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Europa

Sob aplausos, filme brasileiro "Vazante" abre Mostra Panorama do Festival de Berlim

media Cena do filme "Vazante" Divulgação

O Festival de Berlim 2017 teve hoje a primeira participação brasileira, que causou uma forte impressão. O longa “Vazante”, dirigido pela carioca Daniela Thomas, foi escolhido pela curadoria da Berlinale para o honroso papel de ser o longa de abertura da Mostra Panorama, a segunda mais importante do evento alemão.

Bruno Ghetti, especial para a RFI em Berlim

Embora tenha sido apresentada para a imprensa em uma sessão não tão cheia (por competir no mesmo horário com filmes como “T2 Trainspotting”), a obra recebeu aplausos no final.

Conhecida por sua colaboração com Walter Salles, com quem dividiu a direção de filmes como “Terra Estrangeira” (1996) e “O Primeiro Dia” (1998), Thomas estreia agora sozinha atrás das câmeras, em uma produção ambiciosa e muito atenta aos detalhes.

O projeto surgiu em 2009, mas foi aos poucos e meticulosamente planejado pela cineasta, que desenhou várias das cenas que rodaria à própria mão.

O filme se passa em 1821, em Minas Gerais, onde um português proprietário de terras troca a exploração de minério pela agricultura na região. Senhor de escravos frio e violento, ele tem sua vida virada de cabeça para baixo depois que sua mulher e seu bebê morrem no parto. Mas ele logo conhece a jovem cunhada de sua esposa, ainda pré-adolescente, por quem se apaixona e de quem em breve vai esperar um novo filho.

O longa trata de temas pesados: a escravidão no Brasil, a situação da mulher no século 19, as relações de poder entre quem tem terra e quem precisa dela para sobreviver. Uma das principais preocupações da diretora foi reproduzir em detalhes a vida no interior do Brasil naquela época. “Fiz muitas pesquisas, queria que o filme fosse um retrato daquele tempo”, disse Thomas, em entrevista à RFI.

O rigor pode ser percebido, também, no visual do filme: “Vazante” foi rodado todo em luz natural (sem refletores ou luminárias elétricas) e não contou com nenhum cenário que já não existissem previamente.

"Apavorados com o futuro"

Embora conte com atrizes respeitadas, como Juliana Carneiro da Cunha e Sandra Corveloni (vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 2008, por “Linha de Passe”, que Thomas co-dirigiu com Walter Salles), a maior parte do elenco traz nomes pouco conhecidos do grande público. Para interpretar alguns dos escravos, a diretora contou com imigrantes do Mali que moram em São Paulo e não falam português.

A trama surgiu a partir de histórias que a própria diretora ouvia de familiares – uma das que mais a marcou foi sobre um parente distante que se casou com uma menina de 12 anos. “Naquela época, isso era normal, isso me deixou ao mesmo tempo horrorizada e fascinada”, diz a cineasta.

A cineasta diz que os diretores brasileiros nesta edição a Berlinale estão animados com o fato de 12 filmes nacionais estarem na programação – é um dos números mais expressivos da história em grandes eventos internacionais. Mas ela acredita que existe, também, bastante medo do que virá pela frente, com potenciais mudanças indicadas pelo governo Temer. “Estamos todos animados, mas também apavorados com o que pode vir”, diz a cineasta.

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