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Europa

“Lembrem-se que Einstein era um refugiado”, diz comissário da ONU

media Campo de refugiados sírios em plena capital francesa. REUTERS/Eric Gaillard

A Europa precisa se esforçar mais para integrar os milhares de refugiados que chegam ao continente todos os dias, sob o risco de criar novos guetos de imigrantes nas periferias das grandes cidades. O alerta foi dado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, nesta quinta-feira (28).

As duas entidades apresentaram um plano conjunto de 10 medidas para melhorar o acolhimento dos refugiados em solo europeu. Apesar do inverno no hemisfério norte, o fluxo de migrantes que desembarcam na União Europeia segue intenso, de 2 mil pessoas por dia.

Filippo Grandi, alto comissário da ONU para os refugiados, é “dever” da União Europeia acolher os refugiados e promover iniciativas para que eles tenham acesso a direitos e oportunidades iguais aos de qualquer cidadão europeu. “Lembrem-se que Einstein era um refugiado. Eles merecem os nossos esforços”, disse Grandi. O físico Albert Einstein, um dos maiores cientistas da humanidade, nasceu na Alemanha e foi para os Estados Unidos nos anos 1930, devido à ascensão do nazismo. Ele recebeu asilo dos americanos.

Em primeiro lugar, o ensino do idioma local é considerado crucial para iniciar a integração, assim como a instalação das famílias em locais adequados, junto às sociedades europeias. Os imigrantes que passaram a viver em residências precárias e não receberam cursos de língua tendem a se agrupar em guetos, uma situação que, com o passar dos anos, se transforma em um problema para os governos.

Mão de obra qualificada pode favorecer retomada do crescimento

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, destacou que a realização de um balanço das competências profissionais dos imigrantes é fundamental para inseri-los no mercado de trabalho – e quanto mais cedo isso for feito, melhor para a integração a longo prazo. “As competências e as experiências deles podem se deteriorar, e um refugiados desempregado pesa nas finanças públicas”, indica o relatório sobre a questão. Quarenta por cento dos sírios que entraram no bloco no ano passado possuíam uma qualificação acima do ensino médio e 15% têm um diploma universitário.

Gurría observou que, quando os estrangeiros encontram um emprego coerente com a sua escolaridade, a tendência é que eles contribuam mais com impostos do que recebam em benefícios sociais do governo. Os imigrantes, uma mão de obra nova e, muitas vezes, qualificada, podem ser uma das chaves para o retorno do crescimento econômico na Europa. “Administrar corretamente a situação pode se transformar em um bom investimento e gerar um impacto positivo na sociedade”, destacou. O secretário-geral da OCDE sugeriu que o sucesso dos programas de integração dos refugiados na Europa ainda diminuiria a ameaça de terrorismo e a criminalidade.

Após ataques, alta do preconceito

Para o representante das Nações Unidas, desde os ataques em Paris e a noite de agressões sexuais em Colônia, na Alemanha, a estigmatização dos migrantes aumentou e as dificuldades para eles começarem uma nova vida estão maiores. “Os estudos mostram que refugiados e migrantes são, na verdade, contribuintes positivos para a sociedade. Esse é o tipo de informação que nós devemos ressaltar e promover, para virar a narrativa negativa em torno deles que emergiu após esses tristes episódios”, afirmou.

Problema da Europa é bem menor do que o dos países vizinhos à Síria e o Iraque

O alto comissário sublinhou que os migrantes fogem das guerras e que os países vizinhos à Síria, o Iraque e o Afeganistão estão confrontados a um número bem maior de refugiados do que a Europa: a Turquia já recebeu mais de 2,5 milhões de pessoas, o Líbano acolheu 1 milhão e a Jordânia, centenas de milhares. Por mais alta que seja a quantidade de migrantes que desembarcaram na Europa – 1 milhão em 2015 –, esse número representa apenas 0,3% da população europeia.

“A União Europeia tem a capacidade e a experiência de lidar com esse fluxo”, disse o secretário-geral da OCDE. Ele lamentou que, nas negociações no bloco sobre a questão, o assunto hoje seja tratado pelos ministros responsáveis pela segurança, um sinal do quanto a Europa está mais preocupada em fechar as fronteiras do que viabilizar a integração dos refugiados. “Não se trata só de números: estamos falando de pessoas, de vidas.”

 

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