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Esportes

Guga torce para entregar troféu de Roland Garros a um francês

media Gustavo Kuerten Foto: RFI Brasil

Muito popular no torneio que o consagrou, Gustavo Kuerten não escondeu sua torcida para entregar o troféu de campeão de Roland Garros este ano a um francês: Gaël Monfils, pelo "carisma" e "características parecidas com as suas de brincar com o público". Depois de falar com os jornalistas sobre o lançamento de seu livro autobiográfico na França, Guga pôde conferir o enorme carinho que ainda recebe de velhos e novos fãs do tênis.

Basta pisar nas ruas movimentadas entre as quadras de Roland Garros para o brasileiro confirmar que sua popularidade continua inabalável, mesmo após ter erguido o último de seus três troféus do Aberto da França há 14 anos.

Mãos de fãs se estendem para pedir autógrafos em camisetas, bolas e até em ingressos. Guga também atende pacientemente aos fãs para tirar muitos selfies. A presença de várias câmeras de televisão e fotógrafos torna a tarefa de se aproximar do ídolo um desafio ainda maior, mas poucos desistem porque sabem que o brasileiro é atencioso.

"Ele é fantástico", diz um espanhol. Uma francesa sai sorridente e mostrando aos amigos a foto que conseguiu tirar com o tricampeão. "Ele é muito simpático e gentil", comenta, enquanto seu filho Eliott, de 10 anos, reforça a opinião balançando com a cabeça afirmativamente. Se ele conheça Guga? "Sim, vi vários jogos dele na televisão", responde o fã mirim.

Guga cercado de torcedores emRoland Garros. Foto: Elcio Ramalho

Carinho do público e também da Federação Francesa de Tênis. Em uma festa privada na noite de sexta-feira (29), Gustavo Kuerten recebeu uma homenagem com bolo e samba para lembrar os quinze anos de seu segundo título no saibro francês. O brasileiro foi campeão em 97, 2000 e 2001 e até hoje saboreia o sucesso de suas conquistas.

Guga, brasileiro e "paixão francesa"

Na agenda este ano, encontros também com a imprensa para promover o lançamento de sua autobiografia. Na França, o livro Guga, um brasileiro, ganhou como subtítulo:  Uma paixão francesa.  "É o lugar certo para falar da minha história", comentou Guga ao se referir ao torneio parisiense, onde ele diz reviver sempre com intensidade as sensações e emoções que sentiu como no primeiro dia.

Gustavo Kuerten, de 38 anos, explicou que o mergulho em sua vida o fez valorizar ainda mais as pessoas que sempre estiveram do seu lado. "Foi interessante e intenso descobrir minha própria vida, ou minhas várias vidas. Eu me dei conta da importância real das pessoas que estiveram do meu lado", afirmou.

Guga explicou como o contexto familiar contribuiu tanto para a formação de seu caráter e destacou o papel das pessoas "cruciais" em sua trajetória. Da mãe, Alice, falou da fibra e da coragem por ter criado sozinha três filhos, quando o pai faleceu, quando ele tinha oito anos de idade. Fez várias referências ao irmão mais velho, Rafael, que devido às condições financeiras da família deixou de jogar tênis para permitir que Guga investisse na carreira. E, claro, uma menção particular a Larri Passos, seu ex-treinador, responsável por ter colocado em sua cabeça "o espírito de vencedor".

O olhos de Guga ficam marejados quando ele fala das lembranças que marcaram sua memória e foram detalhadas na autobiografia. Entre elas, a virada em um jogo quase perdido que abriu as portas para ele atingir outro nível e imaginar que tudo seria possível.

"Na terceira rodada, na quadra número 1, eu estava perdendo de 3/0 no quinto set. Comecei a jogar mais relaxado. Eu não conseguia mais, porque (Thomas) Muster estava me fazendo correr muito de um lado para o outro. Meu irmão, que é muito tranquilo, gritou das arquibancadas : ‘Guga, você não é assim. Você sempre lutou, nunca desistiu’. E depois, pela primeira vez, a torcida me incentivou : ‘Allez Guga, allez Guga’ (força Guga, força Guga, em francês). E isso mudou. Nesse momento, eu me conectei com um outro nível que até então não existia. Comecei a jogar em outra dimensão", lembrou.

"Foi um momento em que, em Roland Garros, um outro Guga apareceu", ressaltou. Guga revelou ainda que depois da vitória nas quartas ([6-2, 5-7, 2-6, 6-0, 6-4] sobre o russo Yevgeny Kafelnikof, algo que considerava impensável, teve a certeza de que iria faturar o título do Grand Slam francês pela primeira vez.

Emoção intensa na volta a Roland Garros

Guga também confessa que promover seu livro de memórias no palco onde celebrou suas maiores conquistas na carreira é algo especial. "As observações e análises esticam e trazem uma emoção à tona que é o meu DNA. Percebe-se um pouco mais o compromisso, a entrega que foi feita no dia a dia. Dá mais valor e mais sabor à história. É bacana poder chegar aqui e apresentar uma trajetória bonita, genuína. Algo que parecia inimaginável, até hoje. Porque isso aconteceu ? É intrigante até. Foi uma oportunidade para conhecer a minha vida melhor, e não só a minha, até para entender a importância das pessoas ao meu redor, que fizeram com que eu conseguisse montar essa alma de campeão", disse em entrevista à Radio France Internationale.

Na entrevista, Guga disse não ter muita expectativa sobre a repercussão do livro na França, país com o qual tem uma relação muito particular. "Não tenho expectativas. Para mim, foi muito valioso, fundamental fazer esse livro. A partir daí, o impacto sobre as pessoas é um reflexo independente. A minha parte foi feita, que é tentar me aproximar ao máximo do que aconteceu na minha vida. Agora cada um se apropria da forma que quiser ", disse.

Guga durante entrevista coletiva em Roland Garros. Foto: Elcio Ramalho

Escolhido para entregar o troféu de campeão ao vencedor da final masculina no próximo dia 7, Guga não escondeu sua torcida pelo francês, Gaël Monfils, um jogador "carismático" e que tem "características muito parecidas" com as dele. "Seria uma surpresa, como em 97", diz Guga em referência ao seu primeiro título, totalmente inesperado. “Entregar o troféu para um francês seria totalmente agradável e mais legítimo com a minha história".

No entanto, Guga ressaltou que o favorito é mesmo o sérvio Novak Djokovic. Mas se dependesse dele, não haveria apenas um campeão. "Gostaria que fossem distribuídos quatro troféus, um para o Federer, outro para o Nadal, para o Djokovic e para o Monfils. Aí, eu estaria garantido", brincou.

 

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