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Conferência em Bruxelas busca ajuda financeira para evitar colapso do Afeganistão

Conferência em Bruxelas busca ajuda financeira para evitar colapso do Afeganistão
 
Representantes de cerca de 70 países e 25 organizações internacionais se reúnem em Bruxelas para a Conferência de Doadores para o Afeganistão. 05/10/2016 REUTERS/Francois Lenoir

Cerca de 70 países e 25 organizações internacionais, reunidos em Bruxelas para a Conferência de Doadores para o Afeganistão, devem garantir uma ajuda financeira de alguns bilhões de euros ao país nos próximos quatro anos.

Organizada pela União Europeia e pelo governo afegão, o evento conta com a participação do secretário de Estado americano, John Kerry, e do secretário-geral da ONU, Ban Kin-moon.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Além da contribuição financeira para reconstruir o Afeganistão, a comunidade internacional vai analisar as reformas afegãs promovidas pelo governo de Cabul e avaliar se houve progresso nas áreas econômica, da justiça, no combate à corrupção e às drogas.

O presidente afegão, Ashraf Ghani, é considerado mais honesto do que seu antecessor, Hamid Kazai. Em Bruxelas, o principal objetivo de Ghani é conseguir evitar o colapso de seu país. No entanto, o nível das doações deve ser bem menor do que os US$ 4 bilhões anuais que foram acordados para o período 2012-2015.

O Afeganistão continua extremamente violento, 20% de seu território está nas mãos dos talibãs, além disso, o país tem sofrido ataques esporádicos do grupo Estado Islâmico. Enquanto a atenção internacional se volta para o Iraque e a Síria, essa quase esquecida guerra continua matando milhares de pessoas a cada ano.

Sonho de permanecer na Europa não é para todos

A violência extrema no Afeganistão explica a chegada dos milhares de refugiados afegãos na União Europeia. Na semana passada, o jornal britânico The Guardian revelou a intenção da União Europeia em dar um ultimato ao governo afegão. De acordo com um documento vazado do Conselho Europeu, Bruxelas pode diminuir a ajuda financeira se o governo de Cabul não aceitar a deportação de pelo menos 80 mil refugiados afegãos.

Depois da Síria, o Afeganistão é o país de onde vem o segundo maior grupo de migrantes para o bloco. No ano passado, quase 200 mil afegãos solicitaram asilo na Europa. Segundo o The Guardian, a pressão no Afeganistão faz parte de uma nova estratégia da UE em condicionar a ajuda aos países pobres à aceitação da deportação de refugiados.

No entanto, nos escritórios de Bruxelas há quem desminta a reportagem britânica. Em uma recente pesquisa da Asian Foundation, 40% dos afegãos disseram que estariam prontos para deixar sua terra natal. Na maioria, são jovens solteiros e desempregados, desiludidos com o futuro do país, que se arriscam na perigosa travessia rumo à Europa.

Envolvimento dos Estados Unidos no Afeganistão

Uma das promessas eleitorais do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, era de colocar um fim no envolvimento militar do país no Afeganistão, retirando todos os soldados americanos até o final de 2017. Grande parte das tropas foi retirada, porém os Estados ainda mantém 9,8 mil soldados para apoiar e treinar seus aliados.

Este ano, Obama anunciou que pretendia desacelerar a retirada dos militares, deixando 8,4 mil soldados no ano que vem. Os EUA investiram mais de US$ 60 milhões na formação e treinamento das tropas afegãs, que ainda são incapazes de garantir a segurança do país. Os recentes avanços do grupo Estado Islâmico, no leste do Afeganistão, fizeram com que o exército americano reforçasse suas tropas, que têm participado de ataques aéreos e operações especiais no território afegão.

Violência e caos persistem no Afeganistão

Para entender o Afeganistão de hoje é preciso voltar no tempo. Em sua história recente, o maior destaque foi a invasão dos EUA, há exatos 15 anos, para derrubar o grupo radical do talibã em resposta aos atentados terroristas do 11 de setembro, perpetados pela rede Al Qaeda. A operação, no entanto, não acabou com os ataques dos militantes. A maioria cruzou a fronteira com o Paquistão, e de lá organiza a insurgência, com ataques mais complexos.

Esta semana, às vésperas da conferência de doadores em Bruxelas, os talibãs fizeram um ataque coordenado contra Kunduz, no norte do Afeganistão. Em maio, o principal líder dos Talibãs, o mulá Akhtar Mansour morreu em um ataque com drones dos Estados Unidos, no sudoeste do Paquistão, em uma região próxima à fronteira com o Afeganistão. Ele era considerado o braço direito de seu antecessor, o mulá Mohammed Omar, morto em 2013. Atualmente, o grupo radical é liderado por Haibatullah Ahunzada, responsável pela maioria das fatwas – decretos religiosos – do Talibã.

Os quinze anos de guerra fizeram ao menos 25 mil mortos e 162 mil feridos – entre civis e militares. Violência e caos em um conflito ainda sem solução. Arrasado pela guerra, 90% de todo gasto público no Afeganistão vem hoje de ajuda internacional. A expectativa de vida no país é de 44 anos e a taxa de mortalidade infantil é a segunda pior do mundo. A maioria da população não tem acesso à água potável e saneamento básico, 36% dos afegãos vivem abaixo da linha da pobreza e o desemprego é crônico.

O Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo, cerca de 1 milhão de afegãos entre 15 a 64 anos são viciados em drogas, o que representa 8% da população. Apesar das recentes conquistas – eleições democráticas, maior participação feminina, reconstrução de estradas, escolas e hospitais – ainda há muito o que fazer para estabilizar o país.


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