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Europa

Em entrevista à RFI, Porochenko diz que Putin quer conquistar Europa

media O presidente ucraniano, Petro Porochenko, (dir.) em um encontro com paraquedistas na região de Donetsk, na Ucrânia, em imagem de 2 de agosto de 2015. REUTERS/Mikhail Palinchak/Ukrainian Presidential Press Service

Ele se diz "presidente da paz" em um país em guerra. Na presidência da Ucrânia desde maio de 2014, Petro Porochenko se engajou a reformar o país, da economia à justiça, passando pela luta contra a corrupção. Mas sua principal missão é gerenciar o conflito com os militantes pró-russos, que se acentou após a anexação da Crimeia, no ano passado. Em entrevista ao correspondente da RFI na Ucrânia, Sébastien Gobert, o chefe de Estado ucraniano não escondeu o sentimento de que o inimigo mora ao lado. Para ele, não há dúvidas de que o presidente russo, Vladimir Putin, quer conquistar toda a Europa.

RFI - Presidente, o senhor chegou ao poder na onda da Revolução da Dignidade, durante o inverno de 2013-2014. Mas, quase um ano e meio depois, os ucranianos parecem esperar ainda as reformas pelas quais lutaram.

Petro Porochenko - Em um contexto de guerra e aumento dos gastos com a defesa, não existem outros casos nos quais um governo ou um presidente implementou reformas com sucesso. Mas nós, durante a guerra, reduzimos déficits orçamentários, colocamos em prática a descentralização do país, estabelecemos um Estado de direito, conduzimos uma reforma dificílima no sistema judiciário, lutamos contra a burocracia e a oligarquia. Essas reformas são muito dolorosas. E nós colocamos nossa reputação em jogo para mudar o país.

RFI - A riqueza nacional da Ucrânia é menor hoje do que era em 1990, no fim da ex-União Soviética. Que futuro o senhor pode propor aos ucranianos?

Petro Porochenko - Eu acho que não há muitas pessoas que vivem uma verdadeira nostalgia da ex-União Soviética. Os resultados das últimas eleições presidenciais e parlamentares demonstraram claramente esse sentimento. Mas você tem razão, nossa riqueza nacional diminuiu, e para isso há uma explicação bem simples: 25% da produção industrial está em território ocupado. Dez por cento dos ganhos industriais foram destruídos pela guerra ou foram transferidos para o país agressor, a Rússia. Ao mesmo tempo, em paralelo à agressão no leste de meu país, além da anexação da Crimeia, os russos fecharam seus mercados para nós. Eles lançaram uma guerra comercial de grande amplitude contra a Ucrânia. Nós estamos procurando ativamente mercados de substituição. Talvez esse seja o pior desafio que o agressor nos obriga a enfrentar.

RFI - As hostilidades que continuam em Donbass, no leste da Ucrânia, são um verdadeiro obstáculo ao desenvolvimento econômico e às reformas. Por que não ceder simplesmente a região àqueles que a desejam?

Petro Porochenko - É um território ucraniano! Há quatro milhões de ucranianos que habitam no local. Eles são submetidos à pressão das tropas russas que ocupam meu país. Nós, ucranianos, não temos nenhum problema em encontrar um compromisso. É a propaganda russa que tenta apresentar a questão como um conflito interno entre os ucranianos. Não! É uma verdadeira agressão contra meu país. Neste momento em que conversamos, há nove mil soldados russos equipados com armas russas modernas que ocupam meu território. E mais de 60 mil soldados russos ocupam a Crimeia! É uma violação brutal do direito internacional e é impossível abandonar qualquer parte do meu território. A nova lei sobre a descentralização dá mais poder às coletividades territoriais, especialmente para os territórios separatistas. Apesar disso, vocês continuam a chamar os representantes pró-russos de "terroristas". Vocês podem dialogar, ou trabalhar com eles? Se as pessoas não matarem ucranianos, elas se beneficiarão de uma anistia depois da realização de eleições. Esses, eu não os chamo de "terroristas", mas de "criminosos". Se eles mataram, eles devem ser responsabilizados. Senão, é muito simples: organizaremos eleições e haverá uma lei sobre anistia.

RFI - O senhor diz que os ucranianos lutam pela segurança de todo o continente europeu. O que espera de seus parceiros ocidentais nesse combate?

