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Europa

O que o Brexit muda para os brasileiros que moram no Reino Unido?

media Britânicos partidários do Brexit pelas ruas de Londres, na última sexta-feira (24). REUTERS/Kevin Coombs

A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia afeta não apenas os cidadãos europeus ou britânicos, mas pode influenciar na vida de milhares de estrangeiros que moram em território britânico, entre eles, brasileiros. Estimativas apontam que mais de 300 mil cidadãos do Brasil vivem na Grã-Bretanha, muitos deles com passaporte europeu.

Embora ainda seja muito cedo para prever as consequências, a preocupação dos brasileiros que vivem no Reino Unido ocupou as redes sociais na sexta-feira (24), logo depois da divulgação dos resultados do referendo sobre a permanência dos britânicos na União Europeia (UE). Muitos expressaram sua indignação com a decisão, outros, a preocupação sobre a incerteza em relação ao futuro no país.

Segundo o consultor de imigração da Associação Brasileira no Reino Unido (Abras), Ricardo Zagotto, o sentimento entre os brasileiros no país é unânime: "surpresa e medo". Para ele, o resultado era inesperado pela comunidade, que não imaginava que o "Leave" ("Sair") pudesse ser a opção vencedora na votação.

A principal dúvida dos brasileiros que moram na Grã-Bretanha, de acordo com o especialista, é o que pode acontecer a partir de agora no país e de que forma isso pode influenciar sua permanência. Mas, para Zagotto, as mudanças, ainda indefinidas, devem demorar algum tempo para entrar em prática. Por isso, lembra que não há motivo para ansiedade.

Apenas especulações

Segundo o consultor de imigração, os brasileiros que vivem no país sem cidadania europeia, seja por ser cônjuge de um britânico ou ter visto de trabalho, já enfrentam a rígida legislação britânica. A maior dificuldade com o Brexit pode ser para o brasileiro que também é europeu, ou seja, que tem passaporte de outro país que faz parte da União Europeia. Mas tudo isso, ressalta, não passa de especulação, já que nenhuma decisão foi tomada, até o momento, para restringir os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido. "Enquanto uma nova legislação não for criada, tudo continuará do jeito que está", lembra.

Zagotto aconselha aos brasileiros que têm passaporte europeu no Reino Unido que façam o pedido de dois documentos que podem ajudar em sua permanência antes que novas mudanças sejam implementadas. Para quem está no país legalmente há menos de cinco anos, o especialista recomenda a requisição do registration certificate. Para os brasileiros com nacionalidade europeia que já ultrapassaram esse período de estadia, o document certifying permanent residence é aconselhado. "No caso de mudanças, esses certificados podem contribuir para a permanência do cidadão europeu, embora não haja nenhuma garantia absoluta", sublinha.

"Leave" abriu espaço para comportamentos racistas

No momento, a maior mudança com a decisão do Brexit parece ser comportamental. É o que sente a jornalista paulistana Heloisa Righetto, que escreve para o blog Aprendiz de Viajante e mora em Londres. Para ela, a escolha dos britânicos pela saída da União Europeia deu margem a comportamentos e declarações racistas. "Toda a campanha do 'Leave', foi liderada por Nigel Farage [líder do partido de extrema-direita Ukip], uma pessoa que é anti-imigração. E, a partir do momento que saiu o resultado, abriu-se espaço para algumas pessoas fazerem declarações xenófobas, o que é muito perigoso", avalia.

Heloisa, que também tem nacionalidade italiana, garante que nunca sofreu preconceito como estrangeira no Reino Unido. Mas sentiu a escolha do "Leave" como um ataque pessoal. "Obviamente, as nacionalidades que sofrem mais preconceito são os poloneses, os romenos, entre outros. Mas eu sou uma imigrante como qualquer outro, não há diferença", conta.

Para a jornalista, deixar o Reino Unido e se mudar para outro país da União Europeia ou mesmo voltar para o Brasil é uma opção complicada. "Não é uma solução fácil. Vivo há quase oito anos com meu marido em Londres, onde temos uma vida. Mudar para outro país significa recomeçar tudo do zero. Nunca tinha pensado sobre isso até o dia em que saiu o resultado do referendo", diz.

Heloisa espera que, na prática, as mudanças não sejam tão drásticas como se teme, mas o sentimento de incerteza é o mais forte no momento. "Não acredito que os europeus terão que deixar o Reino Unido ou os britânicos terão que deixar a Europa. Mas isso me faz pensar se esse é o melhor lugar para eu estar", finaliza.

Fim de uma sociedade conciliadora e tolerante às diferenças

Incerteza também é o sentimento da designer gaúcha Florença Fantinel, que tem cidadania italiana e mora há quatro anos em Londres. Ela conta que, embora tivesse consciência da polarização do país, o choque com o resultado do referendo foi inevitável. "Agora começam a surgir as dúvidas, a necessidade de repensar e se preparar para o que vem pela frente. Não estava pronta para deixar Londres ainda, mas se for forçada a fazê-lo ou se sentir que a realidade aqui já não me convém, pensarei, sim, num novo destino."

Para ela, o Brexit representa o fim do ideal de uma sociedade conciliadora e tolerante às diferenças. "Sabemos que os resultados vieram do interior e de uma população mais idosa, tradicional e não muito acostumada à imigração. Nos faz pensar como é possível que uma mentalidade ultrapassada e tradicional tenha tido o poder de, quem sabe, mudar completamente a realidade da mais icônica capital do mundo. É revoltante", resume.

Por outro lado, a designer se diz confortada pelos resultados do plebiscito em Londres, onde quase 60% votaram pelo "Remain" (Permanecer). "Confirma o ideal de uma cidade cosmopolita, conectada e que está aberta ao novo. A maioria dos londrinos entende a importância da contribuição do talento estrangeiro no mercado de trabalho e na miscigenada cultura da cidade", conclui.

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