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Europa

Secretária de Goebbels diz que não sabia de crimes nazistas

media Brunhilde Pomsel em cena do documentário "A German Life" Divulgação

Aos 105 anos, a ex-secretária do ministro da Propaganda do governo nazista da Alemanha resolveu falar pela primeira vez desde o final da Segunda Guerra Mundial. Ela deu uma entrevista para o documentário "A German Life", segundo informa a edição desta quarta-feira (17) do jornal inglês The Guardian.

Brunhilde Pomsel começou a trabalhar para Joseph Goebbels, personagem chave do nazismo, em 1942, quando tinha 31 anos. Antes, ela foi secretária na rádio estatal.

A alemã, que perdeu a visão no ano passado, se diz aliviada que a sua vida esteja chegando ao fim. "No pouco tempo que me resta, e espero que sejam meses e não anos, eu me agarro à esperança de que o mundo não seja de novo afetado como na época do nazismo."

Ela explica que não decidiu falar agora para aliviar a sua consciência, já que conta não ter feito nada "além de usar a máquina de escrever no escritório de Goebbels". "Essas pessoas que hoje dizem que elas teriam se levantado contra os nazistas, acho que elas são sinceras. Mas, acredite, a maioria não o teria feito."

"Não sabíamos de nada"

Brunhilde lembra de ter tido nas mão o dossiê de Sophie Scholl, ativista anti-nazista executada em 1943, aos 21 anos, por ter distribuído panfletos contra a guerra. "Um dos conselheiros de Goebbels me disse para colocá-lo em um cofre e para não lê-lo. Eu fiquei contente pelo fato de ele confiar em mim, e a minha preocupação em honrar essa confiança foi maior que a curiosidade em olhar o dossiê", disse.

Ela lembra de Eva Löwenthal, uma das suas amiga judias "desaparecidas", e de como ficou chocada com a prisão de um apresentador muito popular da rádio estatal alemã, que foi enviado a um campo de concentração por ser homossexual. Mas, no geral, ela conta que vivia em uma bolha, insconciente da destruição provocada pelo nazismo.

"Eu sei que ninguém acredita na gente hoje - todos acham que nós sabíamos de tudo. Mas nós não sabíamos de nada, tudo era guardado em segredo."

Quanto ao misterioso desaparecimento dos judeus, ela achava que eles eram enviados para a região de Sudetenland, que tinha um déficit populacional. "Nós engolimos essa história, que nos parecia totalmente plausível."

No bunker de Hitler

En 1945, nos últimos dias da guerra, Hitler ordenou Goebbels e seus empregados a irem para o seu bunker. "Eu tinha a impressão de que alguma coisa estava morta dentro de mim", revela Brunhilde. "Tentamos nos certificar de que não faltaria alcool. Era necessário para permanecer anestesiados." Hitler se suicidou no local.

Depois de presa, a secretária não escondeu a sua função. Ela foi condenada a cinco anos de prisão nos campos de prisioneiros russos em Berlim. Brunhilde esperou até 2005, quando foi inaugurado o Memorial do Holocausto, para se informar sobre a morte da amiga Eva Löwenthal. Deportada em 1943, ela morreu em 1945.

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