Petro Porochenko - Primeiramente, precisamos da solidariedade europeia com a Ucrânia. Nós já temos isso. Em segundo lugar, precisamos de uma união transatlântica. É uma violação brutal do direito internacional, um perigo global para a segurança mundial. Terceiro, precisamos de um apoio financeiro para as reformas. O problema principal dos ucranianos é que eles abominam essa ideia de viver essa espécie de império soviético, eles próprios se consideram como uma nação europeia. E eles querem a todo o preço realizar reformas. Em quarto lugar, é necessário um mecanismo para motivar o agressor a cumprir suas obrigações. São as sanções! Elas não são feitas para punir qualquer coisa, mas para motivar o agressor a cumprir suas obrigações , a retirar suas tropas, etc. E, em quinto lugar, uma coordenação efetiva e eficaz para aplicar o acordo de paz de Minsk.

RFI - O senhor pode contar com a participação da Rússia e com a missão de observação da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) como ferramentas suficientes para garantir a aplicação do plano de paz?

Petro Porochenko - Sobre a questão da desescalada da situação, de um cessar-fogo imediato e da retirada de tropas, nem a Rússia, nem os terroristas que ela apoia não colocam nada em prática. É por isso que devemos ter uma força para manter a paz, porque a missão de monitoramento da OSCE é de uma importância vital para nós. Mas não é suficiente. Hoje, 1° de agosto, é o 40° aniversário dos acordos de Helsinki, a criação da OSCE. Foi um mecanismo criado para garantir um método europeu civilizado para manter a segurança e a estabilidade sobre o continente. No mesmo dia, em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores russo publicou um comunicado sobre os 40 anos da OSCE dizendo que anexação da Crimeia foi legal. É assim que eles veem a situação. Nós, do mundo inteiro, votamos no Conselho de Segurança da ONU para pedir a criação de um tribunal sobre a queda do MH17, e a Rússia, completamente isolada, utilizou seu direito de veto para impedir. Esse veto é o reconhecimento da responsabilidade russa neste ataque terrorista.

Putin quer ir tão longe quanto nós permitirmos. Não apenas na Ucrânia, mas em toda a Europa. Se você tivesse me perguntado isso dois anos atrás, eu diria que seria impossível. Porque todo o sistema de segurança do pós-guerra não permitiria isso. Se você me peguntar hoje e a muitos líderes europeus, vamos dizer que infelizmente tudo é possível. Porque a anexação da Crimeia e os ataques ao leste da Ucrânia quebraram o sistema de segurança mundial. É possível que eles ataquem a Finlândia? Sim, e a Finlândia sabe disso. É possível que eles ataquem os países bálticos? Sim. É possível um ataque no Mar Negro? Sim. Por isso que a luta no leste da Ucrânia não é apenas pela soberania do meu país, mas pela democracia e pela liberdade, pela segurança de todo o continente europeu.

RFI - O senhor fala muito sobre a agressão russa. Mas no interior da Ucrânia batalhões de voluntários desafiam a autoridade do Estado. O grupo ultra-nacionalista Praviy Sektor, especialmente, esteve no coração de uma verdadeira guerra de gangues no oeste do país no começo de julho. Como impedir que esses grupos se tornem um Estado dentro do Estado?

Petro Porochenko - Durante esse ano, nós construímos um dos melhores e mais poderosos exércitos da Europa, não temos dúvida disso. A maioria dos voluntários foi integrada ao exército, à guarda nacional e eles reforçam a nossa segurança e a nossa defesa. Infelizmente, alguns criminosos utilizam o nome desses grupos patriotas para realizar esses crimes. Mas são criminosos! Eles não têm nenhum fundamento político. E a resposta do Estado deve ser a seguinte: eles devem ser considerados como criminosos.

RFI - Dmytro Iarosh, o chefe do Praviy Sektor, defendeu esses homens que o senhor chama de criminosos. Ele também é um criminoso?

Petro Porochenko - Não. Nós temos posições radicalmente opostas. Podemos ter um partido político que pode ser radical. Felizmente ou infelizmente, é uma característica da democracia. Mas se esses partidos políticos fingem ter unidades armadas, é ilegal. E essas pessoas serão tratadas como grupos armados ilegais.

RFI - Esse caso mostrou que o senhor não controla suas fronteiras. Acredita que ainda é possível abolir o regime dos vistos Schengen para os ucranianos para que eles possam viajar livremente na Europa?

Petro Porochenko - Nós temos a confirmação de que esse caso foi resolvido. Nós garantimos a paz e a estabilidade. A reação das autoridades ucranianas foi rápida e eficaz. O problema não é quando as irregularidades existem, mas quando o Estado não luta contra esse fenômeno. Não é uma particularidade da Ucrânia. É um problema de muitos países! E é somente através da colaboração que podemos produzir resultados rápidos. Esse incidente, que durou um ou dois dias, não afeta a perspectiva da Ucrânia de abolir o regime de vistos.

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