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Para europeus, Reino Unido será o maior prejudicado do Brexit

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Para europeus, Reino Unido será o maior prejudicado do Brexit
 
Theresa May, primeira-ministra britânica detalha as grandes linhas do Brexit REUTERS/Kirsty Wigglesworth

Há meses a Europa esperava ouvir os planos do governo britânico para as negociações sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. O discurso da primeira-ministra britânica Theresa May foi recebida com o aumento da libra esterlina e reações cautelosas dos líderes europeus.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Os líderes europeus reagiram com cautela ao discurso da primeira-ministra britânica Theresa May, que expôs ontem os planos do governo para o futuro do Reino Unido fora da União Europeia, mas preferiram não fazer declarações para preservar as negociações do Brexit.

“Finalmente um pouco de clareza sobre o Brexit” afirmou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. Em Berlim e Paris, a posição mais comum sobre a saída do Reino Unido é o aguardar para ver o que vai acontecer, e até mesmo uma certa indiferença. Para lideranças industriais da Europa, a opção de Theresa May em adotar um “Brexit total” irá prejudicar mais o Reino Unido do que os outros países do bloco.

O líder da negociação do Parlamento Europeu com o Reino Unido, o ex-premiê belga Guy Verhofstadt, criticou o discurso da conservadora Theresa May. "Não acho que conseguiremos grandes progressos, se a negociação decorrer sob ameaças, dizendo que, se os nossos parceiros não aceitarem as nossas condições, faremos da Grã-Bretanha uma espécie de zona franca, de paraíso fiscal. Acho que precisamos é de um acordo justo", declarou. Para Verhofstadt, o governo britânico não deve alimentar a ilusão de manter as vantagens das políticas e das instituições europeias que pretende abandonar.

Parlamento britânico deve votar início do processo de saída

O Parlamento britânico deve votar a ativação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa para iniciar o processo de saída do Reino Unido da UE. Em Bruxelas, qualquer acordo sobre o Brexit terá que ser aprovado por 55% dos países do bloco que representem pelo menos 65% da população da União Europeia. Além disso, o acordo precisa também da aprovação do Parlamento Europeu. No início do próximo mês, os chefes de Estado e governo do bloco se reunem em Malta para discutir o futuro da União Europeia após o Brexit.

Relação especial com o Reino Unido

Recentemente, o negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, deu a entender que preferia uma negociação mais amena com o Reino Unido. Em uma reunião com eurodeputados em Bruxelas, Barnier inclusive admitiu que gostaria de uma relação especial com a City de Londres depois da saída dos britânicos do bloco. Com isso, os 27 países da UE poderiam ter acesso fácil às instituições financeiras de Londres. Porém, em seu discurso, Theresa May foi bastante clara. Ela declarou não estar interessada em um acordo que deixe o Reino Unido “meio fora, meio dentro” do bloco, e por isso optou pelo chamado “brexit total”, com o fim do acesso ao mercado único europeu, a retomada do controle das fronteiras e o término da jurisdição da Corte Europeia de Justiça.

Acordo com Trump

 O recado foi claro no discurso de Theresa May. “Quero novos acordos comerciais não apenas com a UE, mas com velhos amigos e novos aliados”. No final do ano passado, os dois assessores mais próximos de May viajaram para Washington para construir pontes com a administração Trump e preparar a visita da primeira-ministra britânica aos EUA.

Segundo uma pesquisa recente, metade da população britânica acredita que Theresa May deve manter uma relação próxima com Donald Trump para beneficiar o Reino Unido. No entanto, o governo britânico não poderá negociar nenhum acordo comercial com qualquer país até que efetive sua saída da União Europeia.

Apesar do Brexit, Theresa May espera negociar um acordo com Bruxelas que garanta “o maior espaço possível ao mercado europeu”. Muitos duvidam das habilidades da premiê britânica em manter a promessa de que o Reino Unido será uma “grande, nação comercial mundial”. Há quem afirme que o interesse do mercado britânico está nos 500 milhões de consumidores europeus, e não apenas nos 65 milhões de pessoas que vivem no Reino Unido.


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