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Europa

Hungria prende 60 migrantes nas primeiras horas de aplicação da nova lei anti-imigração

media Policiais húngaros detêm migrantes na fronteira serbo-húngara na cidade de Roszke, 15 de setembro de 2015. REUTERS/Bernadett Szabo

A Hungria anunciou nesta terça-feira (15) a detenção de 60 migrantes acusados de "danificar" a cerca na fronteira com a Sérvia, um delito que pode ser punido com pena de até cinco anos de prisão, de acordo com a nova legislação em vigor. "A polícia abriu um processo penal contra as pessoas", disse Gyorgy Bakondi, porta-voz do governo, em uma entrevista coletiva em Szeged, sul da Hungria.

Os migrantes que tentarem chegar à Europa pela rota dos Bálcãs vão encontrar ainda mais dificuldades a partir de hoje. A Hungria bloqueou totalmente a entrada de imigrantes vindos da Sérvia para conter o fluxo migratório, incluindo o principal ponto de passagem entre os dois países, na cidade de Roszke.

A medida começou a vigorar à meia-noite, segundo relatos de migrantes vindos da Síria e do Iraque. Cerca de 300 pessoas, entre elas muitas crianças, esperavam nesta manhã a reabertura do posto fronteiriço.

O bloqueio estava previsto com a entrada em vigor da nova lei anti-imigração. A legislação prevê pena de até três anos de prisão para aqueles que tentarem atravessar a dupla barreira com arame farpado, construída ao longo de 175 km da fronteira serbo-húngara, e reclusão de até cinco anos, em caso de danos materiais às instalações. Segundo a polícia húngara, 200 mil migrantes entraram no país desde janeiro.

União Europeia dividida

A crise migratória continua dividindo os europeus. Ontem, os países do bloco não chegaram a um acordo para distribuir 120 mil migrantes, como propõe a Comissão Europeia, entre os 28 países do bloco. A Alemanha, que se prepara para acolher até 1 milhão de refugiados, criticou os governos do leste que se opõem à política comum europeia de asilo.

O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, disse que a Europa mais uma vez está "coberta de vergonha". Já o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, defendeu que Bruxelas diminua o repasse de recursos para os países que rejeitaram o sistema de cotas obrigatórias de refugiados. A Comissão Europeia declarou, no entanto, que não pretende adotar essa medida de retaliação.

O ministro do Interior da República Tcheca, Milan Chovanec, voltou a criticar a política "incoerente" da Alemanha em matéria de imigração.

As negociações sobre a distribuição dos refugiados no bloco vão continuar até o dia 8 de outubro, quando está prevista uma nova reunião em Bruxelas.

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