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Análise: Tarifa dos EUA sobre aço e alumínio é jogada de Trump para rever regras da OMC

Análise: Tarifa dos EUA sobre aço e alumínio é jogada de Trump para rever regras da OMC
 
Operário de montagem da General Motors trabalha junto com um robô na construção de veículos Chevrolet Bolt EV e Sonic, em Lake Orion, EUA. 19 de março de 2018. REUTERS/Rebecca Cook

Um vendaval está se aproximando do comércio mundial. O ministro da Economia francês acaba de declarar que está pronto para discutir com os Estados Unidos “o futuro da Organização Mundial do Comércio para construir um novo sistema multilateral”. Com uma condição: que Washington deixe de aplicar à Europa as barreiras tarifárias sobre o aço e o alumínio anunciadas por Donald Trump, uma posição apoiada pela Comissão Europeia. Que Trump sempre foi hostil à OMC não é novidade. Mas que Europa e Estados Unidos queiram mudar o sistema, isso, sim, é espetacular. E o resto do mundo que aperte os cintos.

É verdade que as regras da OMC que governam o comércio de bens estão se tornando obsoletas. A economia mundial está vivendo uma revolução na maneira de produzir, consumir e se comunicar. As tecnologias digitais estão criando uma nova matriz econômica e comercial. A chamada “globalização” não está acabando: ela só está mudando de cara e tornando-se ainda mais poderosa.

As novas técnicas de produção e distribuição estão reduzindo barbaramente o custo de fabricação de um produto físico, e criando um padrão de consumo onde o que conta são os inúmeros serviços “embutidos” nesse bem físico. O valor de um iPhone não é o aparelho em si, mas o ecossistema de serviços e aplicativos que ele permite acessar.

A questão central hoje é quem vai ficar com a "parte do leão" do valor adicionado e dos lucros da nova economia global. A resposta é simples: quem dominar a utilização produtiva das novas técnicas – Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Big Data, impressoras 3-D, robôs, etc. Quem continuar dependendo dos meios de fabricação tradicionais ou da exportação de matérias-primas, vai sofrer.

Valor dos produtos mudou

Hoje, a competição econômica é cada vez menos entre cadeias de valor global vendendo bens produzidos em massa para o consumo internacional de massa. As gigantescas plataformas digitais norte-americanas ou os produtos industriais de ponta conectados – fabricados em regiões avançadas sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, mas também em alguns (poucos) pontos no Japão e na China – estão mudando as regras do jogo.

O que vale mais é a produção digitalizada, conectada e “customizada”, para um consumo global mas personalizado. É isso que americanos e europeus entenderam. Diante dos avanços da China, os dois “grandes” do comércio e da economia global não estão a fim de perder sua supremacia.

A OMC foi construída e pensada para o mundo antigo, no qual o comércio de bens era o coração dos negócios e do poder econômico. Agora, o campo de batalha é propriedade intelectual, serviços, regras de investimento, barreiras não-tarifárias - tudo que a OMC não tem condições de cobrir.

As tarifas sobre o aço e o alumínio proclamadas por Donald Trump são só uma jogada brutal para lançar uma negociação sobre novas regras do comércio mundial – além de serem uma pequena “bondade” para agradar aos seus eleitores dos setores produtivos mais tradicionais. Uma maneira de forçar os europeus a entrar nesse jogo. E as recentes visitas do presidente francês e da chanceler alemã em Washington provaram, sobejamente, que a Europa (fraca e dividida) não tem outra saída senão encontrar um jeito de se alinhar. Sem falar que os europeus também estão muito preocupados com as ofensivas chinesas no comércio e investimentos.

Impacto nos emergentes

Nada disso é boa notícia para as economias ditas “emergentes”. Nos últimos vinte anos, muitas – inclusive a China – prosperaram graças às grandes cadeias produtivas transnacionais e a liberalização do comércio de bens, garantido pela OMC. Mas nenhuma delas está verdadeiramente pronta a abrir o seu setor de serviços, ou a negociar para valer as barreiras não-tarifárias e regulamentações domésticas. Acordos comerciais tradicionais não bastam mais. E a brutalidade do “America First” de Donald Trump não vai deixar muito espaço para se mexer. Quem pode, pode; quem não pode se sacode.


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