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Europa

Em entrevista exclusiva à RFI, opositora do Pussy Riot fala sobre projeto em defesa de prisioneiros

media Nadejda Tolokonnikova se reuniu com Maria Alekhina (ao fundo) no dia 24 de dezembro, depois que ambas foram libertadas dos campos de prisão. AFP PHOTO/VASILY MAXIMOV

Dois dias após sua libertação de um campo de trabalho na Sibéria, Nadejda Tolokonnikova, integrante do grupo de contestação Pussy Riot, se declarou determinada a continuar a luta em defesa dos direitos humanos na Rússia, em uma entrevista exclusiva à RFI nesta quarta-feira, 25 de dezembro de 2013. Ela e Maria Alekhina, outra integrante do grupo libertada na segunda-feira, chegam nesta quinta-feira a Moscou, onde poderão finalemente rever seus filhos.

Na entrevista feita pela jornalista Elena Servettaz, Nadejda Tolokonnikova afirma que se sente responsável pelas pessoas que deixou para trás. Com Maria Alekhina, ela se diz "decidida a pagar a dívida que temos com os prisioneiros que permaneceram nos campos".

Nadeja afirmou acreditar que sua libertação se deve à iminência dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sotchi. "A ameaça real de um boicote pesa sobre os Jogos Olímpicos. Vários chefes de Estado anunciaram que se recusam a ir. Para evitar esse boicote, o sistema decidiu dar uma prova de humanidade", disse ela.

"Então decidiram anistiar pessoas que já haviam cumprido quase toda a pena. Em compensação, as pessoas que realmente teriam necessidade de uma anistia permaneceram atrás das grades", acrescentou a opositora. Nadejda Tolokonnikova e Maria Alekhina já haviam cumprido quase toda a pena de dois anos de prisão e deveria ser libertadas em março.

Combate

A opositora disse que não permitirá que o medo de represálias por parte do governo a impeça de continuar lutando pelos direitos humanos na Rússia.

"Gostaríamos de obter transparência no sistema penitenciário e no Estado. Gostaríamos que a sociedade civil controlasse o governo", disse ela, afirmando que durante o tempo que passou na prisão trabalhou em projetos para atingir esse objetivo.

"Ao direcionar os holofotes para o sistema penitenciário russo, e ao modificá-lo, nós vamos mudar a ideologia do Estado", explicou à RFI. "Nós vamos falar de casos concretos, de pessoas que ainda estão nos campos ou foram libertadas. Trabalharemos com pessoas dispostas a tomar uma posição mais radical do que a da maioria dos prisioneiros, que são tolerantes, submissos ou colaboram com a administração penitenciária", disse Nadeja Tolokonnikova.

"Ajudando esses resistentes, vamos dar um golpe no sistema. E mesmo que pareça paradoxal, nossa experiência mostrou que uma única pessoa pode realizar um combate. Uma única pessoa poderá mudar uma pequena parte do sistema. Então, se houver muitas pessoas reunidas em uma corrente, esperamos que a mudança poderá ter uma outra dimensão e atingir o nível superior", acrescentou ela.

A opositora garantiu que ela e Maria Alekhina estão dispostas a trabalhar com os representantes do Estado que também desejem melhorar o sistema.

Nadejda Tolokonnikova ainda disse o coletivo artístico de contestação Pussy Riot existe independentemente dela e de Maria Alekhina. "Qualquer pessoa que goste da ideia de Pussy Riot pode utilizá-la. Vejo que as pessoas o fazem e isso me agrada. Minha participação não é mais obrigatória".

Oração punk

Nadejda Tolokonnikova e Maria Alekhina estavam cumprindo uma pena de dois anos de prisão por terem realizado uma oração punk em fevereiro de 2012 na catedral do São Salvador, sede do patriarcado ortodoxo, pedindo a saída do presidente Vladimir Putin. Elas foram condenadas por "vandalismo" e "incitação ao ódio religioso"

As duas mulheres deveriam ser libertadas em março de 2014, mas puderam beneficiar da uma lei da anistia adotada recentemente pelos parlamentares russos, principalmente porque são mães de crianças pequenas.

Ekaterina Samoutsevitch, a terceira integrante do grupo Pussy Riot, havia beneficiado de uma libertação antecipada em outubro de 2012.

Segundo analistas, a lei de anistia visa melhorar as relações entre o Ocidente e a Rússia, que abriga em fevereiro os Jogos Olímpicos de Inverno de Sotchi.

De acordo com as organizações de direitos humanos, a anistia votada é insuficiente. Ela permitirá libertar menos de 1500 pessoas, o que correspondente a uma pequena parte dos cerca de 700 mil russos presos.

 

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