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Caixão de papelão, sepultura direto na terra: conheça os cemitérios ecológicos

Caixão de papelão, sepultura direto na terra: conheça os cemitérios ecológicos
 
Espace-cin+®raire-Eve-Marie-Ferrer

Se você deseja ter um comportamento ambientalmente responsável até depois da morte, está na hora de conhecer os cemitérios ecológicos, que se espalham pouco a pouco pela Europa. O princípio é reduzir ao máximo a poluição gerada pelo enterro, através de escolhas mais adequadas de caixão, sepultura e até de tratamento do corpo antes dos funerais.

Na França, o primeiro cemitério ecológico foi aberto na cidade de Niort, no sudoeste do país. Para enterrar um familiar no local, é preciso respeitar uma série restrições: nada de mármore, flores artificiais ou sepulturas pomposas. Quanto mais simples for o enterro, menos poluição vai gerar no presente e, principalmente, no futuro.

“São compromissos que a família assume. O caixão tem de ser biodegradável, feito de madeira não tratada, palha ou até de papelão. Agora existem também caixões de amido de batata, de beterraba. As opções estão se desenvolvendo”, explica Eve-Marie Ferrer, uma das idealizadoras do projeto da prefeitura.

Os cuidados com o corpo do falecido também são fundamentais. Em vez de portar as roupas e joias preferidas em vida, o defunto é vestido com tecidos de fibras naturais biodegradáveis.

Sem produtos químicos

Na França, é comum o sepultamento acontecer vários dias depois da morte – um costume que depende do uso de produtos conservantes, como o formol, que são tóxicos para os solos. No cemitério natural de Niort, essas substâncias são proibidas.

“Tentamos evitar todos os tratamentos para a conservação do corpo, a menos que seja estritamente necessário, conforme o estado da pessoa. Desta forma, o corpo se desintegra na terra mais naturalmente e é a maneira menos poluente”, afirma Ferrer. “Nós chamamos um hidrogeólogo para analisar a eventual poluição da terra gerada pelos ossos, mas os resultados foram favoráveis.”

Para facilitar a decomposição, o enterro acontece diretamente na terra, sem um revestimento de concreto para isolar o caixão do solo. A sepultura é indicada por uma lápide simples em pedra calcária, produzida na região. A família é incentivada a arborizar o local, com flores, plantas ou até árvores. Além de ecológica, a escolha é bem mais econômica: sai em média 30% a menos do que em um cemitério tradicional.

Michel Kawnic, presidente da Associação Francesa de Informações Funerárias, ressalta que, em geral, as funerárias se aproveitam do momento de sensibilização das famílias após a morte de um parente para incentivar o uso de produtos de conservação do corpo, que encarecem o procedimento em até € 500. Além de contaminar o solo, essas substâncias prolongam a decomposição de tal maneira que adiam a reutilização das sepulturas para novos corpos, obrigando à abertura de mais cemitérios.

34% dos franceses preferem a cremação – mesmo sem filtros adequados

Outra preocupação é o número crescente de franceses que preferem a cremação ao enterro tradicional. A incineração resulta na emissão de gases poluentes, inclusive resíduos de metais pesados, presentes em implantes dentários antigos ou próteses. Com o uso de filtros adequados, o processo contaminaria bem menos o ar, mas a adoção da proteção ainda não é obrigatória nos crematórios franceses.

“Por uma simples razão econômica, eles adiam a instalação dos filtros e não respeitam os vivos que moram ao lado dos crematórios. Em todo o resto da Europa, é obrigatório ter filtro e é proibido fazer a cremação de um corpo que recebeu a injeção de produtos conservantes. Não é o caso da França”, protesta Kawnic.

Compostagem humana: próximo passo?

Na Europa, os cemitérios naturais são mais comuns no Reino Unido e nos países nórdicos, como a Suécia. A Bélgica e os Estados Unidos analisam autorizar um procedimento que vai além: a chamada “humusação” do corpo, semelhante à compostagem. Na hora do enterro, o corpo recebe uma cobertura de serragem que favorece à proliferação de micro-organismos. A promessa é de que, em um ano, os restos mortais se transformam em húmus fertilizante para a terra. Mas, por enquanto, esse processo ainda está em fase de estudos.

 


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