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Europa

Professores sírios na Turquia sofrem com baixos salários e alunos instáveis

media Fachada da escola pública turco-síria do bairro de Buca, na periferia de Izmir. RFI

Noventa e quatro mil refugiados sírios vivem atualmente em Izmir, no oeste da Turquia. É da costa de Izmir que partem os barcos lotados de migrantes para as ilhas gregas do mar Egeu. Para as famílias que desistiram da arriscada travessia e se instalaram na cidade, existem apenas quatro escolas que oferecem às crianças o programa de ensino sírio.

Adriana Moysés, enviada especial a Izmir

As escolas sírias de Izmir só foram abertas há cerca de três meses, cinco anos depois do início da guerra civil no país vizinho. Elas são financiadas pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com o governo e funcionam nas mesmas instalações das escolas públicas turcas, em períodos alternados. Enquanto as crianças turcas passam de cinco a seis horas por dia na sala de aula, as sírias estudam de três horas e meia a quatro horas, de segunda à sexta-feira, geralmente à tarde.

A reportagem da RFI visitou a maior escola síria de Izmir, no distrito de Buca, bairro de periferia. No local, estudam 700 crianças e adolescentes de 7 a 15 anos. A maioria é levada pelas mães, que as acompanham até o interior do prédio. A atmosfera parece descontraída, mas esconde uma tensão no comportamento agitado dos alunos.

Estudantes têm problemas de comportamento

O diretor da escola síria de Buca, em Izmir, Moha Muhhammed Hag Kassen, conversa com alunos em sua sala. RFI

A maioria dos alunos sírios de Buca ficou de três anos a cinco anos sem ir à escola. No pátio, antes de começar as aulas, todos correm de um lado para outro. Falam muito alto, brincam de empurra-empurra, às vezes brigam e rolam no chão. Os menores abraçam as pernas dos professores, que retribuem, atentos ao que dizem. Entre as crianças mais jovens, de 7 anos, muitas vão às aulas pela primeira vez. São meninos e meninas traumatizados pela guerra, agitados, com problemas de socialização.

O diretor do estabelecimento, Moha Muhhammed Hag Kassen, sírio de Aleppo, fala com carinho da missão que assumiu, principalmente do intenso trabalho que sua equipe faz para adaptar as crianças ao universo escolar. Ele fugiu para Izmir há três anos e meio.

Kassen está à frente de 43 professores e 33 classes, com 30 alunos em média cada uma. A maior parte dos colegas são sírios, mas as crianças também aprendem o idioma local. Para as aulas de turco, encontram professores de outras nacionalidades: palestinos, iemenitas, afegãos, todos refugiados instalados há mais tempo em Izmir.

Professor sírio ganha um terço do salário turco

Tudo na escola síria de Buca remete à precariedade. Os professores são mal remunerados: ganham 900 liras turcas, cerca de R$ 1.100, contra um salário mensal de 3.000 liras, o equivalente a R$ 3.660, que recebe um professor turco na mesma posição. O tempo de aula dos sírios é menor.

Os livros didáticos são pagos pelo governo de oposição ao regime instalado fora da Síria, mas houve problemas na distribuição e 150 crianças não receberam seus manuais. Lápis, borracha, caneta e cadernos são doados por ONGs, porque a Unicef não oferece material de papelaria.

Muitos alunos são mal alimentados, o que causa problemas de aprendizagem. ONGs distribuem vale refeição aos mais necessitados, mas com frequência irregular.

Educação recebe pouca ajuda internacional

O professor Hando Jofer, pai de quatro filhos, leciona há 16 anos. Sorridente e caloroso com as crianças, ele é o preferido das meninas. Jofer também vem de Aleppo e está na Turquia há um ano e meio. Seus filhos frequentam a escola turca.

Longe dos alunos durante a recreação, Jofer diz com amargura que não consegue fazê-las se interessar pelos estudos. Ele conta que muitas crianças são agressivas, briguentas, incapazes de ficar paradas e de se concentrar na sala de aula. Os professores toleram essa agitação, são pacientes e contam com a ajuda de uma psicóloga para acompanhar os casos mais graves.

Abdulwahab Ramadan é o mais novo da turma. Chegou de Aleppo há três meses e dá aulas de inglês. De temperamento enérgico, coloca ordem na molecada. Seu maior problema é o mesmo dos colegas: o baixo salário pago pela Unicef. A quantia é insuficiente para cobrir as despesas essenciais, como aluguel e alimentação.

Unicef não oferece material mínimo para trabalhar

Os professores sírios Hando Jofer (à esquerda) e Abdulwahab Ramadan, refugiados em Izmir. RFI

De acordo com Jofer, as Nações Unidas gostam de propagandear que apoiam a educação, mas ele considera a ajuda aos professores e alunos limitada. Ele cita “um exemplo banal”, entre outros. “Sou obrigado a comprar as canetas que utilizo para escrever na lousa. É um material caro. Acho um absurdo ter de pagar do meu bolso o básico, quando não ganho o suficiente para alimentar a minha família”, argumenta. “Isso acaba tendo reflexos no trabalho. Como podemos estar bem para as crianças, quando nós também estamos passando necessidade?”, questiona Jofer.

O diretor Kassen também considera o salário dos professores sírios indigno e pede mais meios para a escola. “Os meninos, com paciência, a gente traz de volta à vida escolar. Mas, se não temos apoio, fica difícil”,

Educação recebe pouca ajuda internacional

As Nações Unidas reconhecem: a escolaridade dos refugiados é um dos grandes desafios da atualidade. Com 60 milhões de deslocados no mundo, de várias nacionalidades e regiões, a Unicef lançou no final de maio um apelo para levantar € 3,5 bilhões para a educação de crianças afetadas por conflitos e crises humanitárias. O chamado aconteceu durante a primeira Cúpula Humanitária Mundial das Nações Unidas, realizada em Istambul.

De acordo com a ONG « A Educação Não Pode Esperar », um quarto das crianças em idade escolar em países em crise estão fora da escola. Cerca de 75 milhões de meninos e meninas não são escolarizados ou recebem uma educação insuficiente, e apenas 2% das despesas com ajuda humanitária são consagradas à educação.

A Turquia recebe atualmente 3 milhões de refugiados, dos quais 2,7 milhões são sírios.

Rotas Migratórias dos sírios RFI/ A. DE FREITAS

 

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