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Europa

Libération critica "dress code" imposto às mulheres por empresas europeias

media Matéria publicada no jornal Libération desta quarta-feira (15): "No trabalho, as mulheres vítimas da lei do salto alto". Reprodução/Libération

"No trabalho, as mulheres vítimas da lei do salto alto": esse é o título de uma matéria no jornal Libération desta quarta-feira (15) da imposição, em algumas empresas na Europa, de um "dress code" que vai além dos estereótipos: saia, maquiagem, esmalte, penteados... O diário progressista contesta o direito do empregador de fazer exigências como essas.

Como pano de fundo da matéria, um debate que tomou conta do Reino Unido e chegou ao Parlamento britânico. No ano passado, o episódio protagonizado pela inglesa Nicola Thorp, de 27 anos, incendiou as redes sociais no país e mobilizou as mulheres britânicas contra os estereótipos nas empresas.

Thorp foi dispensada de um trabalho de recepcionista porque se recusou a utilizar salto alto. Revoltada, ela criou uma petição para obrigar o Parlamento britânico a discutir a questão. A estratégia deu certo: os deputados debatem até o dia 6 março a possibilidade de reformular a lei britânica da igualdade no trabalho, votada em 2010, que tem por objetivo regular discriminações entre os sexos, mas que, ao que tudo parece, não impede que empresas inscrevam as regras vestimentárias em seus regulamentos internos.

Entre as obrigações mais frequentes impostas às mulheres nas empresas britânicas, estão o uso de maquiagem, sapatos com salto alto de mais de cinco centímetros, e a cor dos cabelos, preferencialmente loiros. Para as comissões parlamentares que começaram a analisar essas obrigações nas empresas do Reino Unido, o diagnóstico é claro, ressalta o jornal Libération: uma nova lei, mais severa, é necessária para combater esses abusos.

Lei francesa não impede imposições ao "dress code"

Na França, a situação está longe de ser correta, avalia a matéria do Libé. Entrevistada pelo diário, uma advogada francesa especialista em discriminações no trabalho indica que, no país, a lei não conta com nenhum artigo que proteja as mulheres da imposição de um dress code estereotipado nas empresas. Segundo o código do trabalho francês, "toda a obrigação deve ser justificada pela natureza da função exercida e ser proporcional ao objetivo do trabalho executado" - o que, claro, protege o empregador, diz o Libération.
Pauline, uma recepcionista entrevistada pelo jornal, confirma a constatação.

O "buraco" na lei francesa permite que as empresas abusem dessas exigências e, como conta a jovem, as mulheres aceitam as exigências porque precisam do emprego. Entre as obrigações da agência de recepcionistas onde Pauline trabalha estão o uso imperativo de base, blush, máscara nos cílios, batom vermelho, retoque obrigatório da maquiagem durante o dia, salto alto e saias justas.

O "capital erótico" das mulheres

De acordo com o sociólogo Jean-François Amadieu, especialista na questão do sexismo no trabalho, entrevistado pelo Libération, as mulheres são frequentemente recrutadas pelo que chama de "capital erótico". "Existe o capital intelectual, econômico, cultural e também existe o capital erótico, ainda valorizado pelo mercado do trabalho. Em algumas funções, o empregador vai utilizar dessa ‘capacidade das mulheres de seduzir’ para cumprir seus objetivos", avalia.

Segundo Amadieu, quanto mais alta a função, mais as obrigações se tornam "masculinas". As “exigências para seduzir”, que existem para as mulheres recepcionistas, não são as mesmas para as diretoras de empresa, ressalta o sociólogo.

Comprovando a teoria do especialista, o jornal também publica o depoimento de Andrea, uma francesa pós-graduada em business que foi recrutada para trabalhar em um grande escritório empresarial. Segundo seus chefes, ela desempenhava um bom trabalho, mas o grande problema era que sua beleza "extrema" chamava muito a atenção dos colegas.

A exigência feita por seus superiores, neste caso, foi que a jovem se vestisse de forma mais masculina. "Para termos legitimidade, a recomendação é esquecer que somos mulheres", critica a jovem, contando que preferiu pedir demissão a se submeter às exigências dos empregadores de só usar calça e descartar a maquiagem.

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