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Jogo do Brasil contra França vale vaga nas quartas da Copa e quebra de jejum

Jogo do Brasil contra França vale vaga nas quartas da Copa e quebra de jejum
 
A seleção brasileira treina na cidade de Le Havre na véspera do jogo decisivo contra a França. Foto: Reuters/Yvan Herman

A seleção brasileira tem neste domingo (23) um duplo desafio: vencer a seleção francesa para avançar às quartas de final da Copa do Mundo de futebol feminino e terminar com um longo jejum de oito jogos sem vitórias sobre as adversárias. 

Do enviado especial a Le Havre

A dificuldade aumenta levando em consideração que a França, anfitriã do Mundial, terá a força de uma imensa torcida apoiando das arquibancadas do estádio Océane, na cidade de Le Havre.

As “Bleues”, como são chamadas as jogadoras da equipe francesa, enfrentam, por outro lado, a pressão de não decepcionar um país que se preparou para realizar uma Copa do Mundo histórica para o futebol feminino. Estádios cheios e audiências recordes nos jogos transmitidos pelas emissoras de televisão são indicadores do sucesso do evento.

Fim do jejum? 

O jogo de França e Brasil pelas oitavas de final será o segundo entre as duas equipes em uma competição oficial. O primeiro, no Mundial de 2003, terminou empatado em 1 a 1. Depois, foram sete jogos amistosos com dois empates e cinco derrotas do Brasil, a último delas, de 3 a 1, foi em novembro de 2018, em Nice.

Embalada pelas três vitórias na primeira fase, feito inédito até então, a França mostrou certos limites, especialmente depois da magra vitória sobre a Nigéria por 1 a 0, com gol em cobrança de pênalti batido duas vezes.

O jogo contra o Brasil é visto como um verdadeiro confronto para avaliar o real potencial da França, mas também evoca um adversário que traz boas lembranças para todos franceses. Foi em 1998, na final contra o Brasil, que a equipe masculina conquistou seu primeiro título mundial.

No feminino, a equipe brasileira é apenas um obstáculo no caminho do cobiçado troféu, ainda inédito. A França se preparou da mesma maneira como qualquer outra rival, afirmou a treinadora Corinne Diacre. Conhecida pelo estilo direto, ela não quis comentar sua percepção da equipe brasileira, apenas comentou que a força da equipe está no ataque e não na defesa. "Desculpe-me, mas o Brasil não é caracterizado como muito bom defensivamente. Por outro lado, ofensivamente tem muito poder, apesar desta equipe não ter sofrido muitos gols”, destacou.

Defesa vacilante

Desde que o Brasil foi confirmado como adversário das oitavas de final das anfitriãs da Copa, a imprensa francesa tem multiplicado declarações e análises sobre o desempenho defensivo da seleção, considerado frágil.

Essas observações fizeram o treinador Vadão lembrar que sua equipe sofreu muitos desfalques relacionados a contusões, como os cortes de Fabi Simões e Érika, prejudicando o desempenho da defesa.

Apesar dos problemas, a equipe tem se acertado durante a competição. “Temos boas jogadoras individualmente, estamos fazendo de tudo para que o plano tático seja aplicado. Mesmo com os problemas, temos condições de fazer frente à França, que está num momento especial, é a anfitriã e tem a torcida a seu favor. Esses quesitos importantes no futebol talvez favoreçam a França, mas tecnicamente as coisas só vão se resolver lá”, destacou.

Jogadas aéreas das "Bleues" preocupam

No último treino antes da partida, no sábado (22), a comissão técnica reuniu as jogadoras para analisar em detalhes o perfil das adversárias. Uma das preocupações do técnico Vadão é o jogo aéreo das francesas, principalmente com as subidas da zagueira Wendie Renard, que já marcou dois gols na competição, sendo um de cabeça. “Elas têm uma grande variação de jogadas aéreas”, observou Vadão.

Além disso, a rapidez pelas jogadas laterais também foram alvo de discussões e treinamento específico. Um dos pontos fortes da França, segundo o treinador brasileiro, é o conjunto, já que muitas das jogadoras atuam nos mesmos clubes, citando o Lyon, maior potência atual do futebol europeu. Essa vantagem permite maior entrosamento.

“O que a França tem de muito bom é o conjunto. Além da qualidade técnica, individual, é um time bem treinado. Mas o entrosamento é fundamental e a França tem essa facilidade. Outros times precisam de dois, três jogos para ir se acertando. A França já chegou intacta, inteira e com o padrão definido”, destacou.

Aposta na força do ataque

A seleção brasileira fez muitos treinos visando uma marcação forte, mas reforçando também estratégias para o que o time tem de mais forte. “Temos que nos preocupar com a França pelo potencial e qualidade que tem, mas não podemos esquecer de atacar. Temos que priorizar o que temos de melhor é que é atacar. Treinamos muito o contragolpe”, adiantou.

A jogadora Marta é uma das esperança do Brasil no jogo que vale vaga para as quartas de final da Copa do Mundo. Foto: Reuters/Yvan Herman

Ao lado de Vadão na entrevista coletiva, a atacante Debinha disse que, apesar do favoritismo das francesas, o Brasil não vai se deixar impressionar. “Tem sim, condições de sair com a vitória e vamos jogar de igual para igual”, garantiu.

“Para uma jogadora, a gente espera sempre grandes jogos, ainda mais contra uma França dentro da França. Gostaríamos que fosse na final, nas oitavas, mas estamos confiantes para fazer um ótimo jogo”, disse Thaisa, em entrevista ao canal da FIFA.

Para a lateral Tamires, a seleção tem que mostrar mais que futebol. “O Brasil também mostrou que é forte, sabe jogar coletivamente. Temos que continuar fazendo nosso jogo, continuar mostrando nosso brio e que vença o melhor”, concluiu.


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