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Brasil termina Torneio de Boxe na França com 5 medalhas

Brasil termina Torneio de Boxe na França com 5 medalhas
 
A delegação brasileira que participou dpo torneio internacional Les Ceintures, na França. Foto: RFI Brasil

A 15 ª edição do torneio Internacional de boxe Les Ceintures, realizada neste final de semana em Argenteuil, periferia de Paris, reuniu atletas amadores de 24 países. O Brasil foi representado por lutadores da Federação de Boxe do Distrito Federal e Entorno (FBDFE) e terminou a competição com uma medalha de ouro, uma prata e três de bronze.

No total, foram sete atletas disputando diferentes categorias. Eles vieram à França com apoio do programa Compete Brasília, que investe em atletas com potencial de alto rendimento. Presidente da Federação de Boxe do Distrito Federal e Entorno, Patricia Colaviti explica que mais que resultados, o objetivo é dar mais experiência ao grupo de atletas que não têm muitas oportunidades de lutar e evoluir tecnicamente no país.

“Não trabalhamos apenas com alto rendimento de ponta. Para chegar na ponta, você precisa vir da base. Damos oportunidade para os da base virem para as pontas. Muitos querem ganhar, lógico, mas o principal objetivo é fazer uma boa luta, ganhar experiência”, diz.

“Para alguns deles, traz muita experiência profissional e também pessoal porque nem tinham sequer saído do Brasil. Aqui eles lutam com quem nunca tinham lutado, diferentemente do que acontece no Brasil. Por isso eles amadurecem tanto profissional quanto pessoalmente”, garante.

Este é o caso do brasiliense João Kauê Campanella, de 30 anos. Dez anos no boxe e voltando depois de um período de três anos parado, ele participou pela primeira vez de um torneio internacional. Perdeu na semifinal e saiu do ringue extremamente decepcionado pelo desempenho, mas consciente do aprendizado.

“Para mim serviu como experiência. É muito válido lutar com atletas de outros países. Isso acrescenta muito no meu boxe”, diz o atleta que encontrou nesta modalidade o bom caminho a trilhar na vida. “Esse esporte é o que me livra de todo o mal da vida, as drogas, o caminho errado, e me permite encarar a realidade. O boxe me deixa centrado nas coisas boas. Eu me apeguei muito a esse caminho, que é o do boxe e o do bem”, conta.  Kauê diz querer continuar participando do boxe olímpico, mas não descarta se tornar profissional, se conseguir resultados melhores nas competições que pretende disputar no ano.

Boxe feminino

Apenas duas mulheres fazem parte do grupo que veio à França. Roberta Melo, de 37 anos, é professora de Educação Física e começou nos esportes de combate há cinco, primeiro com a arte marcial muay thai, que lhe abriu as portas para o boxe, uma “arte mais técnica, que exige mais inteligência”.  O problema, segundo Roberta, é a falta de competições na região do Distrito Federal. Ela deve se deslocar para São Paulo ou Bahia para competir, principalmente na sua categoria, 81 kg. Ela chegou a ser campeã dos Jogos Abertos de São Paulo, representando Piracicaba, que a contratou para o evento.    

Por isso, a necessidade de competir fora do estado e muitas vezes, procurar torneios fora, como o de Paris, para poder avaliar seu nível. “Não tenho objetivo de me tornar profissional. Tenho muitos alunos, e é o que me motiva para passar minha experiência para eles”, afirma, elogiando o avanço do boxe feminino no país.

“A mulher é respeitada, me senti respeitada. A mulher que está nesse meio, é muita respeitada na sociedade. Ela é vista como uma ‘supermulher’. Isso é muito bom e muito legal”, afirma.  

Roberta Melo (à esq.) e Silvana Aguilar foram as representantes do Brasil no torneio feminino de boxe de Argenteuil. Foto: RFI Brasil

Em sua segunda participação no torneio de Argenteuil, Silvana Aguilar, perdeu por pontos na estreia. Ela atribui o resultado à mudança de categoria, para 59 kg. “Em Brasília, principalmente, não tem muitas mulheres para lutar, o que dificulta. Quando chegamos nos torneios internacionais, a gente percebe a diferença porque aqui elas têm muito mais lutas. Já aconteceu de chegarmos aqui com 10 lutas e as adversárias com 100. A diferença é grande, mas mesmo assim a gente consegue fazer boas lutas”, afirma.

Há três anos iniciou no boxe e tem como ambição seguir carreira e se tornar profissional, mesmo aos 34 anos de idade.

 “Descobri o boxe e me apaixonei. Sempre gostei de competir. Subi no ringue, ganhei minha primeira luta e não quero parar mais. Vale a pena”.

Futura promessa do boxe

Mas a grande sensação da equipe brasileira é o Daniel Araújo. Campeão do torneio Les Ceintures no ano passado, ele voltou para Argenteuil para seu último ano como juvenil. Com 18 anos, ele brilhou mais uma vez no ringue e conquistou a medalha de ouro pela segunda vez consecutiva.

Filho e sobrinho de boxeadores, ele descobriu o esporte muito cedo, aos sete anos e desde então, só tem foco para o boxe.

Ele já participou e foi campeão de torneios em quatro países : Canadá, Alemanha, Grécia e França. Ele passou uma temporada de um mês nos Estados Unidos antes de voltar a Argenteuil. “Quero ganhar experiência para poder passar para o profissional”, explica.

Daniel Araújo vencedor da categoria juvenil do torneio Les Ceintures e uma das promessas para o boxe brasileiro. Foto: RFI Brasil

Daniel tem o objetivo de disputar as Olimpíadas, mas esbarra na questão política. Ele é filiado de uma Federação que não faz parte da Confederação Brasileira de Boxe, o que dificulta disputar torneios, mas o que não faz desistir de seus objetivos. Inspirado nos brasileiros Robson Conceição e Esquiva Falcão, pelas dificuldades do esporte no Brasil, e no ucraniano Vasyl Lomachenko, campeão olímpico e mundial do peso leve, ele não esconde seu sonho.

“O sonho de todo atleta que é boxador é ir para as Olimpíadas porque sendo campeão olímpico, ou conquistando medalhas, você se torna profissional e começa a disputar eventos. Isso facilitar disputar títulos mundiais”, afirma.


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