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Economia

Guerra comercial entre EUA e China se intensifica e não deve acabar tão cedo, dizem analistas

media Donald Trump pressiona a China por acreditar que leva vantagem na queda de braço comercial com os chineses. Alex Wong/Getty Images/AFP

Negociadores da China e dos Estados Unidos encerraram mais uma rodada de negociações nesta sexta-feira (10) em Washington sem encontrar uma solução para a guerra comercial entre os dois países.

Para pressionar o governo chinês, o presidente Donald Trump deu ordens ao representante comercial americano Robert Lighthizer para iniciar, a partir de segunda-feira (13), o processo de aumento das tarifas aduaneiras sobre mais US$ 300 bilhões de importações chinesas. Na sexta-feira, entraram em vigor tarifas adicionais de 10% a 25% sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses destinados ao mercado americano, o que eleva para US$ 550 bilhões o montante total de mercadorias sujeitas às taxas punitivas dos EUA.

Em um tuíte, Trump declarou que os dois dias de conversas com a delegação de Pequim foram construtivos. O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal negociador chinês, confirmou que houve avanços. "Obtivemos consenso em muitas áreas mas, francamente, ainda temos divergências", explicou o chinês. "Cada país tem seus princípios importantes, e não faremos concessões em questões de princípios", advertiu Liu He, acrescentando que os chineses "não têm medo" dos Estados Unidos.

Ante a ofensiva americana, a China promete tomar as "contra-medidas necessárias". Liu He garantiu que "as negociações vão continuar, com um próximo encontro em Pequim ainda sem data marcada.

Trump garantiu a continuidade das discussões e destacou que a decisão de remover ou não as tarifas impostas sobre produtos chineses depende do desenrolar das negociações. Os detalhes do novo aumento determinado pela Casa Branca, que inclui consultas e comentários dos setores envolvidos, serão divulgados na segunda-feira no site de comércio exterior USTR, antes da decisão de se impor as tarifas ou não, esclareceu Lighthizer.

Batalha de longo prazo

Especialistas estimam que a relação entre os Estados Unidos e a China tornou-se imprevisível no governo Trump e é marcada por uma tensão permanente, de tendência duradoura, entre as duas potências. "Entramos num período de forte rivalidade entre a China e os Estados Unidos tanto no aspecto de guerra comercial quanto de tensão militar no Mar da China", diz Alice Ekman, responsável pelos estudos sobre a China no Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).

Brahma Chellaney, professor do "think tank" indiano Center for Policy Research, nota "uma mudança de paradigma na política americana, com implicações significativas na política bilateral mais importante do mundo e impacto na segurança global". O especialista lembra que de Richard Nixon (1969 a 1974) a Barack Obama (2008-2016) todos os presidentes americanos colaboraram para a emergência da China como um polo de poder econômico".

Mas tudo mudou com Trump. Depois de desmantelar a ordem multilateral instituída pelos ocidentais no pós-guerra, o presidente americano lançou uma nova fase de confronto geopolítico. Ele quer rivalizar com um governo chinês cada vez mais ambicioso e em posição de conquistador. Na avaliação do republicano, a política conciliadora adotada pelos presidentes americanos precedentes foi nefasta para os interesses dos EUA.

Segundo o especialista indiano Chellaney, essa mudança de tratamento vai perdurar além da gestão de Trump. "Existe um consenso em Washington de que a política anterior, de compromisso construtivo, deve ser substituída por uma abordagem mais dura", destaca.

Para Trump, a adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, foi um erro fatal, observa Jean-François Di Meglio, presidente da consultoria Asia Centre. "A China interpretou essa adesão como uma enorme vitória e foi a partir de 2001 que os excedentes comerciais chineses explodiram, permitindo ao país acumular reservas consideráveis", pontua Di Meglio.

Por enquanto, a política de Trump não produz consequências nefastas para os Estados Unidos. Ao contrário, o republicano declara abertamente que acumula vantagem na queda de braço com os chineses. Mas esse cálculo comporta riscos, uma vez que a China tornou-se de fato uma potência econômica e exerce forte influência geopolítica em diferentes regiões do planeta.

"Humilhar os chineses cria um problema maior aos sucessores de Trump, e não é a mesma coisa que enfrentar a Coreia do Norte, o Canadá, a Europa ou o México, países de menor importância, que Trump maneja sem criar grandes atritos", adverte Di Meglio, da Asia Centre.

A longo prazo, é possível que surjam dois polos rivais de globalização evoluindo em vias paralelas, considera a pesquisadora do Ifri Alice Ekman. "A polarização das relações internacionais pode gerar novas formas de concorrência em projetos de infraestrutura, normas e instituições internacionais", explica. Os demais países teriam a opção de escolher entre ofertas rivais, de acordo com suas preferências políticas, a proximidade geográfica e suas fragilidades econômicas, conclui.

Com informações da agência AFP

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