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Europa

Brasileiro e sueco são 1° casal gay da Suécia a adotar no exterior

media Saymom e Jacob esperam ansiosamente o filho brasileiro Arquivo pessoal

Um brasileiro e um sueco são o primeiro casal gay da Suécia a conseguir autorização de adoção de um país estrangeiro - neste caso, do Brasil. Jacob e Saymom Prim Neves, ambos de 29 anos, ganharam reportagens no último fim de semana nos principais jornais suecos, que definiram a história como algo histórico para o país.

"Estamos juntos há seis anos e sempre quisemos formar uma família. Agora nosso sonho vai ser realizado", conta o stylist Saymom, um maranhense que cresceu entre Recife e Rio de Janeiro e que vive há 11 anos na Suécia. "Estamos superfelizes", diz o nutricionista Jacob. "É difícil explicar a sensação. Pulei à beça de alegria. É muito especial, principalmente porque a criança será brasileira", completa Saymom

A aprovação da adoção saiu em outubro do ano passado, mas a notícia foi publicada pela primeira vez na sexta-feira, pelo jornal sueco "Aftonbladet", de circulação nacional. "Depois a notícia se espalhou para outros meios. Jornais e canais de TV entraram em contato conosco", conta Jacob, que adotou o sobrenome Neves do marido, assim como Saymom adotou o seu Prim.

Agora o casal espera que o órgão responsável pelos trâmites no Brasil, a Cepa-PE (Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Estado de Pernambuco), encontre uma criança para eles. "Pode ser amanhã ou levar meses. Não há um prazo", explica Saymom, que realizou todos os contatos com a entidade no Brasil. O fato de ele ser brasileiro foi fundamental, pois ele está adotando como um cidadão do país.

Os dois, ao preencher o formulário de adoção, que pede para que o casal especifique sexo, cor da pele, do cabelo e dos olhos,  apenas pediram que a criança tenha entre 0 e 2 anos. "O resto não importa."

Processo

A saga do casal começou na Suécia em 2012 com um curso obrigatório para requerentes de adoção. Jacob critica o fato de que a formação seja muito voltada para casais heterossexuais. "Tivemos quer ler livros e revistas para nos informar melhor", conta.

Depois do curso, eles iniciaram o processo na Suécia, no Familjerättsbyrån (órgão responsável pelas adoções), reunindo todos os documentos necessários. Foi lá mesmo que um conselheiro sugeriu que eles tentassem a adoção no Brasil, já que Saymom é brasileiro. "Eles falaram que seria mais rápido, pois na Suécia há uma média de apenas 15 crianças por ano para adotar e que no Brasil é possível a adoção por casais gays", diz Jacob.

Então, em outubro de 2014, eles iniciaram o processo na Cepa-PE. Saymom escolheu Pernambuco por ter uma relação afetiva com o estado porque a sua família é de lá.

"Começamos toda a papelada e telefonemas. São vários processos. Primeiro eles têm que aprovar um dossiê técnico e depois há a avaliação psicológica. Isso foi meio complicado, porque na Suécia eles não pedem, apenas no Brasil. Então tivemos que arrumar uma psicóloga, tirar um atestado, mandar a papelada para a embaixada e depois para o Brasil para ser avaliada. Falando assim parece ser muito rápido, mas leva tempo, porque nem sempre os órgãos brasileiros trabalham com agilidade. Houve muita espera até chegar onde chegamos", afirma Saymom.

Ele diz que a Cepa-PE não pediu nada diferente do que pede aos casais heterossexuais e que ficou surpreso com o tratamento. "Já li sobre casais gays no Brasil que tiveram problema com escrivãos, secretárias. Achei que ia ter alguém para empatar, mas as pessoas foram abertas e acolhedoras. Fiquei impressionado."

Quando receber o comunicado de que há uma criança para eles, o casal deve embarcar em até três semanas para o Brasil e fazer um teste de convivência com o bebê durante 45 dias, supervisionado por uma psicóloga.

Preparação

Durante o processo, mesmo sem saber qual seria o resultado, Saymom e Jacob começaram a se preparar para receber a criança. "Nos mudamos para um apartamento maior, com um quarto para a criança. Não compramos ainda roupa ou berço, porque não sabemos qual vai ser a idade dela. Tirei a carteira de motorista para poder ter um carro e proporcionar mais conforto para nosso filho. Quem sabe no futuro vamos comprar uma casa em um lugar mais tranquilo", diz Saymom.

Ele faz questão de preservar as raízes brasileiras do futuro filho. "O quarto dele vai ser decorado com uma pintura da floresta amazônica e de uma bandeira do Brasil, além da bandeira sueca. Vai ser bem colorido. Minha família têm muitos artistas, como a minha mãe e a minha irmã, e elas vão fazer tudo."

Eles também já combinaram que Saymom vai falar apenas português com a criança, e Jacob, apenas sueco. "Ele tem que aprender os dois idiomas. Como a gente viaja muito para o Brasil e a minha família é grande, é importante que ele fale português para se comunicar com os parentes e com as pessoas do país."

Reações

Depois da aprovação do processo, as famílias e os amigos dos dois ficaram supercontentes e os encheram de presentes. "Meus parentes ficaram super felizes. Muitos choraram. Principalmente porque a criança vai ser brasileira. A minha família no Brasil é 100% com a gente. Eles estão cruzando os dedos para que a gente consiga o mais rápido possível", conta Saymom. "As reações foram muito positivas", completa Jacob.

Porém, depois da exposição na mídia, o casal deparou com comentários negativos e preconceituosos na internet. "Eu prefiro nem ler. Não quero dar um minuto de atenção para essas pessoas. Estamos felizes e vamos amar muito essa criança, isso é o que importa", diz Saymom.

E acrescenta: "Estou muito orgulhoso por ter aberto essa porta e por ter a possibilidade de informar outras pessoas".
 

Legislação no Brasil

Os casais gays brasileiros que desejam adotar filhos tiveram a vida facilitada em 2013 com a regulamentação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“A regulamentação do casamento homoafetivo pelo CNJ possibilita que os casais do mesmo sexo possam adotar em conjunto da mesma forma que os heterossexuais, desde que comprovem os requisitos da lei. Eles têm os mesmos direitos e deveres dos heterossexuais, inclusive o processo de adoção”, explicou Adriana Galvão, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Homofobia da seção paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ao site jurídico "Jusbrasil".

O processo de adoção segue um trâmite que envolve apresentação de documentos, entrevistas com psicólogos e assistentes sociais, visitas a abrigos e aprovação final de um juiz.

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