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Europa

Breivik se recusa a falar sobre contatos com outros nacionalistas

media O assassino norueguês Anders Behring Breivik repete pelo terceiro dia consecutivo a saudação nazista nesta quarta-feira, no tribunal de Oslo. REUTERS/Fabrizio Bensch

Anders Behring Breivik, autor do massacre de 77 pessoas, voltou hoje ao tribunal para o terceiro dia de um julgamento que deverá durar dez semanas. Ele é interrogado sobre os motivos e as circunstâncias dos dois atentados cometidos em Oslo e na ilha de Utoya no dia 22 de julho do ano passado. Na sessão de hoje, ele se recusou a responder questões sobre seus contatos com outros militantes nacionalistas.

Como nos dias anteriores, Anders Breivik fez uma saudação de extrema-direita antes de entrar na sala de audiência. Aos 33 anos, ele não demonstra nenhum remorso pelo massacre cometido em julho do ano passado, quando explodiu uma bomba em um prédio nas proximidades da sede do governo antes de abrir fogo contra jovens reunidos em um encontro do partido trabalhista na ilha de Utoya.

Nesta terça-feira, durante seu depoimento de mais de uma hora, Breivik disse frases chocantes, como a de que os jovens presentes na ilha não eram inocentes, e sim militantes políticos. O autor dos massacres disse que faria tudo de novo e defendeu seus ataques como preventivos, com o objetivo de proteger a população norueguesa. Por isso, ele não se considera culpado e pede para ser absolvido das acusações.

Na sessão de hoje, ele permaneceu muito discreto sobre seus contatos com outros militantes nacionalistas que teria levado à criação de uma organização mística. "Não desejo falar sobre esse assunto", repetiu Breivik várias vezes, em resposta às questões insistentes da procuradora Inga Bejer Engh.

Em seu manifesto de 1500 páginas divulgado no dia dos ataques, o extremista de direita afirma ser membro de uma rede de militantes nacionalistas que ele teria fundado com três outras pessoas em Londres em 2002. A polícia norueguesa nunca conseguiu provar a existência dessa rede.

Hoje, Anders Breivik se limitou a explicar que havia entrado em contato "incidentalmente" via Internet com uma pessoa no exterior em 2001, um contato que teria sido o estopim para a criação da rede de militantes nacionalistas.

Ele também confirmou ter ido à Libéria para encontrar um militante nacionalista sérvio, recusando-se de dar o nome desse indivíduo e os motivos para esse encontro. Ele disse apenas que se tratava de um processo de seleção. "Não quero fornecer informações suscetíveis de conduzir a prisões suplementares", disse ele. 

Embora tenha sido cooperativo na terça-feira sobre as questões ligadas à sua educação e às suas atividades profissionais, Breivik se recusou desta vez a responder a inúmeras questões da procuradora.

O principal ponto de interrogação do julgamento é sobre a saúde mental do acusado. Se for considerado irresponsável do ponto de vista penal, ele corre o risco de ficar preso em um hospital psiquiátrico para o resto da vida. Já se for considerado responsável, ele pode ser condenado a 21 anos de prisão, uma pena que pode em seguida ser prolongada pelo tempo em que ele for considerado perigoso. 

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