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Populismo ressurge nos EUA e na Europa por falha democrática

Por
Populismo ressurge nos EUA e na Europa por falha democrática
 
Aula inaugural do sociólogo Pierre Rosanvallon no prestigioso Collège de France. Collège de France/ Patrick Imbert

O temeroso retorno de movimentos populistas e nacionalistas aos Estados Unidos e à Europa é objeto de análise nas revistas semanais francesas neste início de dezembro. Muitos observadores notam que os candidatos populistas atraem cada vez mais eleitores entre pessoas desiludidas com as supostas consequências da globalização.

A revista L'Obs, antiga Le Nouvel Observateur, entrevista a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Ela considera que os eleitores do americano Donald Trump e aqueles que votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia têm em comum um discurso que propõe controle da imigração, criação de empregos dentro das fronteiras do país e retorno do protecionismo, mas isso não significa que o comércio internacional está condenado.

Segundo a diretora-gerente do FMI, há tempos o organismo multilateral defende a necessidade de um crescimento inclusivo. "Quanto mais as desigualdades de renda e de oportunidades são fortes, menos equilibrado e sustentável é o crescimento", resume Lagarde. Ela reconhece que a ampliação do comércio internacional tirou milhares de pessoas da pobreza, aumentou o poder de compra nos países avançados, mas deixou também milhares de trabalhadores desempregados.

Questionada se o FMI é capaz de corrigir essa distorção, Lagarde afirma que os novos programas do Fundo para países em desenvolvimento contemplam medidas inclusivas, como acesso das mulheres ao mercado de trabalho e investimentos em educação, indo além das recomendações habituais de política monetária e fiscal.

Fratura democrática

Algumas páginas adiante, na mesma L'Obs, o sociólogo Pierre Rosanvallon, especialista em história da democracia e em administração pública, diz que o populismo ressurge com força nos países ocidentais porque a democracia tem falhado no cumprimento de suas promessas.

O sociólogo aponta graves problemas de governança, corrupção e "dirigentes desconectados da sociedade". "Os cidadãos se sentem abandonados às suas dificuldades econômicas e sociais. As pessoas não se sentem mais ouvidas nem representadas por uma oligarquia política que acha que basta se apresentar em uma eleição para ter permissão de fazer um mau governo", destaca o sociólogo.

O intelectual francês explica que o populismo pode se manifestar como um sistema, uma retórica ou um regime político e que ele é mais perigoso quando desemboca no autoritarismo. Na opinião de Rosanvallon, a melhor maneira de combater o populismo no século 21 é refletir sobre as falhas do sistema atual, dominado por uma democracia parlamentar ineficaz, e "permitir aos cidadãos exercer diretamente as funções democráticas".

Conservadorismo domina a paisagem política

A revista Le Point dedica sua capa a François Fillon, candidato da centro-direita à presidencial de 2017. De acordo com a reportagem, para o eleitorado conservador francês, o ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy é o único capaz de derrotar a populista Marine Le Pen na disputa pelo Palácio do Eliseu.

Fillon venceu as primárias de centro-direita propondo um programa de austeridade econômica bastante questionado. Ele também é defensor de uma sociedade ancorada no passado, respeitosa da disciplina, da autoridade e dos valores familiares.

Para a historiadora Laeticia Strauch-Bonart, ouvida pela Le Point, Fillon é um perfeito representante do conservadorismo britânico. Segundo a especialista, os franceses estão realmente sedentos de um certo conservadorismo, sem cair na armadilha reacionária.


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