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Violência sexual em universidades britânicas ainda é tabu

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Violência sexual em universidades britânicas ainda é tabu
 
Alunas da universidade de Cambridge, no Reino Unido, já encontram no campus informações para se defender do assédio sexual. Universidade de Cambridge

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, uma investigação conduzida por jornalistas do Reino Unido chama a atenção para a incidência cada vez maior de casos de assédio sexual, desvios de conduta e violência de gênero nas universidades britânicas. Os relatos envolvem inclusive algumas das instituições mais respeitadas do mundo, como as Universidades de Oxford e Cambridge.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O jornal britânico "The Guardian" usou um recurso da lei britânica que permite que qualquer cidadão solicite informações não confidenciais mantidas por instituições públicas e fez um levantamento das queixas formais de assédio sexual feitas em 120 universidades desde 2011 até agora. A investigação revelou pelo menos 169 queixas de estudantes contra professores ou funcionários. Mostrou ainda que houve 127 reclamações de funcionárias ou professoras contra os próprios colegas.

Diante das centenas de milhares de pessoas que frequentam ou trabalham nas universidades, esses números parecem ser pequenos. Mas especialistas em direitos de gênero garantem que se trata apenas da ponta do iceberg e que os números reais são muito maiores.

Segundo esses especialistas, a maioria das vítimas prefere não fazer nenhuma reclamação formal, por medo do impacto que isso possa ter na sua vida acadêmica e profissional. Outras vezes, os casos são resolvidos sem o envolvimento da direção da universidade.

Para se fazer uma comparação, um estudo realizado nos Estados Unidos pela Associação das Universidades Americanas com 150 mil estudantes mostrou que apenas 7,7% dos casos de assédio e violência sexual são reportados formalmente. No Reino Unido, desde a publicação desse levantamento, o jornal já recebeu centenas de denúncias de vítimas que contaram não ter feito uma queixa formal na época do incidente.

Oxford e Cambridge registram queixas de assédio

A Universidade de Oxford, tida como a melhor do mundo, aparece como aquela em que houve mais queixas formais de assédio, e é seguida de perto pela Universidade de Cambridge, considerada a quarta melhor do mundo e segunda do país. Após o levantamento do "The Guardian", as duas universidades vieram a público para afirmar que têm organizado campanhas de conscientização entre alunos e funcionários sobre a natureza do assédio sexual e têm implementado medidas para facilitar as denúncias dos casos.

Advogados e especialistas em questões de violência de gênero ressaltaram que o fato de essas universidades apresentarem um maior número de queixas formais não significa que elas abrigam mais casos de assédio. Pelo contrário, isso pode até sinalizar que as vítimas estão se sentindo mais seguras para delatar os abusos e o assédio.

Especialistas notam, no entanto, que nenhuma das duas universidades – e nenhuma das 120 que foram analisadas no levantamento – possui uma política clara sobre os relacionamentos mantidos entre alunos e professores ou funcionários. Nenhuma instituição de ensino proíbe esse tipo de relação, por exemplo, e são poucas as que desencorajam esses envolvimentos tendo em vista a situação mais vulnerável dos estudantes.

Autoridades e sindicatos querem ampliar o estudo dos casos

Tanto políticos quanto grêmios estudantis e organizações de defesa dos direitos da mulher pediram que as universidades revejam suas políticas contra o assédio e a violência sexual.

A União Nacional dos Estudantes (NUS, em inglês) disse que vai lançar uma pesquisa própria para investigar a extensão desses casos consultando milhares de estudantes e membros do corpo docente. A entidade também afirmou que quer examinar como as universidades estão conduzindo as queixas formais.

A política conservadora Maria Miller, presidente da comissão da mulher do Parlamento, disse que o nível de queixas é preocupante e precisa ser revisto imediatamente. Ela afirmou ainda que qualquer pessoa envolvida na educação de jovens tem o dever de assegurar que o ensino ocorra em um ambiente seguro.

A presidente do principal sindicato de professores e funcionários de universidades pediu que essas instituições promovam políticas mais claras para que as vítimas saibam como proceder nos casos de assédio e violência sexual.


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