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Roland Garros : uma paixão brasileira

Roland Garros : uma paixão brasileira
 
Roland-Garros continua seduzindo os brasileiros, quinze anos após o sucesso de Guga. Photo: Pierre René-Worms / RFI

Atletas, torcedores e fãs brasileiros de tênis têm uma opinião em comum: o torneio de Roland Garros é muito especial para o Brasil. É comum ver as cores verde amarela nas arquibacandas quando há representantes do país nas quadras, seja no quadro principal ou nos torneio de juniores.

Afinal, foi o piso de saibro da capital parisiense que consagrou e projetou para o mundo o maior nome da história do tênis do país: Gustavo Kuerten. Ao erguer os troféus de 1997, 2000 e 2001, o tricampeão Guga aproximou mais os brasileiros do tênis e do Aberto da França, considerado o mais charmoso do circuito mundial.

De quebra, Kuerten despertou a simpatia e a curiosidade do público francês pelos atletas brasileiros, gerando expectitativa para ver um novo tenista seguir a trajetória vitoriosa de um jogador que marcou a história do torneio com seu sorriso e conquistas.

Guga cercado de torcedores em Roland-Garros Foto: Elcio Ramalho

Diante de tanto prestígio, tornou-se quase obrigatória a presença de Guga em Paris todos os anos, seja para visitar o torneio a convite da organização do evento ou para compromissos profissionais. A atenção que recebe mesmo após 15 anos depois de seu último título, o deixa sempre emocionado. “O carinho que eu tenho aqui é absurdo, eu me sinto em casa”, resumiu em uma entrevista à Rádio França Internacional.

Inspiração

Os troféus e as conquistas de Gustavo Kuerten são fontes de inspiração para diversas gerações de tenistas brasileiros que tentam brilhar no saibro parisiense. Thomaz Bellucci, atual número 1 do Brasil, confessa: “Para mim é um dos torneio mais importantes do circuito e especial pela história que tem, das vitórias do Guga. É também o meu piso favorito, e sempre que venho aqui tenho aquele friozinho na barriga antes de entrar na quadra”, confessa.

Rogério Dutra Silva, que também participou este ano do torneio e foi eliminado na primeira rodada, fala com entusiasmo de jogar no saibro parisiense. “Aqui é o ‘manto sagrado’. Todo mundo que sonha em jogar tênis gostaria de jogar aqui. É um Grand Slam incrível e fico muito feliz de participar”, disse o paulista.

Teliana Pereira (foto) vence Krystina Pliscova e enfrentará Serena Williams em Roland-Garros Pierre René-Worms / RFI

A tenista Teliana Pereira, é entusiasta e transpira emoção ao falar do Grand Slam francês: “Eu amo Roland Garros e adoro a França, a comida, tudo. Brinco com minha equipe pois acho que em outra incarnação fui francesa. Eu me sinto muito bem e em casa aqui”.

Até para as novas gerações o torneio tem é mítico. Rafael Wagner, campeão do torneio “Rendez-Vous à Roland Garros” e que estreia neste domingo no torneio júnior, fala da realização de um sonho, aos 17 anos. “Desde pequeno eu vi o Guga jogar e o Rafael Nadal também, que são meus ídolos. Para mim estar aqui é uma coisa de outro mundo. Acho que para todo tenista jogar aqui é um sonho”, afirma.

Atletas mais experientes do circuito também relatam a relação particular com o torneio de terra batida de Paris. Marcelo Melo, que no ano passado foi campeão do torneio de duplas com o croata Ivan Dodig, tem um motivo extra para ter uma afinidade ainda mais forte com esse torneio. “A gente tem os torneios de Roland Garros e Wimbledon como os mais tradicionais. Mas podemos citar Roland-Garros porque foi aqui que o Guga ganhou três vezes. Ele tornou o tênis muito popular no Brasil por causa de suas vitórias. Às vezes, as pessoas podem não saber tanto de tênis, mas sabem o que é Roland-Garros”, explica.

“É um torneio que a gente cresceu já almejando jogar e, um dia, quem sabe, poder vencer. A gente associa com o Guga, porque todo mundo sabe que ele ganhou aqui. A gente também joga predominantemente em quadras de saibro no Brasil. Paris é uma cidade fantástica, onde os brasileiros também gostam de vir. É um conjunto de fatores”, acrescenta.

Marcelo Melo distribui autógrafos para os fãs em Roland Garros. Foto: RFI Brasil RFI

Além de Marcelo Melo, outro mineiro, Bruno Soares, também experiente no circuito do tênis, comenta essa relação especial dos atletas e dos torcedores com a capital francesa. “Para o brasileiro ele é especial por tudo o que o Guga fez aqui. Ele se tornou muito especial para nós, brasileiros. Mas para mim, é tão especial quanto os outros porque a gente joga tênis para esses momentos, de Grand Slams. Eu já tive grandes resultados aqui então, me traz boas lembranças também”, comentou.

Festejar aniversário em Roland-Garros

Não são apenas os tenistas profissionais e as diversas gerações de atletas que mantém com esse torneio uma relação tão especial. Fãs do tênis também encontram motivos para vir ver de perto o complexo esportivo que tanto seduz os brasileiros. Este ano, os amigos do dentista Sérgio Tanaka, de Jundiaí, interior de São Paulo, fizeram uma surpresa para comemorar os 50 anos desse fã do esporte. Programaram uma viagem para visitar o complexo e assistir a vários jogos, entre eles o da brasileira Teliana Pereira.

“Eu sou apaixonado por tênis e meu maior sonho era ver Roland Garros. Aqui é excepcional”, disse. “O torneio traz logo a lembrança do Guga, nosso maior ídolo, maior vencedor”, afirma.

A organização da viagem ficou sob a responsabilidade do comerciante Marcelo Salles, que trabalha com tênis há 30 anos, sendo a metade como professor e depois como dono de uma loja especializada no esporte. Para o brasileiro, o torneio "representa a paixão, por causa do Guga que ganhou aqui três vezes, a gente ama jogar no saibro e Roland Garros. A gente ama tudo isso”, diz.

Sua esposa, Andreia Salles, diz que o evento corresponde à imagem que o torneio mais charmoso do circuito inspira. “É ‘glamour’, é emoção, tudo é lindo. Para quem acompanha tênis, representa meio que um sonho, estar aqui e compartilhar um pouco dessa emoção com os jogadores, que batalham tanto. É um sonho realizado”, afirma.

Sérgio Tanaka (à esq.) veio a Paris com o grupo de amigos para comemorar seus 50 anos de idade. RFI

Por causa de Guga, muitos franceses também adotaram uma estima toda particular com a terra natal do famoso tricampeão. O farmacêutico francês David se aproximou discretamente da torcida brasileira durante o jogo de estreia de Teliana Pereira e torceu pela pernambucana, mesmo sem conhecer muito bem a atleta. Gritava das arquibancadas “Brasil”, acompanhando os torcedores.

“Depois do Guga, passamos a adorar todos que vêm do Brasil. Admito que não conheço outro jogador, e não teve ninguém para substituir essa grande estrela. Mas existe uma simpatia pelos jogadores e pelo Brasil que adoramos”, afirma.
 


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