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Europa

Sírios ganham a metade do que recebe um trabalhador turco

media Adolescentes sírios vão à escola em Izmir até aprender o turco, depois largam os estudos para trabalhar e ajudar os pais. REUTERS/Umit Bektas

A maioria dos refugiados sírios instalados na Turquia ainda trabalha sem registro, devido à demora do governo turco em regularizar as permissões de trabalho. Um melhor acesso de sírios ao mercado de trabalho está previsto no acordo assinado em março entre a Turquia e a União Europeia.

Adriana Moysés, enviada especial a Izmir

Os empregadores de setores pré-selecionados pelo governo turco só puderam abrir até agora cerca de 7 mil vagas para os sírios. Esse número corresponde a uma parcela ínfima de 0,25% dos 2,7 milhões de sírios que vivem atualmente na Turquia.

Oficialmente, a Turquia concede permissão de trabalho a refugiados sírios e não sírios, mas estes últimos têm muito mais dificuldade para regularizar sua situação. Uma lei aprovada em janeiro deveria ter acelerado esse processo, mas na prática os procedimentos não avançam. Na Síria, o mundo do trabalho é reservado aos homens. Porém, com o aumento da pobreza gerada pela guerra, as mulheres também estão dispostas a ir para o batente.

A ONG turca Asam, Associação de Solidariedade com Requerentes de Asilo e Migrantes (do inglês The Association for Solidarity with Asylum Seekers and Migrants), presta uma série de serviços de assistência aos refugiados e é parceira da Acnur (Agência das Nações Unidas para os Refugiados) em Izmir, além de outras 41 províncias turcas. Entre os serviços oferecidos pela associação estão a regularização de documentos e o acompanhamento jurídico dos refugiados em trâmites administrativos.

Trabalho escravo afeta refugiados

O assistente social Ahmet Gunay, da Asam, afirma que garantir os direitos básicos dos refugiados é um dos maiores desafios da ONG. "Milhares de sírios ainda trabalham sem permissão e isso gera trabalho escravo, não pago, salários baixos, muito inferiores aos dos trabalhadores turcos", além de jornadas longas, acima da carga horária permitida. Tudo isso sem proteção social, como seguro de vida, seguro desemprego e assistência médica.

"Os sírios ganham a metade do que recebe um trabalhador turco, quando não menos, o que obriga as famílias a retirar crianças e adolescentes da escola, para completar a renda familiar", destaca Gunay. "Novas leis estão sendo editadas e esperamos superar esses problemas nos próximos meses", afirma. O trabalho infantil é comum nas tecelagens e fábricas de cerâmica de Izmir.

Outra dificuldade citada pela Asam é a barreira linguística. Os empregadores querem que os sírios aprendam rapidamente o turco, porque poucas pessoas falam o árabe praticado no país vizinho.

Em Izmir, segundo a ONG, a tensão no mercado de trabalho ainda é menor do que em Dilis e Gaziantep, no sudeste da Turquia. Essas duas cidades, próximas da fronteira com a Síria, abrigam de três a quatro vezes mais refugiados sírios do que o número de habitantes locais."Nessas condições, é impossível absorver tanta gente, nenhuma cidade daria conta", observa Gunay. "Izmir tem 2,5 milhões de habitantes e absorver 100 mil refugiados ainda é possível. Além disso, a cidade oferece mais empregos, um clima melhor do que no sudeste, com invernos menos rigorosos, e custo de vida mais barato", pondera o assistente social.

Cerca de 90% dos refugiados estão em zonas urbanas na Turquia, principalmente em Dilis, Gaziantep, Istanbul e Izmir. Apenas 10% dos candidatos a asilo estão instalados nos 26 campos oficiais construídos pelo governo turco.

Rotas Migratórias dos sírios RFI/ A. DE FREITAS

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