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Esportes

Tricampeões: Rio 2016 consagra nova geração dourada do vôlei

media Jogadores da seleção durante a cerimônia de entrega de medalhas no Maracanãzinho. REUTERS/Yves Herman

A festa pela conquista do ouro, após vitória de 3 sets a 0 sobre a Itália neste domingo (21), coroou o trabalho de uma equipe que começou os Jogos desacreditada, cresceu durante a competição e terminou no lugar mais alto do pódio, com o terceiro ouro para o Brasil na modalidade e escrevendo a história de uma nova geração dourada.

Tensão durante toda a partida, explosão de alegria no ponto final, choro na entrega da medalha e até volta olímpica no ginásio do Maracanãzinho, que acabou invadido no final da cerimônia por familiares e torcedores. Foi carregada de muita emoção a celebração do terceiro ouro olímpico depois das conquistas de Barcelona, em 1992, e Atenas, em 2004. Foi o fim de um longo jejum de títulos para a modalidade que carregava o peso da expectativa de medalhas.

Empurrada por uma torcida fervorosa nas arquibancadas, a equipe de Bernardinho mostrou muita garra, concentração e sangue frio nos momentos mais difíceis da partida, quando a Itália chegou a ficar na frente do placar em diversas vezes.

O primeiro set, vencido por 25/22 após uma virada de placar, deu confiança para o time. Os italianos voltaram a sair na frente do set seguinte e o jogo ficou equilibrado, antes da reação da defesa brasileira, que chegou a salvar um set point do adversário para fechar em 28/26. Das arquibancadas, a torcida verde amarela fazia muita pressão e foi fundamental para o fechamento do terceiro set por 26/24 e da partida por um impressionante placar de 3 sets 0.

“A história foi feita do jeito que teria que ser feita”, reagiu Serginho, aclamado como “rei” pelos torcedores do Maracanãzinho. Aos 40 anos, o líbero, considerado o melhor da história do vôlei, põe fim à sua carreira olímpica com um ouro em casa. Dono de quatro medalhas, sendo duas de ouro (2004 e 2016) e duas de prata (2008 e 2012), Serginho, foi reverenciado pela torcida e pelos companheiros.

Ele resolveu deixar a camisa 10 no centro da quadra e explicou a sua decisão: “Deixei minha camisa ali porque não tinha que ir para minha casa. Essa camisa tem que ficar aí para o povo brasileiro, alguém pega, faz um leilão, reverte o dinheiro para alguém que precisa. A história acabou”, disse.

O jogador Sergi,nho se emocionou ao receber a medalha de ouro e as homenagens da torcida e dos companheiros de seleção. REUTERS/Yves Herman

Na sua despedida, o mais experiente jogador da seleção de Bernardinho não esqueceu das gerações anteriores do vôlei: “Estou muito feliz, agradeço a primeira geração olímpica, a do Paulão, que foi exemplo e referência para mim. Eles me mostraram que eu poderia ira atrás do meu sonho, através de uma manchete, de uma defesa, você pode conquistar o mundo. O jogador Sérgio conquistou muito através de uma defesa. Realizei meu sonho de ser jogador de vôlei, mas agora espero poder parar com esse negócio. Vamos ver se dentro de dois anos eu consigo”, brincou.

“A medalha é consequência, mas o que me deixa mais feliz é ter meus filhos do meu lado. Agora vou voltar para casa, levar meus filhos para a escola, vou poder ficar com eles, almoçar, jantar, comemorar o aniversário deles. Vou viver minha vida normal, isso é que me deixa mais feliz”, afirmou.

Volta por cima

A conquista histórica deste domingo celebra uma volta por cima da equipe que começou muito mal os Jogos do Rio. Na última partida da fase de grupos, o time corria o risco de eliminação se não vencesse a França. Pressionada, a seleção deu conta do recado. As críticas e as dúvidas sobre uma equipe que nas duas últimas Olimpíadas tinha “batido na trave”, continuaram, mas não abateram os jogadores.

“Tivemos atitude, mudança de postura dentro de quadra. Desde o começo, ninguém acreditava na gente. Quando ganhamos da França, os comentários eram de que a gente não passaria das quartas. E não contentes depois que passamos pela Rússia, disseram que iríamos ser prata de novo, porque éramos uma geração de prata. Então, está aí. Eu dedico esse título para os que realmente torcem pelo Brasil, tanto na derrota quanto na vitória”, desabafou Wallace, um dos principais destaques do Brasil na competição.

“Essa medalha de ouro, do Rio, ninguém vai mais ter. É nossa. A felicidade é imensa de saber que todo o sacrifício que fizemos, treinos diários, dores, sofrimento, valeram a pena”, completou.

Jogadores celebram a vitória contra os italianos na final do vôlei. REUTERS/Dominic Ebenbichler

O momento difícil da equipe também foi lembrado pelo levantador Wiliam, feliz com o resultado muito aguardado durante anos. “Pessoalmente, é um sonho de criança realizado. A minha conquista demorou, mas eu trabalhei e a minha hora chegou. A sensação é de dever cumprido, de uma geração guerreira, talvez não tão brilhante e virtuosa como a outra, mas extremamente batalhadora e merecedora de tudo isso”, disse.

Com o filho dos braços, Wiliam comentou o espírito que uniu uma equipe para chegarem à reta final.
“Todas as equipes poderiam vencer. O ‘clic’ aconteceu quando colocamos a camisa e dissemos: vamos trabalhar para sermos campeões olímpicos”, afirmou.

Realizado com a conquista, o jogador não deixou de fazer uma observação sobre as pressões que os atletas sofrem da torcida. “Infelizmente, o brasileiro tem que mudar um pouco a cultura do só ganhar, só ganhar. Hoje ganhamos, foi merecido, lindo. Mas o esporte é assim, a gente tem que valorizar todos que lutam, que vestem uma camisa e disputam uma Olimpíada, com menos apoio do que o vôlei, que se matam aqui para dar tudo”, comentou.

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