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Europa

Brexit pode provocar fuga de investimentos da China e de outros países asiáticos

media Edições extras de jornais asiáticos com a manchete "Grã-Bretanha deixa a UE ". 24 de junho de 2016. REUTERS/Issei Kato FOR EDITORIAL USE ONLY.

Os mercados asiáticos responderam depressa à temida notícia que chegou a parecer pouco provavél antes de fechadas as urnas no Reino Unido: os britânicos vão deixar a União Europeia. As bolsas do outro lado do mundo começaram a cair antes mesmo do anúncio do resultado oficial do plebiscito, enquanto a libra bateu a sua pior cotação desde 1985.

Vivian Oswald, correspondente em Pequim

Temem-se as novas bases das relações da China não apenas com os britânicos, mas, sobretudo com a própria União Europeia. Há quem diga na China que eram os britânicos que davam um tom menos protecionista para as negociações com o bloco. E que eles estiveram por trás do apoio importante para vários acordos de investimentos. Além disso, a China vinha marcando posição importante no mercado britânico, onde adquiriu muitos ativos, no entendimento de que estava dentro da UE e, portanto, não teriam tributação, nem outras benesses previstas no âmbito do bloco.

Os chineses estão mais visíveis do que nunca na economia britânica. Compraram a London Taxi Company e são donos de gordas fatias dos aeroportos de Heathrow e Manchester. As gigantes de tecnologia Huawei e Tencente também abriram recentemente centros de pesquisa e desenvolvimento no país.

Entre 2000 e 2015, o Reino Unido foi o principal destino dos investimentos diretos chineses, que somaram US$ 16,6 bilhões, segundo dados da americana Brookings Institution. Também é o segundo maior parceiro comercial da China dentro da UE, o que pode provocar o relaçamento de negociaç!ors comerciais há muito pacificadas.

Analistas também se preocupam com uma saída expressiva de capitais da China para enfrentar turbulências e certo pânico nos mercado globais em função das consequências ainda desconhecidas do Brexit. Em Hong Kong, o secretário de Finanças John Tsang Chun-wah apressou-se e já garantiu publicamente que a praça financeira se preparou para as turbulências que podem estar por vir. Ele disse que o sistema bancário está com liquidez suficiente para se defender de "volatilidades".

As ações no mercado chinês caíram. A gigante China Securities não descarta que o mercado de ações da China venha a cair entre 5% e 10%. Os analistas agora se debruçam sobre planilhas e aguardam com ansiedade o que está por vir. As bases da relação da China com o Reino Unido devem mudar daqui por diante.

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