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Europa

Expulsão de ministra turca acirra tensão entre Holanda e Turquia

media A ministra turca da Família, Fatma Betül Sayan Kaya (centro), em coletiva de imprensa neste domingo (12) no aeroporto de Ataturk, em Istambul. REUTERS/Osman Orsal

A crise diplomática entre a Holanda e a Turquia ganham um novo capítulo. A Holanda proibiu no sábado (11) que a ministra turca da Família, Fatma Betul Sayan Kaya, entrasse no consulado da Turquia em Roterdã e a expulsou do país. Autoridades turcas prometeram responder ao que classificaram como "comportamento inaceitável".

De volta a Istambul, Kaya declarou à imprensa que criticou o tratamento que recebeu de autoridades na Holanda, que depois de a informarem sobre a decisão da expulsão, a transportaram até a fronteira com a Alemanha. Na cidade alemã de Colônia, a ministra pegou um avião de volta para a Turquia. "Tratar uma mulher ministra desta forma é lamentável", disse ao desembarcar no aeroporto de Ataturk.

Em comunicado, as autoridades holandesas classificaram a ida de Kaya à Roterdã, para ajudar na campanha em favor da reforma constitucional que pode aumentar os poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan, como "irresponsável". "Informamos repetidamente que a ministra não deveria vir à Holanda. (...) Mas ela insistiu em fazer a viagem", indicou o documento. 

Na manhã deste domingo, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, tentou acalmar a tensão, evocando a necessidade de "prudência". "Nunca passamos por uma situação como esta antes, mas se os turcos acirrarem ainda mais a tensão, vamos responder fazendo tudo o que pudermos para aliviar essa crise", disse.

Protestos na Holanda e na Turquia

Na noite de sábado, centenas de manifestantes de reuniram diante da embaixada da Turquia em Roterdã para reclamar da decisão de expulsão da ministra. A polícia holandesa foi enviada ao local e violentos confrontos foram registrados entre manifestantes e policiais.

Ao saberem da decisão da expulsão de Kaya, autoridades turcas fecharam o consulado da Holanda em Istambul e a embaixada holandesa em Ancara, também sob protestos de manifestantes.

As residências do embaixador holandês, que não está na Turquia neste momento, e do cônsul da Holanda na Turquia foram cercadas pelas forças de ordem turcas. O ministério turco das Relações Exteriores manifestou o desejo que o embaixador holandês não retorne a Ancara.

Cancelamento de comício pró-Erdogan

A tensão entre os dois países aumentou no sábado, quando o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, foi proibido pelas autoridades holandesas de ir ao país discursar em um evento em apoio ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan em Roterdã. O evento havia sido cancelado horas antes e Cavusoglu desafiou as autoridades, declarando que iria à cidade mesmo com a proibição e ameaçando a Holanda de sanções políticas. A Holanda respondeu que não autorizaria que seu avião pousasse no país.

Em comício neste sábado em Ancara, Erdogan classificou a atitude do governo holandês de "vestígios do nazismo". "São fascistas", declarou o presidente turco. "Vocês podem proibir o voo nosso ministro das Relações Exteriores de pousar, mas a partir de agora, veremos como os voos de vocês vão aterrissar na Turquia", ameaçou.

Ancara realizará em abril um referendo que pode aumentar os poderes de Erdogan e realiza uma campanha junto aos cidadãos turcos que moram na Europa. Além da Holanda, comícios pró-Erdogan também foram cancelados na Alemanha, na Suíça e na Áustria por medidas de segurança. A cidade de Metz, no leste da França, confirmou que abrigará neste domingo um evento do governo turco, que terá a participação de Mevlut Cavusoglu.

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