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Economia

Para sociólogo francês, combate à pobreza tem que superar dicotomia entre ser ativo e ser assistido

media Sociólogo francês Nicolas Duroux. Reprodução

A pobreza pode ser medida pelo salário, pelas condições de vida, mas também por como as pessoas se sentem. O jornal francês Le Monde deste domingo (9) traz um longo artigo do sociólogo francês Nicolas Duvoux em que ele propõe uma combinação de medições diferentes para aferir as taxas de pobreza. Segundo ele, trata-se de um problema complexo, que não pode ser mensurado apenas por uma  renda mínima, como geralmente é feito.

O cientista argumenta que a dicotomia entre aqueles que são economicamente ativos e aqueles que recebem ajudas sociais do Estado não é suficiente para explicar o problema, nem para combatê-lo. Ele ressalta que quando analisadas as diversas medições de pobreza, é possível perceber variações muito mais diversas que têm a ver com idade, estrutura familiar e percepção de futuro.

Pobreza e renda: a medida mais frequente

Duvoux lembra que o Banco Mundial estipula que todos aqueles que recebem menos de US $ 1,90 estão abaixo da linha da pobreza. Já nos Estados Unidos, o limite é estabelecido a partir da renda anual, que não deve ser inferior a US $ 25.100 por ano para uma família de quatro pessoas. Na Europa, ele ressalta que o conceito mais usado é aquele de pobreza relativa, que considera que essa avaliação vai variar a depender "da sociedade onde se vive".

Na França, é considerado pobre quem "vive em uma residência cuja renda é 60% inferior ao nível de vida médio (€ 1.015 por mês por uma pessoa sozinha em 2015, o que corresponde a 14,2% da população)". Por esse critério, a pobreza diminuiu apenas quatro pontos percentuais nos últimos 50 anos e hoje atinge mais as crianças, os jovens e as famílias monoparentais. O pesquisador ressalta, no entanto, que essa medida é alvo de muitas críticas por ser arbitrária e poder ter grandes variações sem que as condições de vida realmente se alterem significativamente.

Percepção de pobreza

Duvoux apresenta então uma outra forma de mensurar a pobreza, desta vez não baseada em uma renda mínima, mas sim em uma lista de itens que dizem respeito à qualidade de vida. Ele explica que se trata de uma lista de 27 itens na qual constam restrições de consumo, as condições de moradia, atrasos de pagamento, entre outros. Se a pessoa for vítima de pelo menos oito desses itens, pode ser considerada pobre. Para o pesquisador, essa análise pode ser um complemento importante às medidas de renda.

O sociólogo explica além das medições objetivas, uma dimensão importante da medida de pobreza diz respeito a quantas pessoas se vêem como pobres. Para ele, essa percepção subjetiva está relacionada a situações de "inseguridade social durável", por isso a taxa tende a ser mais alta entre aqueles que recebem mais ajudas sociais do Estado e entre os desempregados. Isso mostra que essa percepção está ligada ao afastamento do mercado de trabalho e à visão de si próprio como alguém que precisa de auxílio.

No entanto, um terço das pessoas que se consideram pobres estão empregadas, o que mostra uma outra faceta importante dessa percepção. A taxa de pessoas que se consideram pobres na França é de 13% enquanto os dados da medida de renda apontava 14,2% em 2015. Apesar de taxas próximas, elas não correspondem exatamente aos mesmos segmentos sociais.

Os jovens, por exemplo, tendem a ter taxas mais altas em relação à pobreza monetária, já que frequentemente têm rendas baixas. A percepção de pobreza, no entanto, é menor que a média geral. O contrário acontece para a faixa mais velha da população, que tende a ter uma estabilidade financeira maior, mas frequentemente se percebe como pobre.

Portanto, as estratégias de luta contra a pobreza requerem um "confontro às múltiplas dimensões da insegurança social crescente das classes populares: uma situação que vai muito além da dicotomia entre ser ativo ou ser assistido", conclui o sociólogo. Para ele, é preciso considerar a dimensão coletiva do problema, já que parte dessa percepção de pobreza estaria relacionada com "uma crise de confiança no futuro da sociedade".

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