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Europa

Camareiras protestam contra baixos salários e condições precárias na Espanha

media Camareiras na Espanha denunciam a precariedade do trabalho Facebook/las keyllys.org

O ano de 2016 foi maravilhoso para o turismo na Espanha. Mas não para as camareiras que trocam os lençóis de milhões de visitantes. Agora elas decidiram se rebelar contra os baixos salários, às vezes de € 2 (cerca de R$ 7) por quarto, e o ritmo frenético de trabalho.

Elas são mais de 100 mil na Espanha, o terceiro país mais visitado do mundo, segundo os sindicatos. E, há dois anos, as ações na Justiça contra as más condições de trabalho se multiplicaram.

Pepita García Lupiáñez, camareira há 40 anos em Torremolinos, na costa do Sol, abraça a luta, apesar de estar entre aquelas que recebem os melhores salários - € 1.300 (R$ 4.574) por mês.

"Tenho quase vergonha quando encontro colegas empregadas por terceiros, que têm contratos de 4 a 6 horas, mas trabalham na realidade entre 8 e 10", diz Pepita, que é filiada ao sindicato Comissões Operárias (CCOO). "E o  patrão ainda diz 'enquanto não acabar o trabalho, você não vai embora'."

Nesta quinta-feira (15), ela participa de uma manifestação em Málaga, no sul do país, contra a reforma trabalhista de 2012. Uma grande onda pela "dignidade" dos trabalhadores acontece em várias cidades espanholas até domingo.

"Chega de exploração"

Antes da reforma, as camareiras não podiam ganhar menos do que previa a convenção coletiva de hotelaria. Agora é a empresa que decide os salários.

Além disso, a terceirização se propagou. "Vários hotéis substituíram os empregos diretos", explica Ernest Cañada, autor do livro "Aquelas Que Limpam os Hotéis".

"Chega de exploração", diz Carolina, camareira de 46 anos em Sevilla, que entrou com uma ação contra seu trabalho anterior. "Eu ganhava apenas € 700 (R$ 2.463) por mês para limpar 400 quartos, cerca de € 2 por quarto."

Em seu novo trabalho, em um hotel 4 estrelas, ela ganha € 618 (R$ 2.174) por mês por 30 horas semanais, "sob um estresse permanente, sem ter tempo de sentar nem de ir ao banheiro".

Porém as ações na Justiça começam a colher frutos: 46 convenções trabalhistas de 58 foram anuladas desde maio de 2015, segundo os sindicatos CCOO e UGT (União Geral dos Trabalhadores).

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