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Crise no governo e na monarquia sacodem a Espanha

Crise no governo e na monarquia sacodem a Espanha
 
A princesa da Espanha Cristina, durante audiência no tribunal de Palma de Mallorque, 11 de janeiro de 2016, REUTERS/Cati Cladera/Pool

A Espanha vive um momento difícil: pela primeira vez na história do país um membro da casa real, a infanta Cristina de Bourbon, irmã do rei Filipe 6°, senta no banco dos réus indiciada num caso de fraude fiscal. Além disso, a questão da independência da Catalunha volta ao centro das atenções políticas com a eleição de um novo presidente e os partidos que concorreram às eleições gerais e não obtiveram maioria absoluta não chegaram a um acordo de governabilidade.

Fina Iñiguez, correspondente da RFI na Espanha

Cerca de 600 jornalistas se credenciaram para cobrir o primeiro dia do julgamento do chamado "caso Nóos", que durou 13 horas e começou nesta segunda-feira com a irmã do rei da Espanha, Cristina de Bourbon, e seu marido, Iñaki Urdangarin, acusados do desvio dos cofres públicos de 6 milhões de euros, o equivalente a mais de 26 milhões de reais.

Este é um momento amargo para a irmã do rei e para a própria instituição real. O genro do rei, Iñaki Urdangarín, e seu ex-sócio, Diego Torres, são acusados de terem superfaturado através do Instituto Nóos contratos com os governos regionais das Baleares e de Valência. A promotoria pede uma pena de 19,5 anos para Urdangarín e 16,5 anos para o seu sócio.

A queixa vem da associação ultradireitista espanhola “Mãos Limpas”, que pede para a princesa uma pena de 8 anos para Cristina de Bourbon supostamente envolvida - como sócia do marido- na empresa Aizoon. Segundo a acusação, o Instituto Nóos desviava verbas para pagamento de contas domésticas no valor de 337.138 euros, cerca de um milhão e meio de reais.

O julgamento será retomado no dia 9 de fevereiro e deverá durar até junho. A promotoria e a defesa pediram o arquivamento da queixa contra a irmã do rei, o que para alguns analistas põe em jogo a credibilidade das instituições do Estado. Até 9 de fevereiro, a corte deverá decidir se julga ou não Cristina de Bourbon.

Catalunha reabre processo de independência

Contrariando todos os prognósticos, a Catalunha reabriu o processo pela independência elegendo -no último instante - o presidente do governo regional.

O ex-presidente Artur Mas decidiu deixar que outro candidato, Carles Puigdemont, até agora prefeito de Girona, e da mesma formação política de centro-direita que Artur Mas, desbloqueasse as negociações com o partido anticapitalista CUP, depois de mais de três meses de desentendimento.

Puigdemunt vai tomar posse nesta terça-feira e, de acordo com o discurso no ato da nomeçao de domingo, vai dar continuidade ao roteiro marcado por “Junts pel Sí” (“Juntos pelo Sim”, em catalão) que pretende levar a Catalunha a se desligar da Espanha em 18 meses.

Artur Mas não quis correr o risco de convocar novas eleições e, diante da possibilidade de enfraquecer o movimento independentista, resolveu ficar em segundo plano, embora não fora do cenário político. O ex-presidente catalão deu passagem a Carles Puigdemont, mas vai continuar dirigindo o partido Convergência Democrática e disse que poderá voltar a ser candidato, embora a Catalunha tenha que esperar pelo menos 12 meses para convocar novas eleições. Puigdemont afirmou que conta com o apoio de Mas e que vai negociar a independência da Catalunha com o Estado espanhol e a Europa.

Novo governo ainda não foi definido

A Espanha também continua sem governo. O premiê espanhol Mariano Rajoy, totalmente contra o projeto de independência catalão, ainda não conseguiu acordos para formar un novo governo, apesar de declarar, insistentemente, que a melhor opção de estabilidade para a Espanha é formar um governo com apoio dos socialistas e do partido de centro-direita Ciudadanos.

No entanto, o líder dos socialistas, Pedro Sánchez, tem outros planos: ele já anunciou que gostaria de formar um governo progressista com o apoio do partido da esquerda radical Podemos e também com Ciudadanos. Na falta de maioria absoluta, quatro partidos com quatro ideologias diferentes, buscam urgentemente acordos para governar o país e enfrentar a nova situação de uma Catalunha governada por independentistas. O prazo termina nesta quarta-feira.


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