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Europa

Economia britânica surpreende por seu vigor pós-Brexit

media Venda a varejo teve crescimento no Reino Unido Divulgação

A economia do Reino Unido mostra dinamismo após a decisão do país de abandonar a União Europeia. O mês de outubro apresentou bons resultados das vendas a varejo, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS).

Essas vendas cresceram 1,9% em relação a setembro, impulsionadas em particular pelo setor de vestuário. Os economistas entrevistados pela Bloomberg não esperavam um aumento maior do que 0,5%.

Os consumidores não parecem preocupados com a incerteza que rodeia a saída da União Europeia, cujas negociações formais ainda não começaram.

"Muita gente esperava que o gasto dos consumidores seria afetado pelas discussões em torno do Brexit, mas, assim como os dados sobre o desemprego, parece que o Brexit não será um fator de peso no consumo", disse James Hughes, analista da consultoria GKFX.

"O gasto semanal médio experimentou, inclusive, seu pico anual em outubro, impulsionado pelas vendas relacionadas ao Halloween e pelas temperaturas mais baixas, que alavancam a venda de roupa", acrescentou.

Queda da inflação

A inflação caiu 0,9% em outubro em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a taxa de desemprego caiu para 4,8%, durante o período de três meses que terminou em setembro, o nível mais baixo desde 2005.

Durante o verão, a economia britânica desmentiu a maioria dos analistas que esperavam dificuldades imediatas caso o Brexit vencesse no referendo de 23 de junho. Assim, o crescimento do PIB no terceiro trimestre (julho a setembro) foi de 0,5%.

Porém, muitos economistas advertem que a atividade do país sofrerá as consequências adversas do Brexit a partir de 2017, quando as empresas forem mais resistentes a investir devido às incertezas provocadas pela saída do Reino Unido da UE.

Os consumidores também podem sofrer com um forte aumento da inflação devido à queda da libra, cujos efeitos ainda não se manifestaram.

Poder aquisitivo 

Os analistas assinalam que os salários podem não seguir o ritmo de aumento dos preços, que será de 2,8% no final de 2017, segundo estimativas do Banco da Inglaterra.

Como resultado, o poder aquisitivo das famílias poderia cair e, com isso, o consumo.

Para fazer frente a esse risco, o ministro das Finanças, Philip Hammond, incluirá medidas de apoio às famílias na tradicional revisão do orçamento que se faz a cada outono e que ocorrerá na próxima quarta-feira (23).

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