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Eleição de Trump ameaça bloco europeu

Eleição de Trump ameaça bloco europeu
 
A vitória de Donald Trump pode estimular lideranças de direita na Europa a adotar estratégia semelhante. EUTERS/Lucas Jackson/Eric Gaillard

A vitória de Donald Trump estremeceu a Europa. A chegada do republicano ao poder deve fortalecer candidatos de extrema direita nas próximas eleições presidenciais como a francesa Marine Le Pen do partido Frente Nacional e o holandês Geert Wilders do Partido para a Liberdade.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

O projeto de uma Europa unida tem sido atacado por políticos populistas no continente. Uma tendência cujo ápice de sucesso foi o Brexit, o voto do Reino Unido para deixar a União Europeia. Entre os líderes do bloco europeu, o único a comemorar a vitória de Trump foi o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. A primeira-ministra britânica Theresa May também reagiu de maneira positiva.

O presidente francês, François Hollande, cujo país está apenas a seis meses das eleições presidenciais, afirmou que a eleição de Trump abre um período de incerteza e pediu a união da Europa. Recentemente, Hollande disse que Donald Trump “provoca náuseas e faz as pessoas quererem vomitar”. Já a chanceler alemã Angela Merkel preferiu um tom mais diplomático e apelou aos valores partilhados pelos dois países. No mais, os governos europeus ainda perplexos enviaram mensagens formais ao futuro ocupante da Casa Branca.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para quem os resultado nas urnas americanas deve ser visto como “um alerta para quem acredita na democracia liberal”, convidou Donald Trump para participar de uma reunião de cúpula UE-EUA o mais breve possível. Na agenda, a luta contra o Estado Islâmico, as mudanças climáticas, imigração e o Tratado de livre comércio UE-EUA.

"Liderança dos EUA é mais importante do que nunca"

Após o anúncio da vitória do candidato republicano, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg declarou que “no novo ambiente de segurança, que inclui guerra híbrida, ciberataques e a ameaça do terrorismo” a liderança dos EUA “é mais importante do que nunca”. Stoltenberg ressaltou que “todos os países aliados fizeram um acordo solene de se defenderem mutuamente”.

Esse acordo é “incondicional e absoluto”, concluiu. Diante do fortalecimento do presidente russo Vladimir Putin a Otan é fundamental. Há décadas a segurança da Europa tem sido garantida pela aliança atlântica, apoiada pelos americanos. Donald Trump nunca escondeu sua insatisfação pelo fato de que a Europa é dependente dos EUA quando se diz respeito às questões de segurança.

Durante sua campanha eleitoral, o bilionário fez várias declarações polêmicas sobre a Otan, questionando sua utilidade e anunciando a intenção de reduzir apoio aos países aliados e que não iria cumprir a garantia da proteção automática a qualquer país integrante. Por isso, o projeto ambicioso de se de criar uma defesa européia ganha mais fôlego.

A perspectiva de saída do Reino Unido, uma das duas grandes potências militares da UE, ao lado da França, deixa lacunas e interrogações. Paris e Berlim estão dispostas a assumir mais responsabilidade pelo projeto, mas querem que o bloco europeu aumente o financiamento para as operações militares da UE. Mesmo assim, segundo especialistas, o poderio militar americano é fundamental para garantir a retaguarda.

Com Trump na Casa Branca a Europa sabe que as regras do jogo da aliança transatlântica podem mudar radicalmente. O candidato republicano quer renegociar tratados internacionais de forma que os EUA tenham menos encargos financeiros. Certamente a União Europeia está inquieta com o futuro das relações comerciais entre o bloco e os EUA.

Donald Trump sempre defendeu o não avanço do Tratado de Livre Comércio UE-EUA, TTIP na sigla em inglês. O magnata republicano pretende reforçar o protecionismo, o que desagrada os europeus. Em sua campanha, Trump prometeu proteger a indústria americana e ameaçou a impôr tarifas punitivas, o que pode gerar uma guerra tarifária. No ano passado, a União Europeia exportou o equivalente a 371 bilhões de euros para os EUA e importou 248 bilhões de euros dos americanos.

Cooperação entre inteligência

Para a Europa, uma das maiores queixas recentes dos EUA foi o programa secreto de monitoramento que os serviços de inteligência norte-americanos usaram para analisar emails, telefonemas, vídeos e outros meios de comunicação. Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência, o serviço secreto dos EUA, que revelou o esquema ao mundo, continua refugiado na Rússia.

Nos debates eleitorais, Trump disse que Snowden é um espião que deveria voltar para os EUA e ser julgado. Atualmente, Europa e EUA estão cooperando na área de inteligência, aumentando a troca de informações para prevenir ataques terroristas. Mas ao que tudo indica, Trump poderá colocar um ponto final nesta parceria.
 


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