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Europa

Voluntários se mobilizam para dar boas-vindas a migrantes na Alemanha

media migrants-autriche-allemagne Migrantes comemoram chegada à Alemanha na madrugada deste domingo AFP PHOTO / DPA / HENDRIK SCHMIDT

Voluntários com alimentos, roupas e mantas recebem neste domingo (6) na Alemanha milhares de migrantes que cruzaram a Hungria e a Áustria para buscar o asilo político prometido por Berlim. As estações de trem de Frankfurt e Munique, respectivamente no oeste e no sul do país, estavam repletas de pessoas com mantimentos e cartazes escritos "bem-vindos à Alemanha". Mais de 3 mil migrantes já chegaram à Baviera e mais 5 mil são esperados até o fim do dia.

De acordo com uma voluntária em Frankfurt, entrevistada pela AFP, "muitos imigrantes não compreendem o porquê de toda essa agitação e perguntam o que quer toda essa gente. Eles não entendem que o pessoal está aqui para ajudar", conta. Hoje de manhã, na capital austríaca, formou-se um comboio de cerca de 50 carros particulares para buscar imigrantes na Hungria e trazê-los para o outro lado da fronteira.

Esse tipo de iniciativa solidária se multiplica pela Europa e, neste domingo, o papa Francisco pediu que "cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada monastério, cada santuário da Europa acolha uma família de refugiados". O pontífice anunciou que começará pelas paróquias do Vaticano.

O clube de futebol Roma, da Itália, anunciou que vai arrecadar fundos para o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), a Cruz Vermelha e as ONGs Save The Children e International Rescue Committee. O Bayern de Munique fez um anúncio similar.

Depois de uma pausa durante a noite, mais de mil migrantes partiram de trem nesta manhã da estação de Budapeste-Keleti e de vários centros de acolhimento húngaros, em direção a Nickelsdorf, na fronteira austríaca. De lá, eles seguem para a Alemanha via Viena.

Ainda sem decisão conjunta

Em uma Europa dividia sobre o que fazer diante da maior crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Berlim decidiu flexibilizar suas regras de imigração para acolher os sírios que fogem da guerra. A Alemanha tem uma das populações mais idosas do continente e, por isso, enfrenta uma carência de mão-de-obra. Além dos sírios, o país virou o destino preferencial de iraquianos, afegãos e eritreus.

O grande fluxo de migrantes neste fim de semana foi possibilitado por uma decisão do governo austríaco que, coordenado com Berlim, aceitou facilitar a entrada e o trânsito dos migrantes. Com isso, eles puderam sair de Budapeste, onde estavam bloqueados havia vários dias. A Hungria é a principal porta de entrada na União Eruopeia pela Europa central. Só no mês de agosto, cerca de 50 mil refugiados entraram no país. No sábado, cerca de 10 mil migrantes chegaram à Áustra, dos quais 8 mil prosseguriam rumo à Alemanha, de acordo com as autoridades locais. Esse fluxo continuou neste domingo.

Segundo o chanceler austríaco Werner Faymann, essa flexibilização é temporária e não pode durar indefinidamente. Por isso, ele pediu que seja organizada uma cúpula europeia extraordinária sobre o tema da imigração, imediatamente após a reunião dos ministros do Interior do bloco, prevista para 14 de setembro.

Para ele, "a única alternativa é uma solução europeia conjunta". O governo austríaco exige que os países da União Europeia adotem regras comuns sobre a concessão do estatuto de refugiado a estes migrantes que fogem de conflitos em países como a Síria, o Iraque e o Afeganistão. Viena defende também a criação de centros de acolhimento e triagem nas fronteiras da União Europeia, uma ideia que não agrada à chefe da diplomacia europeia Federica, Mogherini.

Neste domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, falou ao telefone com o premiê húngaro, Viktor Orban. Os dois líderes disseram que o fluxo de migrantes deste fim de semana foi excepcional, mas que tanto a Hungria quanto a Alemanha devem respeitar suas obrigações europeias - o que significa que os imigrantes deverão continuar a pedir asilo nos países de entrada na União Europeia.

Reino Unido se mobiliza

Neste domingo, o ministro britânico das Finanças, George Osborne, anunciou que o Reino Unido reservará parte de seu orçamento de ajuda ao desenvolvimento para receber migrantes fugindo da guerra na Síria. Este orçamento equivale a 0,7% do produto interno bruto britânico, ou 12 bilhões de libras. De acordo com Osborne, isso permitirá arcar com o primeiro ano de alojamento dessas pessoas.

Na sexta-feira (4), o premiê David Cameron havia anunciado que seu país acolheria "milhares de sírios". Ele não especificou o número exato, mas segundo o Alto Comissariado da ONU para os refugiados, cerca de 4 mil refugiados poderiam ser recebidos pelo Reino Unido.

Isso não significa que a Grã-Bretanha, cujo governo conservador é um ferrenho opositor à imigração, tenha mudado de ideia. O próprio George Osborne voltou a se declarar contrário à proposta de dividir de forma igualitária os migrantes pelo território europeu e defendeu que se busquem meios de dissuadir essas pessoas de embarcar para a Europa.

Pesquisa publicada hoje pelo jornal Mail on Sunday indica que ele não está sozinho: 51% dos britânicos defendem que seu país saia da União Europeia e 29% acham que o país não deveria receber "nenhum imigrante".

Rota marítima

Além da rota do leste europeu, continuam chegando diariamente migrantes no sul do continente. Neste sábado, cerca de 650 pessoas, vindas da costa turca pelo mar Egeu, foram socorridas no mar Mediterrâneo. Outros três barcos de pesca, levando 228 migrantes, foram interceptados pela marinha egípcia perto de Alexandria. Dezessete tripulantes foram presos.

O Chipre também resgatou 114 refugiados - incluindo 54 mulheres e crianças - a cerca de 40 milhas náuticas do porto cipriota de Larnaca. O barco pesqueiro saiu de um porto sírio, passou por Trípoli, no norte do Líbano e seguia para o sul da Europa, quando enfrentou problemas no mar. Os migrantes foram encaminhados para um campo de refugiados nas cercanias de Nicósia.

Sábado (5), a ONU anunciou que, apenas neste ano, 366.402 migrantes atravessaram o mar Mediterrâneo em direção à Europa. Mais de 2.800 morreram ou desapareceram no caminho. Na semana que vem, a Comissão Europeia deve propor a partilha de 120 mil refugiados entre os Estados membros.

Aylan Kurdi

O estopim da onda de solidariedade na Europa foi a foto do garotinho curdo Aylan Kurdi, encontrado morto em uma praia da Turquia. Hoje, o policial que aparece na foto pegando o garoto, disse à agência turca de notícias Dogan que pensou em seu próprio filho quando encontrou o menininho. Mehmet Ciplak contou que, conforme se aproximava do corpo, rezava para que Aylan estivesse vivo. Ele disse ainda que não percebeu quando foi fotografado e que estava apenas fazendo seu trabalho.

Aylan foi enterrado na sexta-feira em sua cidade natal, Kobane, na Síria. Kobane é uma das principais cidades do Curdistão sírio e um dos epicentros da resistência curda contra o grupo Estado Islâmico. A cidade chegou a ser tomada pelos jihadistas, mas foi recuperada pelas milícias curdas YPG e YPJ. Agora, os curdos enfrentam não só a ameaça extremista, mas também a da Turquia, depois que o presidente Recep Erdogan declarou guerra total contra os curdos.

 

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