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Europa

Repórter da RFI presencia resgates dramáticos de migrantes no Mediterrâneo

media O navio "Aquarius", fretado pelas organizações SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras, presta socorro a imigrantes que tentam chegar à Itália. Marco Panzetti/ SOS Mediterranee

O resgate de migrantes que tentam atravessar da costa da Líbia para a Europa tem atraído um número cada vez mais expressivo de voluntários indignados com a quantidade de mortos. Neste mês de outubro, a reportagem da RFI embarcou no navio Aquarius, da associação SOS Mediterrâneo, que já salvou mais de 3.700 pessoas desde o final de fevereiro.

Juliette Gheerbrant, da RFI Monde

Desde janeiro, cerca de 131 mil migrantes conseguiram chegar à costa da Itália, mas ao menos 3 mil morreram na travessia do Mediterrâneo. Diariamente, centenas de africanos e refugiados de guerras arriscam a vida a bordo de embarcações precárias, que muitas vezes sequer aguentam se distanciar da costa líbia. Foi o que aconteceu no dia 3 de outubro, quando o Aquarius resgatou 720 migrantes ao largo de Trípoli.

A maior parte da tripulação do navio é composta por salva-vidas ou pessoas com alguma experiência em atividades marítimas. Muitos são originários da França, Alemanha e Espanha. Eles trabalham em parceria com uma equipe da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que presta os primeiros socorros às vítimas dos naufrágios. Todos têm em comum a paixão pelo mar e a vontade de lutar contra uma situação que consideram desumana e sobretudo indigna. 

O eritreu Osam Mahmuod, de 22 anos, foi um dos migrantes resgatados pelo Aquarius. Ele fugiu da Eritreia porque seus pais, ex-defensores da independência, foram obrigados a integrar o exército do regime autoritário que governa o país. "Eu ganhava US$ 3 por mês como professor e, como filho mais velho, estava encarregado de sustentar toda a minha família. O dinheiro não era suficiente", conta Osam.  

Outro migrante, Shérif Said, nascido no Djibuti, também de 22 anos, diz que decidiu arriscar a travessia porque precisa ajudar a família de dez irmãos. "Meu pai é diabético e não tem mais forças para trabalhar. Minha mãe tem problemas renais e faz diálise", explicou. 

"Como escolher entre aquele que vai viver e o que vai morrer", questiona espanhola

Várias ONGs reivindicam a abertura de corredores humanitários para que os migrantes não sejam mais obrigados a correr risco. Enquanto isso não acontece, é preciso agir.

O francês Antoine Laurent, de 25 anos, tinha um trabalho na indústria petrolífera. Apesar de muitos criticarem a atuação das associações em uma zona de operações militares, como é o caso atualmente da Líbia, ele afirma que "se a SOS Mediterrâneo não estivesse lá, os migrantes morreriam".

A espanhola Ani Montez Mier, agora a bordo do Aquarius, nunca esqueceu uma experiência que viveu durante uma operação de salvamento na ilha grega de Lesbos.

"Fazia 4°C negativos, chovia e eu estava num bote inflável com um bebê de um mês no colo, a mãe dele recostada no meu ombro com hipotermia, em meio a dezenas de outras mães e crianças. Naquele momento, a minha vida deu uma guinada. Mas por que essas pessoas estão nessa situação?", questionou a socorrista. Ela diz já ter presenciado "coisas horríveis" desde que abraçou a causa dos migrantes.

"Quando há muitas pessoas no mar, a gente sabe que não vai conseguir salvar todo mundo. Como escolher a pessoa para quem vamos estender a mão? A gente nunca mais esquece o olhar desesperado das pessoas se afogando e pedindo ajuda. Isso é uma experiência que marca você para o resto da vida", conta.

Com um físico esportivo, a alemã Christina Schmidt, de cerca de 50 anos, é uma voluntária atípica. Ela é pesquisadora em uma fundação alemã e trabalha há anos com questões de imigração.

"Meu pai e minha mãe são filhos de refugiados. Durante a Segunda Guerra Mundial, eles migraram da Europa Oriental para a Alemanha e ficaram marcados por essa experiência. Várias vezes eles precisaram mudar de casa e reconstruir a vida do zero. Quando eu vejo esses migrantes com crianças, é como se eu visse meu pai em uma estação de trem em 1945", pondera a alemã.  

"Vamos continuar a odiar uns aos outros?", questiona francês

O francês Edouard Courcelles embarcou no Aquarius logo após os atentados de novembro de 2015 em Paris. Ao longo da vida, ele mudou pelo menos três vezes de atividade. Foi operário, trabalhou na área social e ultimamente era pescador. Ele conta que os preconceitos manifestados após os atentados, quando as pessoas passaram a comparar os migrantes a terroristas, despertaram nele uma reação. "Vamos continuar a rejeitar tudo o que vem do exterior, a odiar uns aos outros ou vamos estender a mão e ajudar o outro?", questiona.

Os socorristas do Aquarius incentivam outras pessoas a viver a experiência da solidariedade. "Todos deveriam se questionar sobre a contribuição que poderiam dar para resolver a atual crise migratória", opina Antoine. O jovem francês, nascido na Bretanha (oeste), loiro, alto e bem-humorado, prefere permanecer otimista. Com os colegas da SOS Mediterrâneo, ele compartilha um sentimento único: desistir, jamais.

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