas eles não aceitam as regras da Holanda e isso começa a criar conflitos no dia-a-dia, como a questão com a Turquia. Outro exemplo. A identificação pessoal é obrigatória na Holanda, você é obrigado a andar com um documento com fotografia. As pessoas que usam burca, como ficam, não precisam cumprir a lei? Essas perguntas começaram a irritar o povo holandês, mas até o Wilders diz que as pessoas que querem se integrar, que já estão aqui, elas podem ficar. As palavras dele são deturpadas. Ele não quer mandar todos embora, ele quer mandar os que cometeram crimes, e a lei atual não permite isso. Mesmo que sejam reincidentes dez vezes, eles ficam aqui às nossas custas. Se o Islã quiser vir para cá e aceitar que o seu vizinho seja católico e que a vizinha possa tomar sol de biquíni no jardim, não há problemas.

Por que você apoia a saída da Holanda da União Europeia?

A ideia da comunidade europeia era excelente, a de ser uma terceira potência, à frente da União soviética, depois Rússia, e dos EUA. Ideia perfeita, países unidos e juntos. O problema é que para crescer, eles passaram a acrescentar países muito diferentes dos países da Europa central, como França, Alemanha e Holanda. São a Eslováquia e Hungria. Até Espanha e Portugal são bem diferentes na questão financeira. Talvez isso traga algumas vantagens, mas as desvantagens são grandes, com empréstimos, veja o exemplo da Grécia. Para ser uma comunidade, é preciso igualdade. E como isso é possível entre Holanda e Hungria? É muito dinheiro mandado para o exterior que provavelmente nunca vai voltar. E isso vai desestabilizando também a economia interna, o povo holandês vem perdendo direitos a cada dia. Agora a aposentadoria foi para 67 anos e com certeza aumentar para 68. Vamos ter de trabalhar até os 70 anos, enquanto outros países se aposentam bem mais cedo. Essa insatisfação é crescente na Alemanha, Holanda, França e Grã-Bretanha. Provavelmente, seguindo o exemplo britânico, com apoio dos EUA, as coisas possam melhorar.

 

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