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Populismo e xenofobia ameaçam destruir bloco europeu

Populismo e xenofobia ameaçam destruir bloco europeu
 
Cédula eleitoral de Marine Le Pen, candidata do partido de extrema-direita Frente Nacional, na região Picardie, Nord, Pas-de-Calais. REUTERS/Pascal Rossignol

Não adianta tentar esconder a sujeira debaixo do tapete. A Europa está seriamente ameaçada de desintegração. Os ganhos eleitorais da Frente Nacional nas eleições regionais francesas são mais um sintoma da doença que vem se espalhando pela opinião pública europeia: o populismo nacionalista, xenófobo e antieuropeu.

Diante dos imensos desafios, muita gente acredita que a solução é voltar para os Estados nacionais fechados, autoritários e protegidos por fronteiras estanques. Existe uma ilusão de que as velhas identidades nacionais, agressivas e defensivas, vão resolver tudo, esquecendo que o processo de integração europeia serviu justamente para nunca mais voltar aos tempos das tensões e guerras nacionalistas que destruíram o Velho Continente durante o século XX. 

Muitos eleitores na Europa inteira estão que nem barata tonta, desconfiados dos seus dirigentes democráticos. Raramente houve tanta falta de lideranças para enfrentar a acumulação de problemas cada vez mais sérios. Na Espanha, no Reino Unido ou na Bélgica, movimentos separatistas locais tentam fragmentar o território nacional. A opinião pública britânica não está longe de cair na tentação de dizer bye-bye à União Europeia para se encastelar na sua ilha. Partidos populistas de esquerda e de direita estão cada vez mais fortes em todo o continente. Nas recentes eleições legislativas polonesas, o partido populista e nacionalista Direito e Justiça voltou ao poder com um programa econômico delirante de demagogia e ódio contra a integração europeia. Mas a Polônia é o país chave da Europa do Leste. O único com peso suficiente para contrabalançar os arroubos da Hungria do presidente Victor Orban, que ataca publicamente todos os valores liberais europeus e que instalou uma perigosa “democratura” no país.

Direita autoritária, racista e antieuropeia

O problema é que essa guinada para a direita autoritária, racista e antieuropeia acontece na mesma hora em que a Europa tem que afrontar tremendos desafios. O primeiro é como resolver a questão das centenas de milhares de refugiados sírios, afegãos ou iraquianos que tentam entrar na Europa para reconstruir suas vidas. Até as populações mais generosas e abertas, como os alemães, estão perdendo a calma e a generosidade diante desse tsunami migratório. Resultado: vários países, sobretudo na Europa do Leste, estão fechando as fronteiras e rechaçando qualquer tipo de solidariedade com os vizinhos europeus mais acolhedores. Está cada vez mais difícil definir uma resposta comum europeia.

O segundo desafio é, claro, o terrorismo. Nada mais absurdo do que buscar resolver o problema, cada um por si dentro de cada espaço nacional. Sem uma cooperação e uma integração muito mais profundas dos serviços de inteligência, policiais e até das forças armadas europeias, será praticamente impossível enfrentar os grupos terroristas internos e externos. A atual suspensão dos acordos europeus de livre circulação das pessoas é muito mais uma medida política para dar satisfação às opiniões públicas apavoradas do que uma ação eficaz contra o perigo – bem real – de novos atentados. E ainda por cima pondo em perigo uma das condições essenciais da construção europeia.

Quanto ao terceiro desafio, trata-se da renovada agressividade russa nas fronteiras orientais da União Europeia. O objetivo de Vladimir Putin é justamente tentar dividir a Europa para restabelecer uma zona de influência russa, perdida depois da queda do Muro de Berlim. Putin também quer voltar para o mundo das soberanias nacionais agressivas e dos equilíbrios entre grandes potências. Um mundo que a construção europeia vem tentando evitar há mais de cinquenta anos.

Se a Europa se desmantelar é a própria possibilidade de um sistema internacional baseado em regras universais, respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, que fica na berlinda. Alguns líderes europeus corajosos, como Angela Merkel, estão perfeitamente conscientes do perigo. Resta saber se terão tempo e força política para convencer as angustiadas opiniões públicas europeias, cada vez mais atraídas pelas soluções autoritárias e violentas do passado.

* Alfredo Valladão, professor do instituto Sciences Po, publica coluna semanal às segundas-feiras na RFI


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