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Esportes

José Maria Marín é condenado a quatro anos de prisão no Fifagate

media José Maria Marín REUTERS/Ricardo Moraes

O ex-presidente da CBF, José Maria Marín, foi sentenciado nesta quarta-feira (22) a quatro anos de prisão por uma juíza federal de Nova York. A magistrada o acusou de ser "um câncer" que corrompeu o esporte no Brasil e no mundo.

Marín, de 86 anos, é o primeiro grande mandatário do futebol mundial a ser condenado e preso nos Estados Unidos em meio ao escândalo de corrupção na Fifa. Ao anunciar a sentença, a juíza Pamela Chen disse que o brasileiro "poderia e deveria ter dito não, mas em vez disso estendeu a mão e se uniu ao jogo" de aceitar propinas.

O ex-presidente da CBF recebeu US$ 3,3 milhões em propinas de empresas de marketing esportivo em troca da concessão de contratos para a transmissão das copas Libertadores, América e do Brasil, além de ter "buscado obter mais de US$ 10 milhões em subornos em três anos, abusando da confiança das federações de futebol a quem deveria servir", explicou Chen.

Além dos quatro anos de prisão, Marín também foi condenado a pagar US$ 1,2 milhão de multa e devolver US$ 3,3 milhões em propinas que recebeu.

Cartola se descontrolou ao falar da mulher

Marín compareceu ao julgamento vestindo um traje de presidiário bege em vez do elegante terno que usou durante as sete semanas de julgamento, com o cabelo mais longo e a postura mais curvada. Durante a audiência ele não quis pedir perdão nem mostrou remorso, mas afirmou lamentar que seus atos tenham prejudicado algumas pessoas ou entidades.

Ao falar da esposa Neusa, com quem é casado há quase 60 anos e que estava presente durante o julgamento, o cartola não conteve as lágrimas e se descontrolou. Seus advogados e a juíza tentaram impedir que prosseguisse, mas o ex-dirigente continuou: "A herança de minha mulher e da minha família, não tirem deles seu meio de sobreviver!", gritou, em referência às multas e restituições que terá que pagar.

Marín afirmou que o futebol era seu grande amor, mas, desde que foi preso em 27 de maio de 2015 na Suíça, se tornou "um pesadelo", tornando a vida de sua família num "inferno". O brasileiro foi um dos dirigentes da Fifa detidos no dia 27 de maio de 2015 em um hotel de luxo de Zurique pela polícia suíça, a pedido da justiça norte-americana.

Depois de passar cinco meses em uma prisão suíça e ser extraditado aos Estados Unidos, ele pagou uma fiança de US$ 15 milhões e passou dois anos em prisão domiciliar, em seu apartamento na luxuosa Trump Tower na Quinta Avenida de Nova York, de onde saía apenas duas vezes por semana para ir à missa.

Marín foi preso imediatamente em Nova York após sua condenação, anunciada em 22 de dezembro de 2017. Após sete semanas de julgamento no tribunal do Brooklyn, um júri popular o considerou culpado de seis das sete acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude bancária.

 
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