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Europa

Guarda costeira turca impõe barreira a refugiados rumo à Grécia

media Barco da guarda costeira turca acompanha uma pequena balsa transportando migrantes que são levados para o porto de Dikili, a leste de Izmir. 4 de abril de 2016 OZAN KOSE / AFP

A terceira maior cidade da Turquia, Izmir (oeste), porta de travessia para as ilhas gregas no mar Egeu, acolhe atualmente 94 mil refugiados sírios e um número menor de migrantes de outras nacionalidades, como iraquianos e afegãos. O sonho de muitos refugiados é chegar à Europa pelas ilhas gregas de Chios ou Lesbos, a meia hora, no máximo duas horas de barco da costa turca, mas o acordo assinado entre a Turquia e a União Europeia, em março, cessou a migração.

Adriana Moysés, enviada especial a Izmir

A engenheira síria Eyman Abdallah, de 23 anos, teve a triste experiência de tentar a travessia de Izmir para a ilha grega de Lesbos. No entanto, o barco em que estava foi interceptado pela guarda costeira turca e todos os migrantes, cerca de 70 pessoas, foram levados de volta a Izmir.

«Foi no dia 21 de fevereiro, data do dia das mães na Síria. Os traficantes cobraram US$ 600 por adulto e US$ 200 por criança, mas o motor do barco parou de funcionar no meio do mar. Ficamos cinco horas à deriva, até a polícia nos resgatar”, conta. A embarcação levava 70 pessoas, a metade crianças.

Eyman chegou à Turquia há pouco mais de três meses. Ela fugiu de Deir Ezzor, no leste da Síria, cidade controlada pelo grupo radical Estado Islâmico. Viajou durante 20 dias com dois filhos pequenos e outras 20 pessoas da família do marido. Ele conseguiu chegar à Alemanha semanas antes e está instalado em Freiburg (sudoeste), onde aguarda os documentos para regularizar a situação da família.

Mãe de um menino de 2 anos e de uma menina de 4 meses, Eyman diz que vai tentar a travessia para a Grécia «quantas vezes forem necessárias».

«Perdi um irmão na guerra. Ele entrou para a resistência contra o regime, mas só combateu por dois meses, depois foi morto. Quando deixei Deir Ezzor, a situação tinha ficado insuportável. Todos se matavam entre si. Os bombardeios eram direcionados aos lugares onde havia mais gente, para matar o maior número de pessoas. Mataram dezenas de crianças.»

Izmir é rota histórica de refugiados

Em um relatório divulgado no início de maio, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) constatou que as travessias caíram 90% na região, mas diariamente uma centena de refugiados ainda tenta alcançar a Grécia.
Foi o que tentaram fazer 57 sírios na madrugada da última quarta-feira (25). Eles embarcaram em uma praia a oeste de Izmir com destino às ilhas gregas. O barco foi interceptado pela Marinha turca e todos retornaram ao continente. Em abril, a Grécia registrou 3.360 entradas de migrantes, contra 29.971 em março, antes da entrada em vigor do acordo com a União Europeia.

Segundo Ahmet Gunay, assistente social da ONG Asam − Associação de Solidariedade com Requerentes de Asilo e Migrantes (do inglês The Association for Solidarity with Asylum Seekers and Migrants), o tráfico de refugiados em Izmir é antigo e teve um “boom” nos útimos dez anos. Gunay afirma que «talvez não se veja mais um movimento intenso como o ocorrido no ano passado, quando as fronteiras da Europa estavam abertas, mas ele continuará a existir”.

Readmissão de migrantes na Turquia ainda é marginal

O acordo entre o governo turco e o bloco europeu prevê a readmissão na Turquia de todos os refugiados que chegaram à Grécia depois de 20 de março, ou seja, cerca de 8.500 pessoas. Porém, até agora, apenas 400 migrantes foram repatriados pelas autoridades gregas ao porto de Dikili, situado a 75 km a leste de Izmir.

Os readmitidos foram encaminhados para centros de retenção provisórios do governo, onde aguardam a análise de pedidos de asilo na Turquia. Aqueles que tiverem a solicitação rejeitada, à exceção de sírios e iraquianos, serão enviados aos seus países de origem.

A União Europeia ofereceu € 6 bilhões de ajuda financeira à Turquia e a suspensão de vistos de turismo para os turcos, entre outras garantias, em troca do controle da passagem dos refugiados para a Europa. O presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, ameaça bloquear a aprovação do acordo no Parlamento, caso os europeus não apliquem a suspensão dos vistos de viagem até o final de junho.

RFI

 

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