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Europa

Refugiados sírios vivem no ‘limbo’, diz psicóloga turca

media A psicóloga turca Chule Uzumcu atende refugiados na ONG humanitária Asam, em Izmir. RFI

A psicóloga turca Chule Uzumcu atende refugiados na ONG humanitária Asam de Izmir, no oeste da Turquia. Ela conta que seu maior desafio é ajudar os sírios a sair do “limbo” em que se encontram. “Eles guardam, no fundo, a esperança de partir da Turquia, mas também tentam se adaptar”, diz a psicóloga. Essa situação é angustiante para a maioria das pessoas.

Adriana Moysés, enviada especial a Izmir

A indefinição sobre o futuro, somada à pobreza e ao estresse pós-traumático da experiência da guerra, afeta profundamente o cotidiano dos refugiados sírios. Segundo a psicóloga da Asam, os migrantes de outras nacionalidades, como iraquianos, afegãos e iranianos, logo abandonam as consultas. "Eles estão em uma situação transitória e mantêm viva a esperança de chegar a outro lugar, idealizando uma nova vida", explica.

No caso dos refugiados sírios, muitos não têm dinheiro para ir para outro lugar. Não sem sofrimento, eles se dão conta de que ficarão um bom tempo na Turquia. O maior desafio torna-se superar a barreira linguística. Chule é fluente em inglês, mas boa parte dos 94 mil sírios que estão na cidade têm pouca instrução e não falam turco. A língua oficial na Síria é o árabe. 

Tanto adultos quanto crianças apresentam sintomas de ansiedade e agressividade. "Às vezes, eles têm comportamentos regressivos e sofrem de atrasos na linguagem”, constata. “Com as crianças, é sempre mais fácil nas consultas, porque elas se expressam pelos desenhos”, conta a psicóloga.

Desenhos de crianças sírias atendidas na ONG Asam, em Izmir. RFI

Mulheres pagam caro tributo da guerra

Outra dificuldade é se projetar no futuro. As famílias sírias ficam felizes de enviar as crianças à escola, mas se questionam se vão encontrar trabalho e ficar definitivamente na Turquia. “Existe um número importante de pais isolados com crianças pequenas, principalmente mulheres. O homem deixou a Síria sozinho, com a expectativa de se estabelecer na Europa, por exemplo, e a família ficou para trás. As mulheres vieram depois e estão sobrecarregadas com a criação dos filhos, sem saber se conseguirão voltar a viver com os maridos”, relata.

Outro fenômeno, considerado frequente em tempos de guerra, é o aumento da procriação. “As sírias estão tendo muitos filhos. Para elas, ter crianças é uma maneira de sobreviver, de preencher um vazio e superar a tragédia da guerra”, analisa Chule. “As mães chegam aqui exaustas e sentindo-se solitárias, sem forças para cuidar dos filhos pequenos e trabalhar.”

A questão do trabalho é uma novidade na vida das refugiadas. Na Síria, a tradição é que elas sejam donas de casa. Porém, sem os maridos, elas são obrigadas a trabalhar para sobreviver na Turquia.

Rotas Migratórias dos sírios RFI/ A. DE FREITAS

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